30/03/2015

08:16

Por: Alberto Silva

Partido politico vira Fenômeno na web, defende menos poder do Estado

Sigla ainda não está registrada, mas já faz planos para conseguir eleger presidente em 2030.
Atrair a população para discutir política não é tarefa fácil. Atrair eleitores para apoiar uma sigla partidária, menos ainda. Mas, em tempos de descrédito com a política, o Novo, partido em fase de regulamentação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vem sendo considerado um fenômeno antes mesmo de ter seu registro deferido.

Com ideias ancoradas na defesa do Estado mínimo e em diretrizes rígidas como a proibição de reeleição consecutiva, o Novo já tem um contingente de mais de 760 mil seguidores no Facebook.

Além de atuar em redes sociais, a mobilização tem ocorrido por meio de palestras que defendem a liberdade econômica com menor intervenção do Estado, nos mesmos moldes do Partido Democrático Liberal, da Alemanha.

O embrião do Novo surgiu em 2009, quando um grupo de administradores, engenheiros, estudantes e advogados decidiu reagir a problemas como a falta de serviços básicos oferecidos pelo Estado e a alta carga tributária brasileira – assunto bastante atual, principalmente num momento de discussão sobre o ajuste fiscal.

A expectativa das lideranças do Novo é de que o registro, que tramita na Justiça Eleitoral desde julho do ano passado, seja deferido ainda no primeiro semestre deste ano. A partir daí, a sigla quer lançar candidatos já para a próxima eleição.

Os planos são ousados. Em 2030, apostam, terão um nome forte para concorrer à Presidência da República. Um feito que deverá ser alcançado sem uma das principais ferramentas das campanhas: a propaganda gratuita, que o partido condena.

Mesmo sem o registro, o partido tem um presidente nacional: João Dionísio Amoêdo, membro do Conselho de Administração do Itaú-BBA e da João Fortes Engenharia. Defensor do fim do voto obrigatório e do paternalismo do Estado, ele explica que a prioridade da legenda é o liberalismo econômico. Temas polêmicos como aborto e legalização de drogas, na visão do partido, não são prioridade para o país. “O primeiro desafio do Novo é uma mudança cultural. A primeira coisa a fazer é mostrar para as pessoas que o Estado não dá nada de graça. Tudo tem custo, e esse custo é pago por nós. Não cai do céu”.

Diminuir a profissionalização da carreira política é um dos lemas, aliado à redução do poder dos políticos. “Será que o Estado é melhor gestor? Ele devolve em serviços ruins. Ninguém melhor do que o indivíduo para saber as prioridades de si próprio. Nosso desafio é uma mudança de raciocínio de que o Estado não deve prover tudo”, completa o dirigente.

O cientista político Paulo Kramer diz que, “pela inovação ideológica”, o Novo é bem-vindo. Entretanto, o desafio de sobrevivência é alto. “Quero ver colocar em prática. Na democracia moderna, os atores são políticos profissionais. É impossível não haver político profissional na democracia representativa, que se baseia em um mandato imperativo, de confiança, em que você delega claramente poderes”.

Sustento

Contribuições. Os criadores do Novo sustentam com recursos próprios a estrutura da sigla. A ideia é que todos filiados contribuam mensalmente com R$ 27, sejam eles com ou sem mandato.

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