07/10/2015

16:54

Por: Alberto Silva

‘Suiça já enviou as provas mas’, Cunha diz que ‘em hipótese alguma’ irá renunciar à Presidência da Câmara

Suspeito de manter contas bancárias secretas na Suíça, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou na manhã desta quarta-feira (7) que não renuncia ou se afasta do cargo em "nenhuma hipótese",

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob a acusação de integrar o esquema de corrupção na Petrobras, Cunha ainda tem apoio da maioria dos seus pares, mas essa sustentação tende a desaparecer na hipótese de vir à tona reprodução de documentos comprovando as contas no exterior.

“Cargo não há a menor possibilidade de eu renunciar, licenciar, qualquer coisa do gênero”, disse o presidente da Câmara em entrevista após de um painel sobre radiodifusão. Questionado minutos antes pelo jornalista Kennedy Alencar, que era o mediador do evento, se estuda renunciar, Cunha foi lacônico: “Nenhuma hipótese.”

A declaração é uma reação à decisão da oposição de abandonar o peemedebista caso fique comprovada a existência das contas na Suíça. Na avaliação de deputados e senadores, é impossível manter o apoio público já que, nessa hipótese, ficaria evidente que Cunha mentiu em seu depoimento à CPI da Petrobras, quando disse que não tinha contas no exterior.

A oposição é aliada e um dos principais sustentáculos políticos de Cunha. Desde que o peemedebista derrotou o PT e assumiu o comando da Câmara, em fevereiro, há uma ação articulada entre ele, PSDB, DEM e Solidariedade, as três maiores siglas contrárias a Dilma Rousseff. Neste exato momento, oposição e Cunha continuam alinhados na tentativa de dar sequência na Câmara a um pedido de impeachment contra a presidente da República.

CASSAÇÃO

Na tarde desta quarta, deputados de partidos de esquerda –o PSOL à frente– vão ingressar na corregedoria da Câmara com uma representação pedindo que a Casa abra processo de cassação por quebra de decoro. O andamento desse pedido será decidido pela Mesa da Câmara, que é presidida por Cunha.

Caso seja dado andamento, o Conselho de Ética é acionado pela Mesa e analisa o caso. A Corregedoria, a Mesa e o Conselho são controlados por, até agora, aliados de Cunha. O peemedebista só perde o mandato caso o conselho aprove a cassação e a decisão seja ratificada pelo plenário da Câmara por pelo menos 257 dos 513 deputados.

ACUSAÇÕES

O envolvimento de Cunha na Operação Lava Jato começou com a afirmação do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do caso, de que o peemedebista recebeu propina do esquema. Em abril, a Folha revelou que o nome de Cunha aparece como o real autor de requerimentos que teriam sido usados na Câmara para pressionar uma fornecedora da estatal a retomar o pagamento de propina.

Depois outros delatores corroboraram as declarações de Youssef. Cunha foi denunciado pelo Ministério Público sob a acusação de receber US$ 5 milhões de propina. Após a denúncia, veio à tona a informação de que, segundo o Ministério Público da Suíça, ele e familiares são beneficiários de contas secretas naquele país.

PSDB

A cúpula do PSDB no Congresso fechou questão quanto à posição da sigla sobre Cunha. Os principais líderes da legenda acordaram que os tucanos não devem nem “jogar pedra” nem “blindar” Cunha.

A ordem é aguardar o surgimento das provas de que o peemedebista aparece como beneficiário de cerca de US$ 5 milhões em bancos da Suíça. Se isso acontecer, segundo ele, a situação ficará insustentável e a saída de Cunha do comando da Casa será irremediável.

Líderes da legenda dizem que o próprio Cunha sabe de sua condição. Os tucanos, no entanto, avaliam que antecipar ou atuar para fragilizar o presidente da Câmara neste momento pode ser “improdutivo”. Cunha faz oposição ao governo Dilma Rousseff e tem a prerrogativa de instaurar um processo de impeachment contra a petista.

Nos bastidores, a avaliação é que o aparecimento dos extratos em nome de Cunha na Suíça abririam uma “dupla frente” de ataques ao peemedebista: a acusação de corrupção (Cunha é investigado na operação Lava Jato) e a de que mentiu aos seu colegas. Na Casa, ele negou ter recursos fora do país.

(via Folha)

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