03/02/2015

18:55

Por: Alberto Silva

Veja os filmes premiados na 18ª Mostra de Tiradentes.

Júri da crítica elege “Mais do que Eu Possa me Reconhecer”. “O Dia do Galo” fica com prêmio do júri popular

 

Entre a alegoria intelectual de “Teobaldo Morto, Romeu Exilado” e a ousada proposta visual de “Medo do Escuro”, o júri da crítica surpreendeu e acabou elegendo a mise-en-scène enganosamente simples de “Mais do que Eu Possa me Reconhecer” como a grande vencedora da 18ª edição da Mostra de Tiradentes. O documentário é o segundo longa do carioca Allan Ribeiro, que recebeu o prêmio da mostra Aurora das mãos da professora e pesquisadora Guiomar Ramos, da UFRJ.

“Sempre acreditei que Tiradentes fosse o melhor lugar para estrear esse filme porque ele tem uma narrativa muito especial, que teria um encontro com o público e a crítica aqui, e seria desperdiçada em outros festivais”, afirmou Ribeiro, dizendo-se nervoso e feliz.

Minas saiu com duas vitórias na premiação. “O Tempo Não Existe no Lugar Onde Estamos”, longa experimental protagonizado pelo professor André Gatti, da FAAP, e dirigido por Dellani Lima, foi eleito melhor longa segundo o júri jovem. E como era esperado, o documentário “O Dia do Galo” levou o prêmio do júri popular.

“A noite do último domingo foi a mais especial das nossas vidas. Nunca mais vamos esquecer”, confessou, emocionado, o diretor do longa Cris Azzi sobre a exibição de seu filme no Cine Praça em Tiradentes. Ele acrescentou ainda que, mesmo que o documentário não fizesse nenhum sentido, “teria valido a pena pela amizade com esse cara aqui”, disse abraçando Luiz Felipe Fernandes, que coassina a direção do trabalho.

Já nos curtas, as mulheres paulistas fizeram a festa. “De Castigo”, de Helena Ungaretti, venceu o prêmio do júri popular; “Estátua!”, de Gabriela Amaral Almeida, foi eleito pela crítica; e “Outubro Acabou”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, ficou com o prêmio Aquisição do Canal Brasil, votado por um júri de jornalistas. Todas as produções eram da terra da garoa.

Grande vencedor da 18ª edição da mostra de Tiradentes, “Mais do que Eu Possa me Reconhecer” retrata o encontro do cineasta Allan Ribeiro com o artista visual Darel Valença Lins. O documentário usa fotografia e montagem para encenar o embate criativo e filosófico entre duas gerações da arte, com o octogenário Darel questionando e afetando o olhar de Ribeiro, e o jovem carioca desconstruindo as contradições de seu personagem, por meio da montagem e da devassa de sua casa, uma espécie de museu do complexo ego do artista.

O resultado lembra um pouco “Os Dias com Ele” que, não por acaso, ganhou Tiradentes dois anos atrás. “Quero agradecer ao Darel, que vai ficar muito feliz quando souber do prêmio. Vou sair daqui e ver que horas são pra ver se posso ligar pra ele e contar”, brincou Ribeiro. Além de Guiomar Ramos, o júri da crítica deste ano foi composto pelas professoras Amaranta César, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, e Bernadette Lyra, da Universidade Anhembi Morumbi; e os críticos Ewerton Belico, também pesquisador, e Enéas de Souza, do Rio Grande do Sul.

Veja os vencedores

Melhor longa-metragem, júri da Crítica: “Mais do que Eu Possa me Reconhecer”, de Allan Ribeiro (RJ)

Melhor longa-metragem, Júri Jovem: “O Tempo Não Existe no Lugar Onde Estamos”, de Dellani Lima (MG)

Melhor longa-metragen, Júri Popular: “O Dia do Galo”, de Cris Azzi e Luiz Felipe Fernandes (MG)

Melhor curta-metragem, Júri da Crítica: “Estátua”, de Gabriela Amaral Almeida (SP)

Melhor curta-metragem, Júri Popular: “De Castigo”, de Helena Ungaretti (SP)

Melhor curta-metragem, Prêmio Aquisição Canal Brasil: “Outubro Acabou”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (SP)

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