20/04/2016

21:57

Por: Alberto Silva

Polícia Federal está com medo de governo Temer

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, disse, em entrevista ao UOL, que a categoria não vai aceitar interferência por parte do novo governo federal na atuação da organização.

Com a possibilidade cada vez mais real de Dilma ser afastada do poder por 180 dias para que o decorativo Michel Temer assuma a Presidência da República, a Polícia Federal resolveu se pronunciar. E o que foi dito não é lá das melhores coisas.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, disse, em entrevista ao UOL, que a categoria não vai aceitar interferência por parte do novo governo federal na atuação da organização. Porém, ele também afirmou que tem receio sobre o assunto. Já que existem indicações de que Temer e Cunha vão agir para barrar os trabalhos feitos pela PF.

Carlos Eduardo foi bem claro quanto a sua preocupação. “Estamos (com receio) sim, há um clima de receio por falta dessa força institucional, de não termos a autonomia garantida na Constituição. Temos receio sim, se falarmos que não é mentira, e o cenário político é de intensa instabilidade”, revelou o delegado.

Ele ainda completou dizendo que o problema não é apenas Temer, mas a aliança do vice decorativo com muitos deputados federais e senadores. “Nós temos um contexto de que políticos e pessoas com poder econômico sendo investigados e que esta fragilidade pode ser que haja ações pra interferir nas investigações”, confirma Carlos Eduardo.

Ele ainda completou dizendo que o problema não é apenas Temer, mas a aliança do vice decorativo com muitos deputados federais e senadores. “Nós temos um contexto de que políticos e pessoas com poder econômico sendo investigados e que esta fragilidade pode ser que haja ações pra interferir nas investigações”, confirma Carlos Eduardo.

Para o delegado, a Lava-Jato está ameaçada de fato. “Como nós não temos garantias, toda instituição está sob ameaça. Temos uma dificuldade orçamentária hoje que é tremenda. Nossos investimentos são decrescentes e as dificuldades para fazer investigações são indecentes, temos que pagar diárias do próprio bolso. Além disso, temos atualmente 500 cargos vagos de delegados, e a previsão é de outros 400 se aposentando em dois ou três anos, ou seja, podemos acabar ficando com metade do efetivo no futuro. Em relação a operação, evidentemente que, em caso de mudança (nos quadros da PF), isso colocaria um risco à continuidade da investigação”, finaliza Sobral.

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