12/10/2015

11:49

Por: Alberto Silva

Dilma teme que Eduardo Cunha, acuado, aceite pedido de impeachment

A presidenta Dilma Rousseff avalia que o movimento pró-impeachment, definido por ela como um “golpe”, poderá ganhar fôlego a partir desta semana. Em reunião ministerial realizada no sábado no Palácio da Alvorada, após viagem oficial à Colômbia, a chefe do Executivo admitiu temer um “comportamento desesperado” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acuado por denúncias de que mantém contas secretas na Suíça, abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras.

“Embora nao exista qualquer acusação frontal à presidenta da República, Cunha pode se tornar uma fera ferida e aceitar um pedido de impeachment”, concordou um participante do encontro. “O quadro é imprevisível.”
Antes das novas denúncias contra Cunha, o governo avaliava que, sem conseguir recompor o bloco aliado no

Congresso Nacional mesmo após a reforma ministerial, teria no máximo 70 dias para estancar a crise política. E apesar de a votação do parecer negativo do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o balanço de 2014 estar prevista somente para o ano que vem, Dilma corre contra o tempo para soldar a base de apoio, desarmar a oposição e barrar as tentativas de impeachment.

Tensão

Um dos ministros presentes ao encontro estimou que o fato de Cunha estar sob fogo cruzado pode favorecer Dilma, mas o Palácio do Planalto não aposta todas as suas fichas nesse cenário. A ordem é fazer acenos a Cunha, reforçar laços com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e investir na Comissão Mista de Orçamento, para onde seguirá o relatório do TCU.

Não faltam defensores até mesmo de um acordo político para salvar o mandato de Cunha, que perderá o foro privilegiado se for cassado, podendo inclusive ser preso. “Não se pode pensar em qualquer operação política na Câmara sem colocar Cunha no jogo”, alertou o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). (AE)

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