15/11/2015

21:29

Por: Alberto Silva

‘França declara guerra’, veja aqui o que já se sabe sobre os ataques terroristas em Paris

A série de ataques que aconteceu em Paris e nos arredores da capital francesa na noite de sexta-feira (13) tem muitas perguntas ainda sem respostas, mas alguns fatos já são conhecidos. Veja o que se sabe até o momento sobre a tragédia.

1. O que aconteceu em Paris?

Uma série de ataques coordenados, com explosões e tiroteios, aconteceu na noite de sexta-feira (13) em ao menos seis diferentes locais de Paris e nas proximidades do estádio nacional, o Stade de France, nos arredores da cidade. O atentado mais grave ocorreu na casa de shows Bataclan, onde cerca de 1.500 pessoas assistiam a um show de rock.

Houve ataques a tiros a clientes de restaurantes e bares nos distritos de número 10 e 11 da capital francesa. Foram registradas duas explosões no estádio nacional durante o amistoso entre França e Alemanha; o presidente francês, François Hollande, estava no estádio.

2. Quem é o responsável pelos ataques?

O presidente francês, François Hollande, afirmou na manhã deste sábado (14) que o grupo radical Estado Islâmico é o culpado pelo “ato de guerra” que matou mais de 129 pessoas em Paris na noite de sexta-feira. Segundo Hollande, este foi um ataque organizado no exterior com ajuda “de dentro da França”.

Também neste sábado, momentos depois, o Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados em série. No comunicado, o grupo jihadista diz que a França é o “principal alvo” do grupo. A nota afirma que a localização dos ataques foi cuidadosamente estudada.

A polícia francesa identificou, por impressões digitais, um extremista francês como um dos autores do atentado ao Bataclan, segundo a imprensa local. O homem de 29 anos já tinha sido fichado pela polícia, mas nunca foi preso. Os outros terroristas ainda não foram identificados.

3. Quantas pessoas foram mortas?

O número pode subir, mas a procuradoria de Paris confirmou oficialmente na noite de sábado (14) 129 mortos e 352 feridos, sendo 99 em situação crítica de saúde. Hospitais em Paris davam atendimento psicológico a testemunhas e parentes de vítimas. Ao menos 53 pessoas socorridas tiveram alta.

Autoridades francesas afirmaram que sete terroristas morreram, mas não descartaram a possibilidade de mais gente envolvida.

4. Quem já foi preso?

A polícia da Bélgica deteve neste domingo (15) pelo menos cinco pessoas durante buscas em Bruxelas por suspeitos de participação ou colaboração com os ataques em Paris. As circunstâncias que motivaram as prisões ainda não foram esclarecidas pelas autoridades.

Na manhã de sábado (14), seis pessoas próximas a um dos autores dos ataques, o francês de origem argelina Osmar Ismail Mostefai, 29, foram detidas na França, entre os quais o pai do terrorista, o irmão dele e a cunhada. “É louco, uma loucura. Eu estava em Paris na noite passada (sexta), eu vi a bagunça que foi”, disse o irmão mais velho de Mostefai à agência de notícias AFP antes de ser preso. Até a noite de domingo (15), o grupo continuava sob custódia.

5. O que já foi apreendido?

Dois carros foram apreendidos na capital francesa, na sexta (13) –um Seat Leon e um Volkswagen Polo, ambos de cor preta. Os veículos tinham placa com identificação belga, o que levou promotores daquele país a participar da investigação, em cooperação com a polícia da França. Em um deles, policiais franceses encontraram vários fuzis AK-47, do mesmo tipo que os utilizados nos ataques em Paris.

Com os corpos de dois homens-bomba do Stade de France, foram encontrados um passaporte sírio e outro egípcio. O detentor do passaporte da Síria passou pela Grécia, onde foi registrado como refugiado, afirmou o governo daquele país, que ainda não pôde revelar seu nome e nacionalidade. As informações são da imprensa francesa e das agências internacionais.

A polícia francesa ainda investiga se os passaportes realmente pertenciam aos suspeitos. Segundo a agência de fronteira europeia Frontex, tornou-se comum o tráfico de pessoas usando documentação síria falsa.

6. Qual foi a motivação dos ataques?

Ao assumir a autoria dos ataques, o Estado Islâmico informou, em comunicado, considerar a França “a capital da abominação e da perversão” e afirmou que “o país e todos aqueles que seguem seu caminho devem saber que permanecem o principal alvo” dos terroristas.

Segundo o grupo jihadista, os atentados são retaliações motivadas pela participação do país europeu na coalizão contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. No Twitter, um militante ligado aos terroristas afirmou que a França “não viverá em paz até que os bombardeios continuem”. “Vocês terão medo até de ir ao mercado”, disse.

7. Quantos brasileiros ficaram feridos?

Três brasileiros foram feridos nos ataques, segundo a cônsul-geral do Brasil na França, Maria Edileuza Fontenele Reis. Não havia risco à vida de nenhum dos três.

Os brasileiros estavam no restaurante Le Petit Cambodge, nas proximidades do Canal Saint-Martin, no 10° distrito da capital, que foi atacado ao mesmo tempo que o bar Le Carillon, bem próximo, onde 15 pessoas morreram.

O arquiteto Gabriel Sepe, 29, levou três tiros e passou por cirurgia. A estudante Camila Issa, 29, levou um tiro de raspão. Diego Mauro, 28, também arquiteto, escapou com alguns arranhões.

8. Como foi o ataque à casa de espetáculos Bataclan?

O show da banda norte-americana Eagles of Death Metal era realizado no Bataclan, em Paris, quando homens armados com fuzis AK-47 invadiram o lugar atirando para todos os lados, segundo testemunhas. Cerca de uma centena de pessoas foram mantidas reféns por cerca de duas horas. A polícia invadiu a casa pouco depois da meia-noite. Segundo informações da procuradoria de Paris, dois homens acionaram seus cintos com explosivos e um terceiro terrorista foi morto pela polícia no local. Somente no Bataclan morreram 89 vítimas.

9. Como foi o ataque ao Stade de France?

O jogo amistoso de futebol entre as seleções da França e da Alemanha estava em andamento quando ocorreram duas explosões perto dos portões, com diferença de um pequeno espaço de tempo da primeira para a segunda, às 21h20. O presidente François Hollande acompanhava a partida no local e foi retirado às pressas para o prédio do Ministério do Interior. Dois homens-bomba e um pedestre morreram.

10. O que houve nos outros alvos dos terroristas?

Foram registrados ataques com armas de fogo em ao menos quatro ruas de Paris, nos distritos de número 10 e 11. Os tiroteios miraram bares e restaurantes com mesas nas calçadas, com grande movimento de clientes. Testemunhas relataram que os atiradores chegaram em carros pretos, fuzilando vítimas nas ruas.

11. Quais medidas de segurança foram tomadas após os ataques?

As fronteiras da França foram fechadas, e o presidente decretou estado de emergência em todo o território francês. As forças militares foram convocadas para reforçar a segurança da região de Paris. Além disso, a polícia de Paris pedia aos moradores da capital que não saíssem de casa e fechou as linhas de metrô.

12. A França sofreu outros ataques recentemente?

Em janeiro de 2015, foram cometidos atentados contra a revista satírica “Charlie Hebdo” e um mercado kosher, ambos na capital francesa, e uma policial foi baleada na região sul parisiense, em ações ocorridas entre os dias 7 e 9 de janeiro, com 17 mortos (12 na revista, quatro no mercado e a policial).

Outros incidentes foram registrados ao longo do ano. Em abril, um estudante argelino foi preso em Paris com armas de guerra. Ele confessou ter planejado ações terroristas, especialmente contra um trem, com o objetivo de “matar 150 infiéis”. Em junho, nas proximidades de Lyon, um homem matou e decapitou o patrão e exibiu bandeiras islâmicas no local do crime.

Em agosto, militares norte-americanos conseguiram evitar que um homem armado fizesse um ataque a um trem que ligava Amsterdã (Holanda) a Paris. (Com agências internacionais e BBC Brasil)

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