08/12/2015

22:03

Por: Alberto Silva

Dilma já pode começar arrumar as malas, oposição vai ditar as regras do seu impeachment

ASSISTA COMO FOI … Depois de muita confusão, quebra de urnas e embate físico entre deputados, o plenário da Câmara aplicou na noite desta terça-feira (8) uma derrota ao governo e aprovou uma chapa majoritariamente contrária a Dilma Rousseff para compor a comissão especial que irá analisar o pedido de impeachment da presidente da República.

A chapa oposicionista foi aprovada por 272 votos contra 199 de deputados que optaram pela composição governista, com integrantes indicados pelos principais líderes de partidos aliados a Dilma.

Com isso, caso não haja nenhuma decisão do Supremo Tribunal Federal no sentido de anular a votação (o PT falou que vai recorrer à Corte), a comissão especial que analisará o pedido de impedimento de Dilma terá pelo menos 39 de seus 65 integrantes já manifestamente favoráveis ao impeachment.

Os outros 26 nomes serão eleitos nesta quarta (9), por indicação dos partidos derrotados nesta terça, entre eles o PT.

A votação desta terça representa um duro golpe no governo, já que mostra que a maioria do plenário quer a saída da presidente Dilma do cargo.

Mas além de a votação secreta dar margem a traições que podem não se repetir em uma votação aberta, a oposição e os dissidentes precisam de mais 70 votos para conseguir o mínimo necessário (342) para abrir o processo de impeachment e afastar a petista.

RELÂMPAGO

Desafeto do governo e responsável por deflagrar o processo, Cunha iniciou rapidamente a votação, sem aceitar questionamentos dos governistas pelo fato de ter decidido pelo escrutínio secreto.

Partidários de Dilma ingressaram no Supremo Tribunal Federal para questionar o sigilo definido por Cunha e queriam que o presidente da Câmara esperasse uma definição da corte.

Com a recusa do peemedebista, deputados do PT e de partidos aliados se colocaram então em frente às 14 cabines instaladas no plenário para tentar evitar que os demais deputados votassem. Isso causou um grande tumulto no plenário, com quebra de urnas e embate físico entre deputados.

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) trocou ofensas com Jorge Solla (PT-BA), que obstruía a entrada de uma das urnas. José Carlos Aleluia (DEM-BA) tentou entrar a força em uma das cabines, mas não conseguiu.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) foi tirado a força por oposicionistas de dentro de uma delas.

A sessão chegou a ser suspensa por Cunha, mas foi retomada minutos depois. O governo e o PT novamente acusaram Cunha de manobrar para aprovar o impeachment de Dilma.

A comissão especial deve ser instalada na próxima semana. Caso não haja interferência do STF, seu presidente e relator devem ser contrários a Dilma. O prazo para que o plenário da Câmara decida sobre se abre ou não o processo de impeachment se encerrará em janeiro, caso o Congresso suspenda o recesso, ou em fevereiro ou março, caso os parlamentares decidam entrar de férias a partir do próximo dia 23.

CHAPAS

Governistas disputavam com uma chapa com 47 nomes. A oposição e dissidentes da base reuniram 39 deputados.

O receio do Palácio do Planalto era que, em uma escolha secreta, a chapa oposicionista fosse eleita, o que acabou ocorrendo. Isso pode significar uma ameaça a Dilma Rousseff, já que a maioria dos integrantes do grupo vencedor é favorável ao afastamento da presidente.

Sob o mote “Unindo o Brasil”, a chapa da oposição e dos dissidentes reuniu 13 partidos –incluindo os dissidentes do PMDB de Michel Temer, que está rachado entre apoiar a petista e engrossar o “fora Dilma”.

Eleita a comissão, será realizada a sessão de instalação para eleição do presidente e do relator, ainda sem data marcada. Essa comissão apresentará um parecer pelo arquivamento do pedido ou pela abertura do processo de impeachment de Dilma.

Caso pelo menos 342 dos 512 deputados federais (o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não vota) decida pela abertura do processo, o Senado o instala e Dilma é afastada. A conclusão desta análise pela Câmara deverá ser encerrada em janeiro, caso o Congresso suspenda o recesso, ou em fevereiro ou março, caso os congressistas entrem de férias a partir do dia 23.

Veja abaixo os integrantes das duas chapas.

*

OPOSIÇÃO

Confira os integrantes da chapa “Unindo o Brasil”, da oposição e de dissidentes da base governista, que venceu a eleição

PSDB

  • Carlos Sampaio (SP)
  • Bruno Covas (SP)
  • Nilson Leitão (MT)
  • Valdir Rossoni (PR)
  • Shéridan Oliveira (RR)
  • Paulo Abi-Ackel (MG)

DEM

  • Mendonça Filho (PE)
  • Rodrigo Maia (RJ)

PPS

  • Alex Manente (SP)

PSB

  • Fernando Coelho (PE)
  • Bebeto Galvão (BA)
  • Danilo Forte (CE)
  • Tadeu Alencar (PE)

PSD

  • Sóstenes Cavalcante (RJ)
  • Evandro Roman (PR)
  • João Rodrigues (SC)
  • Delegado Éder Mauro (PA)

PMB

  • Major Olimpio (SP)

PMDB

  • Osmar Terra (RS)
  • Lúcio Vieira Lima (BA)
  • Lelo Coimbra (ES)
  • Carlos Marun (MS)
  • Manoel Júnior (PB)
  • Osmar Serraglio (PR)
  • Mauro Mariani (SC)
  • Flaviano Melo (AC)

PEN

  • André Fufuca (MA)

PHC

  • Kaio Maniçoba (PE)

PP

  • Jair Bolsonaro (RJ)
  • Jerônimo Goergen (RS)
  • Odelmo Leão (MG)
  • Luís Carlos Heinze (RS)

SOLIDARIEDADE

  • Paulinho da Força (SP)
  • Fernando Francischini (PR)

PTB

  • Benito Gama (BA)
  • Ronaldo Nogueira (RS)
  • Sérgio Moraes (RS)

PSC

  • Eduardo Bolsonaro (SP)
  • Marco Feliciano (SP)

*

GOVERNISTAS

Confira a chapa que perdeu a eleição

PT

  • Arlindo Chinaglia (SP)
  • Henrique Fontana (RS)
  • José Guimarães (CE)
  • José Mentor (SP)
  • Paulo Teixeira (SP)
  • Sibá Machado (SP)
  • Vicente Cândido (SP)
  • Wadih Damous (RJ)

PMDB

  • Celso Maldaner (SC)
  • Daniel Vilela (GO)
  • Hildo Rocha (MA)
  • João Arruda (PR)
  • José Priante (PA)
  • Leonardo Picciani (RJ)
  • Rodrigo Pacheco (MG)
  • Washington Reis (RJ)

PTB

  • Cristiane Brasil (RJ)
  • Pedro Fernandes (MA)
  • Zeca Cavalcanti (PE)

PP

  • Eduardo da Fonte (PE)
  • Fernando Monteiro (PE)
  • Iracema Portella (PI)
  • Roberto Britto (BA)

PMN

  • Antônio Jácome (RN)

PTN

  • João Bacelar (BA)

PRB

  • Jhonatan de Jesus (RR)
  • Vinicius Carvalho (SP)

PEN

  • Junior Marreca (MA)

PR

  • Aelton Freitas (MG)
  • Lúcio Vale (PA)
  • Marcio Alvino (SP)
  • Maurício Quintella (AL)

PSD

  • Diego Andrade (MG)
  • Irajá Abreu (TO)
  • Júlio César (PI)
  • Paulo Magalhães (BA)

PROS

  • Givaldo Carimbão (AL)
  • Hugo Leal (RJ)

PV

  • Sarney Filho (MA)

PDT

  • Afonso Motta (RS)
  • Dagoberto (MS)

PSOL

  • Ivan Valente (SP)

PCdoB

  • Jandira Feghalli (RJ)

PTC

  • Uldurico Júnior (BA)

PTdoB

  • Sílvio Costa (PE)

PMB

  • Valtenir Pereira (MT)

REDE

  • Alessandro Molon (RJ)
Gustavo Uribe/Folhapress
Urna de votação da Câmara dos Deputados que foi quebrada durante confusão
Urna de votação da Câmara dos Deputados que foi quebrada durante confusão

(Via Folha, FOlhaPress e agências)

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