03/08/2015

11:32

Por: Alberto Silva

José Dirceu acaba de ser preso novamente, confirma sua assessoria e a PF

O ex­-ministro da Casa Civil José Dirceu é um dos alvos da nova fase da Operação Lava Jato, que acontece na manhã desta segunda­feira (3) em
Brasília e nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
A informação foi confirmada pelo advogado do ex­ ministro, Roberto Podval. Os policiais discutem com os advogados se Dirceu pode ou não ser levado a uma detenção já que ele se encontra em prisão domiciliar, cumprindo pena por causa do processo do mensalão. Seria necessário que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizasse
a remoção.

Um magistrado consultado pela Folha afirmou acreditar, em tese, ser possível que Dirceu seja conduzido a um estabelecimento prisional. Embora a
situação não seja comum, a corte já autorizou, por exemplo, que uma pessoa que tem direito a prisão domiciliar mas ainda está numa carceragem lá
permaneça em caso de nova condenação. Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu e sócio dele na JD
Consultoria também foi preso pela PF.

DIRCEU NA LAVA JATO
O ex­ministro foi citado pelo ex­executivo da Toyo Setal Julio Camargo durante depoimento dele à Justiça Federal do Paraná. Camargo afirmou que entregou R$ 4 milhões em dinheiro vivo a Dirceu a pedido do ex­diretor da Petrobras Renato Duque, presos em Curitiba (PR). O advogado Roberto Podval, que defende Dirceu, negou que ele tenha recebido propina e disse que o delator não falou a verdade. O depoimento de Camargo complicou a situação de Dirceu, que é alvo de um inquérito da Lava Jato por causa dos pagamentos que recebeu de empreiteiras que tinham negócios com a Petrobras.
Camargo colabora com as investigações sobre corrupção na Petrobras desde dezembro do ano passado e já prestou vários depoimentos às autoridades, mas esta é a primeira vez em que falou no assunto.

NOVA FASE DA LAVA JATO
Ao menos 200 policiais federais cumprem 40 mandados judiciais, sendo 26 de busca e apreensão, 3 de prisão preventiva, 5 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento obrigatoriamente). Entre os crimes investigados estão: corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Essa é a 17ª fase da Lava Jato, denominada de Pixuleco, em alusão ao termo utilizado para designar propina. O foco principal desta fase são os beneficiários de pagamento de propinas envolvendo contratos com o Poder Público, incluindo beneficiários finais e “laranjas” utilizados nas transações.
Também foram decretados ainda sequestro de imóveis e bloqueio de ativos financeiros.
Os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal.

Fonte: Folha

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