13/11/2015

18:02

Por: Alberto Silva

Veja os 15 erros mais comuns das mães de primeira viagem

Tudo que é novo assusta. E, quando o assunto é maternidade, o medo de errar toma proporções ainda maiores, pois envolve a vida de um ser indefeso, o maior motivo de amor dos pais.

A grande preocupação é a de que todas as leituras, conversas com o médico e a família não sejam suficientes e que, nos momentos a sós com o bebê, cometa-se algum erro que prejudique a criança.

O mais importante, no entanto, é lembrar de que a maternidade é uma experiência de aprendizado constante.

“Ter filho exige calma para entender cada momento do bebê. Exige ainda que sejamos tranquilos para não criar situações de estresse desnecessárias, sofrimentos que, às vezes, não precisariam existir”, pondera Marcelo Pavese Porto, vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.

De acordo com Porto, não se deve ter medo do recém-nascido. “Ele não fala, mas se comunica muito bem, desde que a gente aprenda a entender essa comunicação. O bebê precisa de apoio, pois é quase indefeso, mas não desmonta com um assopro. Em suma, o que o filho mais precisa é de amor, de carinho e uma boa dose de bom senso dos pais”, diz o especialista.

Conversamos com mulheres e especialistas que listaram os erros que mais assolam as mães inexperientes. Será que você se identifica com algum deles?

1  
Duvidar da própria intuição e do instinto materno
“A mãe, por natureza, é superprotetora e envolvida com os cuidados do bebê. Seus sentidos ficam mais apurados; seu sono, mais leve, e seu corpo, mais resistente ao cansaço e as dores. Por isso, mesmo sendo uma mãe de primeira viagem, ela saberá lidar com as mais diversas situações para cuidar do bebê. Muitas vezes a criança não consegue expressar suas necessidades e a intuição materna é vital para sua sobrevivência. Confie nos seus instintos. Seu filho também estará confiando”, frisa Antonio Paulo Stockler, ginecologista e obstetra do Hospital Universitário Antônio Pedro e especialista pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
2
Excluir o pai da rotina do bebê
“O papel do pai é fundamental desde o início da gravidez. O bebê já aprende a identificar a voz dele ainda na barriga da mãe. É lógico que o papel da mãe no início é mais preponderante, mas o pai precisa estar envolvido, participar de todas as tarefas, trocar fraldas, consolar, fazer carinho, amar. Um filho é uma construção familiar – e não parte somente de um”, aconselha Marcelo Pavese Porto.
3
Não se cuidar e colocar o bebê como única prioridade
“A maternidade é uma experiência avassaladora que, muitas vezes, domina completamente o cotidiano feminino com todas as atribuições e necessidades vitais e afetivas do bebê. Um ponto fundamental é que o bebê precisa de uma mãe saudável, bem disposta e atenta para que possa se desenvolver plenamente. Por isso, descuidar de si mesma é descuidar da saúde da criança. É importante a mamãe realizar exercícios físicos que ajudarão no retorno ao peso de antes da gravidez, vão estimular a liberação de endorfinas (diminuindo a sensação de cansaço e elevando a autoestima) e facilitarão a produção de leite. A nova mamãe deve também manter alimentação balanceada, de forma que possa suprir todas as necessidades de seu filho através do aleitamento”, alerta Antonio Paulo Stockler.
4
Isolar-se em casa nos primeiros meses do bebê
“Quando minha primeira filha nasceu, tive muito medo de sair com ela, mesmo após a liberação do médico. Me isolei em casa durante seis meses e saía raramente, apenas para almoçar na casa de um parente ou levá-la ao médico. Minha filha estava sempre com a imunidade muito baixa e eu não entendia o porquê. Para piorar, comecei a me sentir entediada e solitária e quase entrei em depressão. No meu segundo filho, percebi que era loucura me trancar em casa e, dois meses após o parto, eu já o levava para passeios curtos. Ele se desenvolveu com muito mais saúde e quase não adoecia, pois teve a oportunidade de desenvolver anticorpos”, conta a mamãe Mariane Osório, 39 anos.
5
Querer impor disciplina em excesso nos horários do bebê
“Não há como impor horários para o recém-nascido ou nos primeiros meses de vida. O bebê segue seu próprio ritmo: mama conforme necessita, acorda e dorme quando precisa e não tem, sequer do ponto de vista hormonal e de desenvolvimento neuropsicomotor, a capacidade de aprender e seguir horários. Por outro lado, isso não significa que deve ser atendido no primeiro choro, pois ele também precisa criar a capacidade de se reorganizar e retomar o sono sozinho. Claro que vale o bom senso. Se ele está chorando bastante, é porque precisa de algo e deve ser atendido”, observa Marcelo.
6
Alimentar-se mal durante a amamentação
“Para produzir uma quantidade de leite suficiente para o bebê, a mãe deve comer um pouco a mais (cerca de 300 calorias) do que o habitual e ingerir água suficiente para saciar sua sede. É fundamental que tome líquidos, alimente-se de forma saudável e descanse sempre que possível”, aconselha Cláudia Hallal, pediatra nutróloga, membro da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.
7
Pensar que o leite materno não é rico o suficiente
“Até os seis meses o leite materno deve ser oferecido todas as vezes que a criança quiser, quando tiver fome ou sede. Não existe ‘leite fraco’; todo leite materno é forte e bom. Logo após o nascimento, a produção do leite pode parecer pequena, mas é suficiente para as necessidades do bebê. À medida que a criança começa a mamar mais, a produção do leite também aumenta proporcionalmente, satisfazendo-o”, explica Cláudia.
8
Não coordenar os horários de sono com os do bebê
“Quando meu filho nasceu, me atrapalhei muito com a organização dos horários de sono. Enquanto ele dormia, eu limpava a casa, trabalhava ou assistia TV. O problema é que logo após as primeiras semanas eu já estava exausta. Resolvi ouvir os conselhos da minha mãe e dormir quando ele dormia. Foi a única forma de me adaptar ao ritmo dele e conseguir descansar”, revela Luana Costa, 35 anos.
9
Achar que todo choro é fome
“O bebê chora como uma forma de se comunicar, o que não necessariamente se relaciona à fome. Bebê sente calor; às vezes, sede ou desconforto por estar com as fraldas sujas. O choro por cólica é um tipo mais característico, intenso, repetitivo, com duração mais longa, difícil de consolar e, em geral, em horários específicos. Outra situação é simplesmente querer atenção, carinho ou colo. O importante é a família manter a calma e tentar com tranquilidade identificar o motivo do choro, sem se apavorar. Com o passar do tempo e sem atropelos, os pais saberão entender e tranquilizar seu filho”, garante Marcelo.
10
Desistir rápido da papinha ou outro alimento
“Com seis meses começamos a oferecer papinhas, mas minha filha rejeitava todas as opções. No começo bateu um desespero e eu quis desistir, mantendo só a amamentação por mais algumas semanas. Após conversar com o médico e ele me conscientizar da importância de introduzir a alimentação sólida, resolvi insistir e ela se adaptou. Foi quando entendi que precisava me esforçar para estimular o desenvolvimento dela”, conta Midiã Rocha, 29 anos.
11
Fazer comparações com outros bebês da família
“Esse é um erro comum, pois as mães de primeira viagem, por não terem tanta experiência com os cuidados com bebê, acabam comparando-o com outros. Isso pode até gerar angústia na mãe e desgaste na relação com os membros da família. O que as mães precisam saber é que cada bebê tem um desenvolvimento e personalidade que lhe é peculiar”, afirma Cynthia Boscovich, psicóloga e psicanalista.
12
Não ouvir os conselhos de outras mães
“Desde a descoberta da gravidez, passei a pesquisar muito e a ler tudo sobre gestação e os primeiros anos do bebê. Mas, na prática, muita coisa não se aprende nos livros e eu me sentia perdida. No começo, eu rejeitava os conselhos da minha mãe e das outras mulheres da família, mas percebi que a experiência delas era valiosa, pois no dia a dia, me ajudou a solucionar as dúvidas e cuidar melhor do meu bebê”, reconhece Elaine Bortello, 38 anos.
13
Manter o bebê todo agasalhado mesmo no calor
“Devemos lembrar que, embora sinta um pouco mais de frio que uma criança maior, o bebê sente calor e não pode ser vestido com exagero. As mãos mais frias são uma característica própria do bebê novinho e não significam que esteja com frio. Podemos verificar no peito do bebê se ele está quentinho ou não. A mãe deve observar se ele está suado, que é um sinal evidente que está vestido em excesso. A criança deve poder se mexer. Um bebê vestido ou coberto em excesso pode ficar muito irritado ou até ter complicações mais graves, como febre e desidratação”, explica Marcelo.
14
Enfeitar demais o berço e esquecer da segurança
“Como toda mãe de primeira viagem, quis montar um quarto dos sonhos para o meu filho. Gastei uma fortuna em enfeites, nichos e grandes bichos de pelúcia. Quando o Enzo tinha quatro meses, um dos nichos que enfeitava a parede do berço se desprendeu e caiu bem em cima dele. Seu pé foi atingido e o pobrezinho ficou com a perna imobilizada por algumas semanas. Depois disso, voltei para casa e arranquei tudo do quarto, deixando somente aquilo que não poderia, de nenhuma maneira, machucar meu filho”, relata Maria Tereza Holanda, 32 anos.
15
Gastar com supérfluos e não priorizar o que é útil
“Quando se é mãe de primeira viagem, tudo enche os nossos olhos e dá aquela vontade de comprar sempre o produto mais caro e mais cheio de detalhes. Na minha primeira gestação, gastei muito com supérfluos e, logo nas primeiras semanas após o parto, percebi que muita coisa que comprei não tinha utilidade. Outros itens, que desprezei durante a preparação do enxoval, fizeram falta e tiveram que ser comprados às pressas. Na segunda gravidez, priorizei apenas os itens de necessidade básica e gastei um terço comparado à primeira gestação”, compartilha Ana Paula Garcia, 43 anos.

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

100