08/07/2016

09:01

Por: Alberto Silva

Polícia mata dois negros, e cinco agentes são mortos no Texas, EUA e o drama das armas de fogo…

Três pessoas estão sob custódia das autoridades após a emboscada contra os oficiais, tida pela polícia como cuidadosamente planejada e executada.

Atiradores alvejaram um batalhão da polícia que acompanhava uma manifestação em Dallas (Texas), na noite de quinta-feira (7), matando cinco oficiais e ferindo outros seis.

O protesto no Texas, que começou e permaneceu pacífico por duas horas, com cerca de 800 pessoas, foi um dos vários que explodiram em várias cidades dos EUA após a morte de dois homens negros por policiais brancos nesta semana.

Três pessoas estão sob custódia das autoridades após a emboscada contra os oficiais, tida pela polícia como cuidadosamente planejada e executada.

Esta quinta (7) foi o dia mais mortal para autoridades americanas desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, segundo uma entidade americana que contabiliza mortes de policiais e outras autoridades. Nos ataques de 2001, 72 oficiais foram mortos, diz a entidade.

Um quarto suspeito trocou tiros com a polícia e negociou com as autoridades durante a madrugada em uma garagem. O suspeito alertou sobre possíveis bombas espalhadas pela cidade —não encontradas em varredura feita pela polícia.

Um dos mortos no tiroteio foi identificado como Brent Thompson, 43, integrante do departamento de polícia do Dart (agência do trânsito da cidade) desde 2009.

Esta quinta (7) foi o dia mais mortal para autoridades americanas desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, segundo uma entidade americana que contabiliza mortes de policiais e outras autoridades. Nos ataques de 2001, 72 oficiais foram mortos, diz a entidade.

Dos onze policiais atingidos, dez foram baleados durante os protestos, segundo o chefe de polícia de Dallas, David Brown. O outro foi ferido durante o tiroteio, na garagem, com o suspeito de participar da ação.

Ainda não está claro se os atiradores foram motivados pela tensão racial que se elevou no país após as mortes de dois negros por policiais nos últimos dias ou se eles teriam aproveitado os protestos para uma ação terrorista.

Pouco antes da ação dos atiradores, o protesto havia passado pelo praça onde o presidente John Kennedy foi assassinado em 1963, e onde hoje há um memorial em sua homenagem.

MORTES POR POLICIAIS

A morte de Philando Castile, 32, e Alton Sterling, 37, foi o gatilho para uma série de protestos, em sua maioria pacíficos.

Castile geme de dor, a camisa branca ensopada de sangue. O policial que atirou nele ainda aponta a arma pela janela do carro.

Sua namorada, Diamond Reynolds, transmitiu a agonia em tempo real, via streaming no Facebook, a partir de Falcon Heights, em Minnesota, na quarta (6).

No vídeo, a filha de 4 anos chora no banco de trás, e a mãe questiona: “Você disparou quatro balas, senhor. Ele só estava pegando sua carteira de motorista”.

Um garoto de 15 anos, um dos cinco filhos de Sterling, chora ao lado da mãe, que fala à imprensa sobre a morte do ex-companheiro.

Na terça (5), Sterling foi imobilizado, com o rosto no chão, em frente ao posto de conveniência onde vendia CDs em Baton Rouge, Louisiana. Após gritar “arma!” (que supostamente estaria no bolso do suspeito), o policial atirou várias vezes. Não prestou socorro imediato, conforme imagens registradas por celulares.

Sterling e Castile se tornaram os 122º e 123º negros mortos pela polícia americana em 2016, segundo banco de dados do “Washington Post”.

O número representa 24% de 509 vítimas. Os afroamericanos somam 13% da população americana, segundo o censo.

As mortes reaqueceram o debate sobre racismo e violência policial nos EUA.

O presidente Barack Obama disse que não as vê como “incidentes isolados” e que “todos os americanos deveriam estar profundamente perturbados” por elas.

O governador de Minnesota, Mark Dayton, afirmou que ninguém deveria morrer por causa de uma lanterna quebrada (o que levou Castile a ser parado pela polícia, segundo a namorada).

“Isso teria acontecido se passageiro ou motorista fossem brancos? Não creio”, disse o governador, que pediu investigação federal.

VIRAL

Em outro vídeo, Diamond explica por que exibiu ao vivo a morte do namorado: “Quis que viralizasse. A polícia não está aqui para nos proteger, mas para nos assassinar”.

“Em vez de cair num padrão previsível de divisão e politização do caso, vamos refletir sobre como podemos melhorar”, afirmou Obama, o primeiro negro de 44 ocupantes da Casa Branca, horas antes do ataque no Texas.

O problema é que os EUA vêm refletindo há anos, sem que episódios semelhantes deixem de emergir, diz à Folha Eddie Glaude Jr., autor de “Democracy in Black”.

“É a contradição fundamental no coração da América. Não importa o quão comprometidos dizemos ser com a democracia, neste país a vida branca tem mais valor. A qualquer momento alguém pode respirar pela última vez pelo único motivo de ser negro.”

Como o era Michael Brown, 18, suspeito de roubar um pacote de cigarros em 2014 que foi morto por um oficial branco. O caso deslanchou semanas de protestos (alguns violentos) em Ferguson. A cidade no Missouri é 67% negra, e só três de seus 53 policiais não eram brancos à época.

“Em tempos como estes devemos lembrar a importância de unir as Américas”, afirmou o governador do Texas, Greg Abbott, sobre a morte dos agentes.

A Polícia de Dallas na internet divulgou a foto de um suspeito, um homem negro de camisa militar.

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