17/07/2016

11:17

Por: Alberto Silva

Estão matando os candidatos políticos das eleições municipais 2016, ação preocupa polícia, entenda…

Com passagens pela polícia por homicídio e roubo de cargas, foi executado no dia 8 de junho. Era filiado ao PSDB e pretendia se candidatar a vereador.

Uma mistura entre assassinatos e política, fato que vem preocupando autoridades envolvidas no combate ao crime e na organização das eleições municipais. A Polícia Civil investiga a participação de políticos, traficantes e milicianos no homicídio de dois vereadores e quatro pré-candidatos da área nos últimos oito meses. Investigadores descartam uma razão comum para os crimes, mas apuram se disputas territoriais, rachas em grupos criminosos e motivações políticas estão por trás das mortes.

Vereador em Seropédica pelo PcdoB, foi morto em novembro do ano passado. Para polícia, parlamentar tinha ligações com a milícia. Investigadores apuram

A lista de homicídios inclui dois líderes comunitários que se candidatariam a vereador. Anderson Gomes Vieira, o Anderson Soró, morto em Nova Iguaçu, e Aga Lopes Pinheiro, assassinada em Magé. Nesses casos, a suspeita é que o tráfico, incomodado com a liderança das vítimas, seja responsável pelas mortes. Filho de Soró, o adolescente de 15 anos não entende o que aconteceu naquela manhã em que o pai chegava para trabalhar.

a participação de milicianos e políticos da região no crime

Foi assassinado em janeiro no estacionamento da Câmara Municipal de Magé. O vereador presidia uma comissão que investigava irregularidades na prefeitura e, segundo a polícia, usava a investigação para obter vantagens. Policiais apuram a participação de políticos no crime

Líder comunitário da região do Jardim Corumbá, em Nova Iguaçu, seria candidato a vereador pelo PRB. A polícia acredita que foi vítima de uma disputa entre traficantes e milicianos pelo controle da área

Com passagens pela polícia por homicídio e roubo de cargas, foi executado no dia 8 de junho. Era filiado ao PSDB e pretendia se candidatar a vereador. A polícia investiga se a guerra entre milícias e a intenção da candidatura explicam o homicídio

Envolvido com a milícia, foi morto na porta de casa no dia 2 de julho. Seria candidato a vereador pelo PSL. A polícia apura a conexão com a morte de Leandrinho de Xerém

Líder comunitária, se indispôs com traficantes que tentavam se instalar na região da Barbuda, em Magé. Filiada ao DEM, pretendia concorrer a uma vaga na Câmara Municipal

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu a presença das Forças Armadas durante a campanha. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidirá se envia o pedido ao Ministério da Defesa. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a possível conotação eleitoral nos crimes.

— É uma oportunidade de aproveitar que as Forças Armadas já estarão no Rio para a Olimpíada. O que não pode acontecer é o direito ao voto ser restringido — diz o procurador regional eleitoral do Rio, Sidney Madruga.

A juíza Daniela Assumpção, que atua na 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias e foi responsável por fiscalizar a propaganda eleitoral em 2014, afirma que a situação é “muito preocupante”.

— Esses casos de assassinatos aumentam muito a insegurança da população. Como fica o cidadão na hora do voto depois que vê uma liderança local ligada a uma milícia ser morta na porta de casa, à luz do dia? — questiona.

Sérgio da Conceição de Almeida Júnior, o Berém do Pilar, foi executado ao chegar em casa, em Caxias, com tiros de fuzil. Filiado ao PSL, seria candidato e vereador em outubro e, segundo a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), era ligado à milícia. Nas redes sociais, aparecia como benfeitor: dava presentes às crianças e promovia eventos. Depois da morte, um de seus admiradores fez um questionamento: “Pronto, ondas de assaltos nas ruas do bairro, início de uma era sem lei. Antes tínhamos alguém que zelava pela comunidade e nos ajudava bastante. Espero que as autoridades tomem providências por nossa comunidade, porque agora será bem mais difícil”.

A Polícia Civil apura a conexão entre as mortes de Berém e Leandro da Silva Lopes, o Leandrinho de Xerém, também apontado como integrante de milícia. A investigação trabalha com as hipóteses de que os crimes tenham relação com guerras entre grupos criminosos e disputas de territórios em virtude das prováveis candidaturas — Leandrinho era filiado ao PSDB e pretendia ser vereador. Outra execução em Caxias, a de Denivaldo Silva, também é investigada, já que os três se conheciam e há a suspeita de que pertenciam ao mesmo grupo. Nesse caso, o componente político está descartado: Denivaldo não tinha filiação partidária, e familiares negaram que tivesse intenção de se candidatar.

— São casos de execução sumária, com utilização de armas de uso restrito e do mesmo calibre — diz o delegado Giniton Lages, titular da DHBF, frisando que nem todos os crimes na Baixada estão conectados: — Não há um matador em série atuando contra os políticos.

A lista de homicídios inclui dois líderes comunitários que se candidatariam a vereador. Anderson Gomes Vieira, o Anderson Soró, morto em Nova Iguaçu, e Aga Lopes Pinheiro, assassinada em Magé. Nesses casos, a suspeita é que o tráfico, incomodado com a liderança das vítimas, seja responsável pelas mortes. Filho de Soró, o adolescente de 15 anos não entende o que aconteceu naquela manhã em que o pai chegava para trabalhar.

— Meu pai não tinha inimigos — afirma.

A polícia também apura se uma questão de política local levou à morte do vereador de Seropédica Luciano Nascimento Batista (PCdoB), o Luciano DJ. Ligado à milícia, tinha uma relação conturbada com integrantes do Executivo. Em outros casos, a polícia descartou a hipótese de crime político: o ex-vereador e pré-candidato Darlei Gonçalves Braga foi vítima de um crime passional em Paracambi; Nelson Gomes de Souza, o Nelson Lilinho, pré-candidato a vereador pelo PMN, foi assassinado numa briga de trânsito em São João de Meriti; Manoel Primo Lisboa, morto em Nova Iguaçu, não era filiado a partido; já o vereador de Paracambi Marco Aurélio Lopes (PP), policial militar, foi morto por traficantes da área onde morava.

VIÚVA TEME QUE MORTE VIRE SÓ ESTATÍSTICA

Eram 21h30m do dia 13 de janeiro quando a universitária Thais Gerpe ligou para o celular do marido, o vereador Geraldo Cardoso Gerpe (PSB), o Geraldão. “Vem porque eu comprei aquele macarrão que você gosta”, disse. Cinco minutos depois, ela voltou a ligar. Geraldo não atendeu mais. Foi assassinado com dois tiros, quando entrava no carro, no estacionamento da Câmara Municipal de Magé. Não havia seguranças no local ou câmeras internas que pudessem ter registrado as imagens do crime. O portão do estacionamento estava aberto, e as luzes, apagadas. Thais ainda não teve notícias sobre a autoria do crime:

— Infelizmente, acho que virou estatística.

O vereador havia sido secretário de Ordem Pública na gestão do prefeito Nestor Vidal (PMDB), mas voltou à Câmara e passou a investigar o ex-aliado. O objetivo da comissão era apurar irregularidades na folha de pagamento, ligadas a funcionários fantasmas. Vidal foi cassado em abril, acusado de fraudar um contrato com uma clínica da qual ele tinha sido sócio. A DHBF suspeita que Geraldão, com passagem na polícia por estelionato, tenha recebido propina durante as investigações e apura a participação de políticos locais no crime. Quando foi morto, o vereador se preparava para mais uma campanha. Thais queria que ele seguisse na política, mas o marido tinha em mente que, se fosse eleito, aquele seria seu último mandato:

— Ele queria montar um restaurante e uma pousada em Búzios. Adorava aquela cidade.

 

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