11/02/2016

16:59

Por: Alberto Silva

Pode acreditar, até os filmes brasileiros quem paga é você e são milhões investidos nisso, sai de seu bolso!

Prestes a completar 120 anos ainda em 2016, a história do cinema brasileiro é marcada por altos e baixos, variando ao sabor da política. Desde os primórdios, a relação entre o setor privado e o governo tem se mostrado crucial para a existência do setor.

O DINHEIRO SAI DO SEU BOLSO – BRASILEIRO. Nos dias atuais, onde dispõe de uma agência reguladora própria, a ANCINE, cujo orçamento supera em 2 vezes o de agências como a ANP, a agência responsável por fiscalizar a produção e distribuição de petróleo e combustíveis em todo o país, o cinema nacional parece viver uma nova onda, liderada por comédias com atores globais e uma nova enxurrada de recursos públicos.

Sem poder contar com recursos da Lei Rouanet – a Lei de Incentivo à Cultura, que distribui anualmente R$ 1,3 bilhão em renúncia fiscal e é proibida de financiar filmes de ficção – os cerca de 120 filmes lançados anualmente no país poderiam julgar-se desprotegidos ou preteridos no que se refere ao “fomento cultural”, não fosse a grande disposição do governo em elevar a produção cinematográfica nacional.

Criada em 2001, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) é a última de uma longa lista de órgãos e empresas criadas pelo governo brasileiro para incentivar a produção de filmes nacionais. Desde a primeira destas agências – o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), no governo Vargas – foram ao menos outras três, com a Embrafilmes, criada em 1969 no governo militar e extinta em 1990, durante o governo Collor, como a mais conhecida delas. A extinção da “muleta” estatal fez com que o cinema mergulhasse em uma crise profunda. Em 1992, por exemplo, o único longa brasileiro a estrear foi o filme “A grande arte”, falado em inglês e produzido pelo cineasta (e bilionário) Walter Salles, herdeiro do Unibanco.

Mas a coisa viria a mudar poucos anos depois. E o seu bolso voltaria a ser a maior estrela dessa empreitada

Com 155,5 milhões de expectadores e um faturamento superior a R$ 1,9 bilhão em 2014, o cinema no Brasil integra o time dos dez maiores mercados do mundo na área. A notícia, entretanto, não é tão boa quando o assunto são os filmes nacionais. Apenas 12,2% dos expectadores que frequentam os cinemas brasileiros o fazem para assistir algum filme nacional. Juntos, eles geram uma receita de R$ 221,8 milhões (11,3%) para os 114 filmes lançados em 2014.

Quando analisada mais de perto, a situação é ainda mais complicada. Dentre os 43 filmes com público superior a 1 milhão de pessoas em 2014, apenas 6 foram brasileiros. O filme sobre o Brasil mais visto naquele ano? Rio 2, da Fox. A animação americana levou ao cinema 5,2 milhões de expectadores – mais que o dobro dos 2,2 milhões de “O candidato honesto”, com Leandro Hassum, o filme brasileiro mais visto no ano e o 23º dentre os 387 filmes lançados no país. Em 2015, a situação foi um pouco melhor. Dentre as 20 maiores bilheterias, nada menos do que três eram de filmes nacionais – todas comédias que juntas responderam por 43% do público que foi ao cinema acompanhar as 128 produções nacionais lançadas em 2015.

Longe desse tipo de obra, há pouco o que se destacar. Em 2011, o filme “Tropa de Elite 2”, que custou R$ 7 milhões, arrecadou R$ 103 milhões, ou 45,7% do faturamento total do cinema nacional naquele ano. Uma exceção.

Se a situação é complicada hoje, olhar para o passado talvez anime. A despeito da renda total detida pelas produtoras brasileiras ter saído de 9,6% em 2008 para 11,3% em 2014, o número de expectadores totais cresceu de 89 para os atuais 155 milhões no período. O público brasileiro segue frequentando mais os cinemas. Pouco, porém, com intuito de ver obras nacionais.

Cauã Reymond, que aparece no vídeo acima fazendo propaganda para a ANCINE, disse recentemente que o cinema brasileiro deveria se desvincular dos incentivos do governo. Na prática, escassos diretores e atores assumem publicamente essa posição – boa parte deles, inclusive, defendem o partido do governo. E as razões são fáceis de entender.

A despeito dos resultados pouco significativos, o cinema nacional segue sendo uma prioridade para o governo. Entre 2005 e 2015, a Agência Nacional de Cinema viu seu orçamento saltar de inexpressivos R$ 19,1 milhões para R$ 662,7 milhões, nada menos do que 3484% de crescimento em uma década. Os produtores nacionais ainda podem contar com apoio da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, ambos responsáveis por aportar recursos nas produções nacionais.

O aumento de verbas da agência, que pouco contribuiu para o aumento do número de obras lançadas (que saiu de 79 em 2008 para 128 em 2015), também pouco impactou na criação de novas salas, outra das missões da agência. Enquanto o país dispunha de 816 complexos de exibição com 2278 salas em 2008, passou a contar com 746 locais de exibição e 2833 salas em 2014.

Para financiar suas operações, a agência dispõe de fontes diversas. A mais conhecida delas é o Condencine. A agência dispõe ainda de parte dos recursos do FISTEL, o fundo de fiscalização do setor de telecomunicações, que recebe contribuições a cada nova linha telefônica criada no país.

A agência, no entanto, não realiza caridade, mas investimentos. O FSA possui como missão incentivar a produção de filmes e com isto obter retorno. Como fica claro, porém, é impossível sustentar uma agência reguladora que sozinha custe três vezes mais do que o faturamento do setor por ela fiscalizado.

Prestes a completar 120 anos ainda em 2016, a história do cinema brasileiro é marcada por altos e baixos, variando ao sabor da política. Desde os primórdios, a relação entre o setor privado e o governo tem se mostrado crucial para a existência do setor. Nos dias atuais, onde dispõe de uma agência reguladora própria, a ANCINE, cujo orçamento supera em 2 vezes o de agências como a ANP, a agência responsável por fiscalizar a produção e distribuição de petróleo e combustíveis em todo o país, o cinema nacional parece viver uma nova onda, liderada por comédias com atores globais e uma nova enxurrada de recursos públicos.

Sem poder contar com recursos da Lei Rouanet – a Lei de Incentivo à Cultura, que distribui anualmente R$ 1,3 bilhão em renúncia fiscal e é proibida de financiar filmes de ficção – os cerca de 120 filmes lançados anualmente no país poderiam julgar-se desprotegidos ou preteridos no que se refere ao “fomento cultural”, não fosse a grande disposição do governo em elevar a produção cinematográfica nacional.

Criada em 2001, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) é a última de uma longa lista de órgãos e empresas criadas pelo governo brasileiro para incentivar a produção de filmes nacionais. Desde a primeira destas agências – o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), no governo Vargas – foram ao menos outras três, com a Embrafilmes, criada em 1969 no governo militar e extinta em 1990, durante o governo Collor, como a mais conhecida delas. A extinção da “muleta” estatal fez com que o cinema mergulhasse em uma crise profunda. Em 1992, por exemplo, o único longa brasileiro a estrear foi o filme “A grande arte”, falado em inglês e produzido pelo cineasta (e bilionário) Walter Salles, herdeiro do Unibanco.

Mas a coisa viria a mudar poucos anos depois. E o seu bolso voltaria a ser a maior estrela dessa empreitada.

Com 155,5 milhões de expectadores e um faturamento superior a R$ 1,9 bilhão em 2014, o cinema no Brasil integra o time dos dez maiores mercados do mundo na área. A notícia, entretanto, não é tão boa quando o assunto são os filmes nacionais. Apenas 12,2% dos expectadores que frequentam os cinemas brasileiros o fazem para assistir algum filme nacional. Juntos, eles geram uma receita de R$ 221,8 milhões (11,3%) para os 114 filmes lançados em 2014.

Quando analisada mais de perto, a situação é ainda mais complicada. Dentre os 43 filmes com público superior a 1 milhão de pessoas em 2014, apenas 6 foram brasileiros. O filme sobre o Brasil mais visto naquele ano? Rio 2, da Fox. A animação americana levou ao cinema 5,2 milhões de expectadores – mais que o dobro dos 2,2 milhões de “O candidato honesto”, com Leandro Hassum, o filme brasileiro mais visto no ano e o 23º dentre os 387 filmes lançados no país. Em 2015, a situação foi um pouco melhor. Dentre as 20 maiores bilheterias, nada menos do que três eram de filmes nacionais – todas comédias que juntas responderam por 43% do público que foi ao cinema acompanhar as 128 produções nacionais lançadas em 2015.

Longe desse tipo de obra, há pouco o que se destacar. Em 2011, o filme “Tropa de Elite 2”, que custou R$ 7 milhões, arrecadou R$ 103 milhões, ou 45,7% do faturamento total do cinema nacional naquele ano. Uma exceção.

Se a situação é complicada hoje, olhar para o passado talvez anime. A despeito da renda total detida pelas produtoras brasileiras ter saído de 9,6% em 2008 para 11,3% em 2014, o número de expectadores totais cresceu de 89 para os atuais 155 milhões no período. O público brasileiro segue frequentando mais os cinemas. Pouco, porém, com intuito de ver obras nacionais.

Cauã Reymond, que aparece no vídeo acima fazendo propaganda para a ANCINE, disse recentemente que o cinema brasileiro deveria se desvincular dos incentivos do governo. Na prática, escassos diretores e atores assumem publicamente essa posição – boa parte deles, inclusive, defendem o partido do governo. E as razões são fáceis de entender.

A despeito dos resultados pouco significativos, o cinema nacional segue sendo uma prioridade para o governo. Entre 2005 e 2015, a Agência Nacional de Cinema viu seu orçamento saltar de inexpressivos R$ 19,1 milhões para R$ 662,7 milhões, nada menos do que 3484% de crescimento em uma década. Os produtores nacionais ainda podem contar com apoio da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, ambos responsáveis por aportar recursos nas produções nacionais.

O aumento de verbas da agência, que pouco contribuiu para o aumento do número de obras lançadas (que saiu de 79 em 2008 para 128 em 2015), também pouco impactou na criação de novas salas, outra das missões da agência. Enquanto o país dispunha de 816 complexos de exibição com 2278 salas em 2008, passou a contar com 746 locais de exibição e 2833 salas em 2014.

Para financiar suas operações, a agência dispõe de fontes diversas. A mais conhecida delas é o Condencine. A agência dispõe ainda de parte dos recursos do FISTEL, o fundo de fiscalização do setor de telecomunicações, que recebe contribuições a cada nova linha telefônica criada no país.

A agência, no entanto, não realiza caridade, mas investimentos. O FSA possui como missão incentivar a produção de filmes e com isto obter retorno. Como fica claro, porém, é impossível sustentar uma agência reguladora que sozinha custe três vezes mais do que o faturamento do setor por ela fiscalizado.

Pouco mais de 1 em cada 7 filmes lançados no país obtém mais com bilheteria do que o custo para serem produzidos. Obras como “Chatô, o rei do Brasil” tornaram-se ícones do baixo retorno no cinema. O filme, que recebeu autorização para captar recursos em 1995 e foi lançada há poucos meses, teria custado R$ 66 milhões aos cofres públicos em valores corrigidos – sem obter um retorno minimamente à altura.

Longe dos extremos, a média do cinema ainda permanece ruim, com mais da metade dos filmes arrecadando menos de 20% dos seus custos em bilheteria. O retorno financeiro do fundo (a parte que em tese não é destinado a ser emprestada a fundo perdido) fica em 35,5%. Em suma, a cada R$ 3 investidos no cinema brasileiro, R$ 2 jamais voltam aos cofres públicos.

A exemplo do que realiza com sua gravadora, a Som Livre, o Grupo Globo também explora mercados complementares, como o cinema, buscando agregar sinergias em torno do seu negócio principal, a Tv Globo. Não à toa, o cinema nacional está repleto de artistas globais. A produtora, que lança uma média de 18 filmes anuais, respondendo por 15% da produção nacional desde que foi lançada em 1998, sabe muito bem como fazer deste aparente mercado improdutivo um grande negócio.

Em 2014, a Globo Filmes esteve envolvida em 19 filmes, com uma bilheteria total de R$ 111 milhões – ou, em outras palavras, em pouco menos da metade de tudo que fatura o cinema brasileiro. A presença do maior grupo de comunicação do país no setor causa certo desconforto a alguns diretores ou mesmo atores. A exemplo do que ocorre na cena musical, acusações de que a emissora privilegia seus próprios artistas em detrimento dos demais ocorrem também no cinema.

Em 2012, o ator Caio Blat denunciou que a produtora realiza uma espécie de triangulação entre as empresas do grupo (assista acima), fazendo com que atores fossem entrevistados em programas da emissora, e com isto ela ganhasse de formas distintas, obtendo lucro, cobrando para entrevistar um ator que estrelasse um filme da Globo Filmes, e utilizando-se dos incentivos fiscais do cinema para girar seu negócio principal, a televisão. O ator, que participou do filme Xingu (uma das 20 obras mais caras do cinema nacional, que arrecadou R$ 9,73 milhões, obtendo um retorno de bilheteria 60% menor do que este), acabou se desculpando com a emissora, alegando que fez declarações em áreas nas quais não possui conhecimento adequado.

Produzir obras com intuito de agradar apenas ao diretor e aos envolvidos na produção não é uma exclusividade do cinema nacional. Recentemente o filme “A Grande Aposta”, que conta com nomes de peso como Brad Pitt e Christian Bale, foi gravado nestas condições. O diretor Adam McKay acabou recebendo do estúdio a aprovação para gravar a obra que lhe interessasse. O filme, porém, com orçamento de US$ 60 milhões, não gerou prejuízo – pelo contrário, faturou mais que o dobro disso e levou cinco indicações ao Oscar. A responsabilidade de retornar o investimento é o que leva os filmes americanos a terem maior compromisso em agradar o público, tornando as obras mais acessíveis. No fim, 155 milhões de ingressos votam, e 88% deles dizem que os burocratas da ANCINE estão errados em suas escolhas.

A informação é do site > http://spotniks.com/

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