13/06/2016

01:22

Por: Alberto Silva

Em balanço de um mês de governo, Temer omite demissões de ministros

Segundo ele, são medidas para a "retomada do crescimento do país".

O presidente interino, Michel Temer, divulgou uma retrospectiva de medidas consideradas positivas por ele no período de um mês no cargo, completado neste domingo (12).

Não há, porém, menção às demissões de dois ministros, Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira no ministério e o recuo à extinção do Ministério da Cultura.

A retrospectiva de Temer inclui 14 itens, entre eles a redução do número de ministérios, a nova meta fiscal, a nomeação de uma “equipe econômica de peso” (segundo suas palavras), e ações para limite de gastos públicos, incluindo o corte de cargos comissionados.

A lista divulgada menciona ainda a proposta enviada ao Congresso de estabelecer novos critérios para nomear presidentes de estatais e fundos de pensão. Na última quinta (9), no entanto, Temer nomeou o presidente nacional em exercício do PSD, Guilherme Campos, para a presidência dos Correios.

Segundo ele, são medidas para a “retomada do crescimento do país”. “Encabeçado pelo ministro Henrique Meirelles, a Fazenda soma nomes de importantes profissionais para apoiar definição do novo projeto econômico de crescimento e retomada das vagas de emprego”, diz o texto.

A lista divulgada menciona ainda a proposta enviada ao Congresso de estabelecer novos critérios para nomear presidentes de estatais e fundos de pensão. Na última quinta (9), no entanto, Temer nomeou o presidente nacional em exercício do PSD, Guilherme Campos, para a presidência dos Correios.

À Folha, em reportagem publicada neste domingo (12), Temer classificou de “guerra” seu período de um mês de interinidade após o afastamento de Dilma Rousseff, que sofre processo de impeachment no Senado.

“Apesar de todas as turbulências, críticas e pressões, foi um mês de sucesso”, afirmou o peemedebista à reportagem. “Restabelecemos a interlocução com o Congresso, votamos projetos com ampla maioria e estamos retomando a confiança no país, não é pouca coisa para um começo de governo”, disse.

Governo Temer – linha do tempo

MAIO

11 de maio – Após votação no Senado, Dilma Rousseff é afastada

12 de maio – O vice-presidente Michel Temer assume como presidente interino, reduz número de ministérios e nomeia equipe de ministros, todos homens e, em sua maioria, parlamentares.

12 de maio – Durante discurso, Temer engasga e mudança de voz vira piada na internet. Interino lembra de placa em posto na Castello Branco que diz “Não pense em crise, trabalhe”

12 de maio – A nova gestão adota logotipo com os dizeres “Ordem e Progresso” e apenas 22 estrelas representando os Estados, 5 a menos do que a bandeira brasileira

12 de maio – Na primeira entrevista internacional como interino, Temer confunde o jornalista argentino com o presidente Maurício Macri

13 de maio – O ministro da Fazenda Henrique Meirelles admite recriar CPMF, gerando reclamaçõs de parte da base aliada e empresários

16 de maio – O novo ministro da Justiça e Cidadania sugere, em entrevista à Folha, que presidente não escolha o mais votado de lista tríplice para Procuradoria-Geral da República e é desautorizado por Temer

16 de maio – Imprensa descobre que autor de frase “Não pense em crise, trabalhe” citado por Temer em discurso, está preso por homicídio

17 de maio – Ministro da Saúde diz que SUS (Sistema Único de Saúde) precisa ser reduzido e é forçado por Temer a voltar atrás

17 de maio – Temer escolhe André Moura (PSC-SE), aliado de Cunha e alvo da Lava Jato, para ser líder do governo na Câmara

18 de maio – Após recusas de mulheres, Temer escolhe Marcelo Calero para secretaria da Cultura

19 de maio – Artistas fazem série de protestos e ocupações contra extinção do Ministério da Cultura

20 de maio – Governo passa a prever meta fiscal de R$ 170,5 bilhões, R$ 66 bilhões maior do que o previsto pela equipe de Dilma

21 de maio – Sob pressão, Temer recua e recria Ministério da Cultura

23 de maio – Em gravação revelada pela Folha, ministro Romero Jucá sugere que havia um pacto entre políticos para deter Lava Jato e pede exoneração no dia seguinte: “Tem que estancar essa sangria”, disse Jucá

24 de maio – Temer propõe teto de gastos para União. Durante discurso, interino bate na mesa e diz que “sabe governar”. “Já tratei com bandidos”

29 de maio – Em gravação, ministro da Transparência, Fabiano Silveira, critica Lava Jato. No dia seguinte, ele pede exoneração –foi a segunda queda de um ministro em 19 dias de governo


JUNHO

1º de junho – Com aval de Temer, Câmara aprova criação de 14 mil cargos públicos

1º de junho – Temer indica ex-deputada Fátima Pelaes, que é contra a legalização do aborto, para Secretaria de Políticas para mulheres. Ela é suspeita de desviar dinheiro de emendas parlamentares

3 de junho – Temer limita voos e corta até gastos com comida da presidente afastada Dilma Rousseff

3 de junho – Em entrevista à Folha, que seria publicada três dias depois, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirma que quem estiver envolvido na Lava Jato sairá do governo

4 de junho – Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, diz em delação que pagou R$ 70 milhões em propinas para Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney

5 de junho – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma ao STF que o ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) se beneficiou do petrolão; Temer decide mantê-lo

6 de junho – Governo recua e diz que não aceitará criação dos 14 mil cargos públicos

7 de junho – Janot pede prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha, acusando-os de obstruir a Lava Jato

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