30/09/2015

17:38

Por: Alberto Silva

Nova pesquisa aponta ‘reprovação da Presidente Dilma’, ela já não tem mais governabilidade

Pesquisa CNI-Ibope divulgada nesta quarta-feira (30) aponta que 69% dos brasileiros avaliam o governo Dilma Rousseff (PT) como ruim ou péssimo, um ponto percentual a mais que na última pesquisa, realizada em junho.

Os números mantêm a presidente como a que tem a pior avaliação desde o fim da ditadura militar.

A pesquisa mostra também que apenas 10% consideram o governo ótimo ou bom, ante 9% na pesquisa anterior.

Para 21%, Dilma faz um governo regular, e 1% não souberam ou não quiseram opinar. A soma pode dar diferente de 100% devido a arrendondamentos.

Os que desaprovam a maneira de Dilma governar são 82%, ante 83% em junho. Já os que disseram não confiar na presidente são 77%, contra 78% na última pesquisa. Todas as variações estão dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.

Só 20% disseram confiar em Dilma, mesmo índice de junho. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em 140 municípios de todo o país entre os dias 18 e 21 de setembro.

Popularidade de Dilma

Segundo o gerente de pesquisas da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, os dados gerais mantiveram-se estáveis em relação à pesquisa anterior.

“[A popularidade] Parou de cair, está estável. Se vai cair novamente na próxima pesquisa, a gente não sabe, precisa ver os acontecimentos. Se avaliarmos esses últimos três meses, não houve muita mudança. A gente continua com uma crise política séria e a questão econômica sem solução”, disse.

“As pessoas estão descontentes porque estamos com mais desemprego, preços crescendo, renda caindo, elas estão sendo obrigadas a buscar outros trabalhos ou a cortar suas despesas. A redenção vai ocorrer quando o ajuste terminar e a economia voltar a crescer.”

Na série histórica, o pior índice que um presidente havia atingido desde a redemocratização havia sido de 64% de ruim ou péssimo, em julho de 1989, por José Sarney.

SEGUNDO MANDATO

A análise da série histórica também revela que a perda de popularidade no início do segundo mandato não é novidade. Porém, Dilma teve a queda mais intensa. Em dezembro de 2014, 40% da população avaliavam seu governo como ótimo ou bom. Neste mês, o percentual foi para 10%.

Na mesma comparação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma queda de 57% para 50%, e Fernando Henrique Cardoso, de 40% para 16%.

“Tanto no governo Fernando Henrique como no governo Lula, houve uma queda de popularidade do primeiro para o segundo mandato. Provavelmente é o resultado de algum descontrole de contas públicas durante as eleições. A gente vê isso não só no Brasil, mas em vários países. Aí, quando você assume o segundo mandato, tem que dar um ajuste, e isso gera uma certa decepção e a popularidade cai”, analisou Fonseca.

Ele destacou ainda que houve “mudanças de comportamento” da população quando considerados os estratos ouvidos. Os que aprovam a maneira de Dilma governar, por exemplo, caíram de 11%, em junho, para 7% em setembro entre os jovens de 16 a 24 anos. Já entre os entrevistados com mais de 55 anos, subiu de 20% para 24%, na mesma comparação.

Uma das hipóteses, segundo o gerente de pesquisas da CNI, é que os mais jovens, que têm enfrentado dificuldades para conseguir emprego, não têm memória de crises passadas. “Você tem uma juventude que é mais contestadora e está mais assustada por não ter vivenciado outras crises no país”, disse.

De nove áreas de atuação avaliadas, os impostos e a taxa de juros foram as que tiveram os maiores índices de desaprovação, de 90% e 89%, respectivamente. Já as áreas que se saíram melhor foram a de combate à fome e à pobreza, que teve aprovação de 29%, e a do meio ambiente, aprovada por 25%.

As notícias sobre o governo mais lembradas pela população foram as relacionadas à Operação Lava Jato (13%), que investiga o esquema de corrupção na Petrobras e outros órgãos públicos. Em seguida, aparece a volta da CPMF, citada por 8% dos entrevistados, o aumento de impostos (7%) e os pedidos de impeachment da presidente (7%).

(Via Folha)

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