16/12/2015

11:32

Por: Alberto Silva

“Só no Brasil mesmo” Mulheres são presas com detentos da Lava Jato e ganham autógrafos

Elas foram presas por vender ingressos falsos para show; veja o vídeo. 'Eu nem acreditei que estava com pessoas tão poderosas', conta uma delas.

“Bandido vira celebridade na cadeia” Duas mulheres exibiram itens autografados por presos da Operação Lava Jato, na porta da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Segundo Carlene Bezerra Braga e Naiara Maria da Silva, elas foram detidas na quinta-feira (14), vendendo ingressos falsos para o show do músico David Gilmour, também na capital paranaense, e levadas para a Polícia Federal.

A situação foi flagrada pela equipe da RPC, que aguardava a saída do lobista Fernando Baiano de um depoimento, prestado nesta terça-feira (16), no mesmo local.

Ao serem liberadas, elas exibiam uma carta assinada pelas doleiras Nelma Kodama e Iara Galdino, já condenadas em processos da Lava Jato. Além disso, também mostravam uma camiseta que dizem ter recebido do ex-deputado federal Pedro Corrêa, também detido na PF. “Eles deram chocolate para a gente. O Pedro Corrêa deu sabonete. O Alberto Youssef cuidou de mim desde as 5h30, me dando comprimido, água”, contou Carlene.

Ainda segundo as duas, a camiseta foi dada por Pedro Corrêa porque elas estavam sentindo frio durante a noite. “Eu achei bem diferente [encontrar essas pessoas], eu nem acreditei, na verdade, que eu estava com pessoas tão poderosas. Eles são famosos. Então, nem sei como eu me senti”, lembra Carlene.

Ainda segundo a mulher, a doleira Nelma Kodama lhe garantiu ajuda para deixar Curitiba e ir embora para São Paulo. Elas também afirmaram que os presos lhes deram conselhos. “Disseram para a gente ir com Deus, que nunca mais voltemos aqui”, disse Carlene.

As duas explicaram que tiveram contato com os presos da Lava Jato porque, na carceragem, as mulheres têm acesso livre aos corredores, enquanto os homens ficam presos nas celas.

A Polícia Federal foi procurada para comentar a situação e explicar por que presas mulheres têm contato com homens na carceragem da Superintendência. No entanto, a corporação informou que não vai se manifestar a respeito.

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