03/10/2016

15:28

Dizimado nas urnas, FIM DO PT

As denúncias da operação Lava Jato, cujas investigações fecham cada vez mais o cerco em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, somada à inépcia do governo Dilma para retomar o crescimento econômico, forneceram munição de sobra para as campanhas dos candidatos do PSDB e do PMDB, principais adversários do PT no Congresso Nacional.

Por: Alberto Silva

Na primeira eleição municipal em que os candidatos não puderam contar com doações de empresas, e para a qual dispuseram de apenas 35 dias de horário eleitoral gratuito, há muitos vencedores, mas um só perdedor: o Partido dos Trabalhadores. As pesquisas de intenção de voto asseguram que os petistas e seus aliados saem das urnas no dia 2 com o pior desempenho dos últimos 20 anos. O fracasso na disputa pelas 463.374 cadeiras de vereador e 5.568 prefeituras do Pais é capaz de comprometer não apenas os planos do PT para 2018 como a própria existência do partido que corre o risco de perder seu registro na Justiça.

A novela petista segue um roteiro desenhado na origem do processo que levou ao impeachament da ex-presidente Dilma Rousseff. A impopularidade de seu governo, que levou a economia brasileira à pior recessão da história, contaminou não apenas as candidaturas de seus correligionários como levou para o debate eleitoral temas nacionais, com destaque para corrupção, desemprego e inflação. As denúncias da operação Lava Jato, cujas investigações fecham cada vez mais o cerco em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, somada à inépcia do governo Dilma para retomar o crescimento econômico, forneceram munição de sobra para as campanhas dos candidatos do PSDB e do PMDB, principais adversários do PT no Congresso Nacional. Enquanto isso, os petistas veem seu mais tradicional eleitorado de esquerda migrar para outras siglas. No Rio de Janeiro e Salvador, capital de um estado governado pelo PT, o partido sequer lançou candidato próprio.

Em São Paulo, maior cidade do País, o candidato petista à reeleição, Fernando Haddad, só liderou as pesquisas em um aspecto: é dele o maior índice de rejeição, acima de 40%. Longe de ajudá-lo a decolar, como na disputa de quatro anos atrás, o apoio do ex-presidente Lula parece incomodar. Desta vez, o ex-sindicalista não apareceu em nenhum programa exibido por Haddad e restringiu sua participação à campanha de rua. Lula também não participou da campanha em São Bernardo do Campo (SP), cidade onde criou a base da militância petista. Nas últimas pesquisas, o candidato aparecia em quarto lugar, atrás de João Dória (PSDB), Celso Russomanno (PRB) e Marta Suplicy (PMDB).

Na capital fluminense, o PT perdeu sua principal aposta local quando Alessandro Molon trocou a legenda pela Rede Sustentabilidade, com a qual disputa a prefeitura. Os petistas decidiram então apoiar a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que se destacou entre os parlamentares pela defesa acirrada a Dilma Rousseff na votação do impeachment. O arranjo também esbarrou na alta rejeição à candidata. Ao todo, 38% do eleitorado dizem não votar de jeito nenhum na comunista. A participação da própria Dilma na campanha de Jandira, nos últimos dias, funcionou como uma pesada âncora a jogar a candidata do PC do B ainda mais para baixo nas pesquisas. Em capitais do Nordeste, como Maceió e João Pessoa, os candidatos do PT tiveram campanhas pífias, alcançando apenas 3% das intenções de voto. Em Natal, pesquisas apontam 5%.

SEM MÁQUINA 

Sem o financiamento privado, a expectativa de muitos candidatos era de que a máquina pública fosse contribuir positivamente nas eleições. “Em tese, uma campanha modesta favorece quem tem a máquina. Mas, neste momento de grande crise e desgaste do Executivo, vai haver uma alta renovação”, afirma o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR). Em Porto Alegre, o candidato Raul Pont chegou permaneceu boa parte da campanha na segunda posição, atrás de Luciana Genro (PSOL). Ambos foram ultrapassados por Sebastião Melo (PMDB) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Entre os prefeitos de capitais com chances reais de reeleição, apenas um é petista. Trata-se do acreano Marcus Alexandre, de Rio Branco. Em João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD-PB), que chegou à prefeitura pelo Partido dos Trabalhadores, deixou a legenda após as denúncias da Lava Jato. O caso é semelhante em Belém, onde o favorito nas pesquisas é o atual deputado pelo PSOL Edmilson Rodrigues (PA), que por duas vezes foi prefeito da cidade pelo PT.

Entre os demais candidatos à reeleição com chances reais de vitória estão atuais adversários petistas: ACM Neto (DEM), em Salvador; Geraldo Júlio (PSB), no Recife; Rui Palmeira (PSDB), em Maceió; João Alves (DEM), em Aracaju; Luciano Rezende (PPS), em Vitória, entre outros. Para ex-prefeitos e importantes quadros que já brilharam à sombra da estrela petista, como Luizianne Lins, de Fortaleza, João Paulo, de Recife, e Fernando Haddad, de São Paulo, a chama vermelha de outrora parece definitivamente apagada.

(Via Agencia)

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