29/07/2015

13:22

Por: Alberto Silva

Cúpula do PSDB irá convocar a nação para manifesto do dia 16 de agosto em rede nacional

O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), disse nesta segunda-feira que "na próxima semana, o PSDB começa a veicular inserções de 30 segundos convocando 'os indignados' com a crise a participar da manifestação nacional marcada pelos movimentos de rua, para o dia 16 de agosto". O ato organizado por movimentos golpistas pedirá o impeachment da presidente Dilma Rousseff nas ruas, como já fez em outras ocasiões. Aécio, que chegou a ser chamado de traidor por esses ativistas nas outras manifestações, em que não esteve presente, desta vez entrou de cabeça na causa.

PSDB vai utilizar 30 segundos de programa nos dias permitidos em rede nacional para convocar na nação para protesto e o Impeachment da Presidente Dilma. O tucano também malhou a iniciativa da presidente Dilma Rousseff de querer realizar uma reunião com os governadores para propor um pacto da governabilidade e discutir o projeto de reforma do ICMS. Para o tucano, se Dilma não conseguir levar o seu mandato até o fim, a culpa é dela própria, e não da oposição. Segundo Aécio, a ideia é uma tentativa de “dividir a crise” e constranger os governadores ao obrigá-los a participar do encontro, previsto para a próxima quinta-feira em Brasília.

“O constrangimento chega ao inimaginável de ameaças veladas e de trazer a Brasília os governadores para dar apoio a presidente Dilma para tirar uma fotografia e simular apoio por uma coisa com a qual não tem nada a ver. Essa reunião é uma busca de socorro de alguém que quer que lhe joguem uma boia salva-vidas. O que a presidente tem é de fazer um mea-culpa para ver se recupera um pouco da credibilidade que ainda lhe resta”, disparou.

O parlamentar negou que o PSDB esteja dividido em relação às ações a serem tomadas para tentar tirar a presidente do poder, como o impeachment, a cassação do diploma da chapa de Dilma e do vice, Michel Temer (PMDB), ou ainda deixá-la completar o mandato até o fim, em 2018, discurso disseminado por tucanos mais moderados, como os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Marconi Perillo (Goiás) e Simão Jatene (Pará).

Segundo Aécio, no entanto, o que se fala hoje nos botecos e nas esquinas é apenas um assunto: não se sabe se Dilma ficará no cargo até o fim deste ano. Sobre o projeto de assumir a presidência, assegurou que “se um dia tiver a oportunidade de ser presidente da República, será unicamente pelo caminho do voto, não por outra saída qualquer”.

O presidente do PSDB também criticou a suposta tentativa do governo e do PT, por meio do ex-presidente Lula, segundo noticiou a Folha, de se aproximar da oposição, e disseminou o discurso feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no fim de semana. “Fernando Henrique deu o tom certo: quem pariu Mateus que o embale. Não nos culpem. A instabilidade que atravessam é obra desse governo. Isso não é mais um governo. É um arremedo de governo e o desfecho da presidente Dilma é responsabilidade exclusiva dela, não das oposições”, afirmou. Ele também descartou qualquer possibilidade de diálogo: “Não se conversa com quem não se confia. E nós não confiamos no PT”.

“O que vai acontecer depende mais do governo e do PT do que dos partidos de oposição. O que queremos é que as instituições funcionem e façam o seu trabalho. Eu digo uma coisa: se um dia eu tiver a oportunidade de ser presidente da República, será unicamente pelo caminho do voto, não por outra saída qualquer. Mesmo porque ninguém conseguirá enfrentar a profunda crise que atravessamos, se não for legitimado pelo voto. Para nós o calendário de 2018 sempre foi o mais adequado, mas a presidente Dilma só agrava a situação a cada dia, o que deixa a incerteza de cumprir seu mandato até o final”, afirmou.

 
CRISE DE CONFIANÇA

Aécio afirmou ainda que o governo passa por uma “grave crise de confiança” e que Dilma precisa admitir que mentiu durante a campanha eleitoral de 2014 e que errou na condução da política macroeconômica do país para reconquistar a credibilidade do seu governo.

O tucano criticou também a estratégia de reunir os governadores do país com a presidente para discutir pautas federativas como uma tentativa de Dilma de demonstrar que tem apoio. Para ele, o encontro soa como um “pedido de socorro”.

“O encontro de governadores com o presidente da República é natural em qualquer democracia. É absolutamente republicano. Mas tentar cooptar setores da oposição, na verdade, é uma demonstração muito clara da fragilidade do governo e será absolutamente inócua”, disse.

A intenção do governo era convidar também governadores da oposição para participarem de uma reunião que estava sendo articulada para acontecer na próxima quinta-feira (30), em Brasília. O encontro seria uma tentativa de selar uma espécie de “pacto pela governabilidade”.

A petista já avalia, no entanto, dividir o encontro em viagens pelo país. Segundo o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), a dinâmica pode tornar o diálogo entre os Estados e o governo federal mais eficaz, já que cada região tem seus interesses e demandas específicas.

Não vou recomendar que os governadores deixem de aceitar um convite da presidente. Os governadores terão toda a liberdade para ir. O que o PSDB não está disposto é ajudar a salvar, e vou repetir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aquilo que não deve ser salvo”, disse. Para Aécio, Dilma constrange os governadores com o convite e diz que a reunião é desnecessária.

PEDALADAS

O tucano criticou também a condução que o governo tem dado em relação à análise das contas de 2014 que será feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Ele afirma que o Planalto exige uma decisão técnica mas faz gestões políticas junto à Corte.

Na semana passada, a equipe de Dilma entregou ao TCU a defesa do governo em relação às contas de 2014, inclusive no que diz respeito às chamadas “pedaladas fiscais”. Por meio das manobras, o governo usou bancos públicos, como a Caixa, para pagar benefícios sociais como Bolsa Família e seguro-desemprego em momentos de falta de recursos no Tesouro Nacional.

“Uma coisa são atrasos eventuais nos pagamentos. Mas ter como estratégia planejada transferir as responsabilidades do Tesouro para as instituições financeiras, você registrar isso como créditos a receber do governo, e isso ficar lá permanente, isso é lesar o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse.

Para Aécio, a defesa do governo em relação às pedaladas fiscais se assemelha aos argumentos usados pelos petistas na defesa da Petrobras. “Eles dizem que, se outros já roubaram antes, então nós também podemos roubar. E aí institucionalizam a corrupção”, afirmou.

Após a decisão do TCU, seja ela pela aprovação ou rejeição, as contas serão analisadas pelo Congresso. No entanto, desde 1983, os congressistas não analisam contas do governo. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já organizou as contas pendentes e promete colocar algumas em votação na primeira semana de agosto, quando acaba o recesso parlamentar.

Há, no entanto, uma possibilidade de que as contas de 2014 sejam votadas antes das demais. Regimentalmente, os partidos podem pedir a inversão da pauta de votação para votá-la antes das demais. Especula-se que, se isso acontecer, as demais contas podem continuar esquecidas.

Para Aécio, a inversão da pauta não representará nenhum problema mas defendeu que o ideal é que o Congresso vote todas as contas pendentes. “Não vejo que há polêmica nas contas passadas”, disse.

Caso haja a rejeição do balanço contábil de 2014, setores contrários ao governo poderão usar a decisão para pedir o impeachment de Dilma. Aécio, no entanto, afirmou que não acredita neste caminho e espera chegar ao comando do país “pelas urnas”. “O que vai acontecer com a presidente depende mais dela do que da oposição. […] Quando eu tiver a oportunidade de ser presidente, isso acontecerá pelo voto. Para nós, o calendário de 2018 sempre foi o calendário normal”, disse.

Artigo original no Portal Metrópole

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