27/01/2016

10:38

Por: Alberto Silva

Urgente – PF realiza 22º operação da Lava-Jato, uma varredura em várias cidades do Brasil

A Polícia Federal iniciou na manhã desta quarta-feira (27) mais uma fase da Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras.

A 22ª fase da operação tem como foco a empresa offshore Murray, sediada no Panamá, que detém a propriedade de um triplex em um edifício cujo projeto era da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo) na praia de Astúrias, no Guarujá.

É o mesmo condomínio que a construtora OAS havia reservado um triplex para a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula.

Batizada de “Triplo X”, essa etapa apura suspeitas de corrupção, fraude, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros.

A Folha apurou que essa fase da operação mira negócios da Bancoop. O objetivo é descobrir se a offshore foi utilizada pela OAS para lavagem de dinheiro.

Estão sendo cumpridos seis mandados de prisão, dois de condução coercitiva e 15 de busca e apreensão. Os presos serão levados para a Superintendência da PF no Paraná.

As diligências ocorrem nas cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo e Joaçaba (SC).

VACCARI NETO

Os alvos são investigados que abriram empresas offshore e contas no exterior, além de terem ocultado patrimônio por intermédio de um empreendimento imobiliário.

O principal alvo dos mandados de prisão é a publicitária Nelci Warken, que já prestou serviços na área de marketing para a Bancoop. A suspeita é a de que ela tenha ligação com a offshore. Também são procurados parentes de Warken e representantes da empresa que cuidou da abertura da Murray.

A suspeita da força-tarefa da Lava Jato é que Warken tenha usado a estrutura da empresa sediada no Panamá para ocultar patrimônio e lavar dinheiro em favor do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e da cunhada dele, Marice Correa de Lima.

BANCOOP

Além dos procuradores da Lava Jato, a Promotoria de Justiça de São Paulo também apura os negócios da Bancoop.

O ex-presidente Lula é alvo de investigação sobre a legalidade da transferência de empreendimentos da cooperativa habitacional para a OAS em 2009.

A Promotoria apura também se a empreiteira usou apartamentos do prédio, localizado na praia de Astúrias, no Guarujá (SP), para lavar dinheiro ou beneficiar pessoas indevidamente.

A empreiteira OAS, que teve alguns de seus executivos condenados em uma sentença da Operação Lava Jato, pagou por reformas feitas em 2014 no triplex reservado à família de Lula. As modificações incluem a instalação de um elevador privativo.

Lula adquiriu em 2005 com sua mulher, Marisa Letícia, uma cota de participação da Bancoop, quitada em 2010, referente ao imóvel na planta.

Em 2009, o empreendimento foi assumido pela construtora OAS, que terminou a construção do edifício.

Ao disputar a reeleição em 2006, Lula informou à Justiça Eleitoral ter pago à Bancoop R$ 47.695,38 pelo apartamento. Corretores locais dizem que o imóvel vale R$ 1,5 milhão.

ENTENDA A LAVA JATO

A Operação Lava Jato é a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país.

Nos processos em andamento na Justiça, o Ministério Público Federal estima que R$ 2,1 bilhões foram desviados dos cofres da Petrobras, mas é possível que o valor do prejuízo seja muito maior.

No balanço de 2014, publicado com atraso em maio deste ano, a Petrobras estimou em R$ 6,1 bilhões as perdas provocadas pela corrupção. Para fazer essa estimativa, a estatal examinou todos os contratos com as empresas sob investigação e aplicou sobre o seu valor o porcentual de 3% indicado por Paulo Roberto Costa como a propina cobrada em sua área.

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