23/07/2015

10:05

Por: Alberto Silva

LULA (PT) pede socorro a FHC (PSDB) para evitar Impeachment de Dilma

O ex­presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o
tucano Fernando Henrique Cardoso, e propor uma conversa entre os dois sobre a crise política. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Há cerca de duas semanas, amigos de Lula discutiram separadamente com ele e FHC a
possibilidade de um encontro dos dois. Os contatos ocorreram às vésperas de
o tucano viajar de férias para a Europa.
Lula disse a aliados que a conversa poderia ser por telefone e antes de Fernando Henrique viajar. O tucano preferiu deixar a definição de um eventual encontro para ser discutida depois que ele voltar ao Brasil, em
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Não foi o primeiro aceno de Lula à oposição. Em maio, ele encontrou o senador José Serra (PSDB­SP) na festa de um amigo comum e disse que gostaria de marcar uma conversa reservada. Lula derrotou Serra na eleição de
2002.
Lula tem mantido somente os aliados mais próximos informados sobre essas conversas, e só avisou que procuraria Fernando Henrique na véspera de autorizar os contatos com o antecessor.
A intenção do petista é buscar um conciliador na oposição para tentar dissipar, pelo menos dentro do PSDB, as forças que trabalham pelo impeachment da presidente.
A crise que envolve Dilma aprofundou-­se nas últimas semanas, com o avanço das investigações sobre corrupção na Petrobras, a crise econômica e a rebeldia dos aliados do PT no Congresso.
SEM INTERMEDIÁRIOS
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Instituto Lula afirmou nesta quarta­feira (22) que o ex-­presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique nem soube de nenhum interesse da parte do antecessor.
Por e-­mail, Fernando Henrique disse à Folha: “O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento
público.”
Serra não quis confirmar o conteúdo da conversa que teve com Lula em maio, e disse apenas que não tem nenhum encontro marcado com ele.
As informações sobre a movimentação de Lula foram confirmadas à Folha por integrantes do Instituto Lula e políticos de três partidos. Para a assessoria de Lula, “relatos anônimos” servem apenas para alimentar “especulação”.
RADICALIZAÇÃO
A aliados com quem discutiu o assunto, Lula disse preferir uma conversa discreta com FHC. O petista tem procurado evitar que seus movimentos ampliem a radicalização do ambiente político. Lula, que fez recentemente críticas ao modo como Dilma vem lidando com a crise, tem procurado agir como bombeiro e procurou líderes do PMDB, como o senador Renan Calheiros (AL), para conter os ânimos no Congresso.
O ex­presidente debateu com seus auxiliares durante meses a decisão de buscar reaproximação com os tucanos. Os petistas sabem que a radicalização da campanha presidencial do ano passado, em que Dilma atacou FHC, tornou
mais difícil o diálogo com eles.
No PSDB, há dúvidas sobre a conveniência de uma conversa que tenha como tema a governabilidade de Dilma. Mesmo tucanos considerados moderados, que hoje são contra o impeachment, temem que um diálogo com o PT seja
visto como conchavo e arranhe a imagem do partido.
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que foi derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado, é visto pelos petistas como um dos principais obstáculos a qualquer tentativa de acerto entre os dois grupos
políticos.

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