19/07/2016

10:58

Por: Alberto Silva

Ex-tenista Fernando Meligeni diz ‘NÃO’ a Tocha Olímpica

Levar ou não levar a tocha me parece bem mais uma ação do que uma causa. Quantos que levaram e não estão nem aí com seu país ou quantos que ficaram de fora e amam o Brasil e não foram chamados? Por isso, ao me julgar, pense um pouco antes.

Um dos maiores nomes do tênis nacional, Fernando Meligeni aproveitou o espaço da sua coluna para falar sobre o convite recebido para carregar a Tocha Olímpica, bem como sobre as Olimpíadas como um todo. A visão do ex-atletas não é das mais animadoras.

No espaço destinado ao ex-tenista no site da ESPN, Meligeni afirmou ontem (18) acreditar que as pessoas envolvidas no carregamento da tocha estão mais interessadas na festa do que no espírito esportivo ou no amor ao país envolvidos no evento.

“Para mim, o tal ‘olímpismo’ é lutar pelo seu país, correr em todas as bolas, defender seu esporte, jogar todas as vezes que foi chamado ou simplesmente amar e respeitar sua bandeira. Levar ou não levar a tocha me parece bem mais uma ação do que uma causa. Quantos que levaram e não estão nem aí com seu país ou quantos que ficaram de fora e amam o Brasil e não foram chamados? Por isso, ao me julgar, pense um pouco antes. Querendo ou não, a decisão de levar é pessoal, e não de patriotismo”, disse.

Meligeni reclamou ainda que percebeu falta de planejamento no convite feito a ele para a ocasião e ressaltou o fato de nunca ter tido bom relacionamento com o comitê olímpico. “Fui chamado depois de um dos chefes ir a um programa de TV e me perguntar se eu iria participar. Meu nome não estava previsto naquele momento. Ele fez uma ligação na minha frente e resolveu o problema ( será que é esse tratamento que eu mereço?) Minha relação com o comitê nunca foi das melhores. Não estaria sendo hipócrita ao aceitar? Nem mesmo fui convidado para a inauguração do Centro Olímpico de Tênis, ou para o evento-teste que ocorreu no Rio. Mesmo sendo o tenista que foi mais longe em uma Olimpíada, nem entrar ao complexo eu entrei. Porque deveria ir a um revezamento que deixou um monte de atleta esquecido. Será que eu sairia de lá 100% feliz com minha atitude? Acho que não.”

“Quero deixar claro que agradeço pelo convite. Fico feliz e incentivo às pessoas a aceitarem o convite. Amo as Olimpíadas e vou torcer por cada atleta que entrar para representar nosso país. Mas meu ‘olimpismo’ tem limites”, afirmou.

Nascido na Argentina, mas naturalizado brasileiro desde criança, o Fininho, como ficou conhecido, faz questão de demonstrar sua insatisfação. “Sinceramente, não nasci para ser político ou brincar de fazer de conta”, finalizou o atleta.

(Via Agencia)

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