07/07/2015

10:23

Por: Alberto Silva

Senador Aécio Neves quer virar mesa no tapetão “No grito”

Não é tarefa simples, mas o PSDB está fazendo tudo para superar o PT em
mediocridade política. Não se sabe dos tucanos emplumados qual tem sido
mais infeliz e calhorda em suas manifestações. Bem, na verdade sabe­se:
Aécio Neves. Definitivamente, o fracasso eleitoral subiu­lhe à cabeça.
Dolorido e inconformado com a derrota, comporta­se como o garoto mimado
que pega o carro importado e sai em disparada desrespeitando sinais, como
prova de sua superioridade.

“Dolorido e inconformado com a derrota, comportasse como o garoto mimado
que pega o carro importado e sai em disparada desrespeitando sinais, como
prova de sua superioridade”

Sim, a campanha de Dilma foi um estelionato e ela mesma –uma invenção de
Lula– não reúne as qualidades desejáveis para o exercício do cargo. Mas o
detalhe é que foi eleita. E o fato de que tenha perdido popularidade não basta
para legitimar um movimento por sua remoção do poder.
Fernando Henrique Cardoso também aplicou um estelionato eleitoral e
chegou a patamares baixíssimos de aprovação. De maneira análoga foi alvo de
uma campanha –no caso liderada pelo petismo– para ser retirado da
Presidência.
O PT ao pedir o impeachment de FHC estava sendo de alguma forma
golpista? Sim, de alguma forma. O “Fora FHC” era uma palavra de ordem que
atropelava mediações e pregava a derrubada do governante. Nada de
extraordinário, quando se pensa na vocação autoritária –e também golpista–
da esquerda. A mudança do poder pela insurreição armada ainda é um velho
mito revolucionário que sobrevive no imaginário de dirigentes e militantes.
Mas sem dúvida em nossa América Latina a tradição golpista da direita é mais
bem­sucedida, uma vez que injunções históricas conhecidas levaram­na a
contar costumeiramente com o apoio das Forças Armadas. Mas temos
também os levantes mais pragmáticos –aqueles que visam sobretudo as
vantagens econômicas que a ocupação do Estado pode propiciar.
Seja como for, subsiste um substrato golpista na política brasileira, embora
sublimado pela implantação da democracia, que tem se revelado duradoura e
bem­sucedida, deixando para trás a crônica de quarteladas e reviravoltas
característica de Repúblicas de bananas. Não se vislumbra hoje a
possibilidade de uma intervenção militar que quebre a ordem democrática –e
um improvável governo com esse perfil não duraria cinco minutos diante das
Na cabeça desses cornos todos
Brasil, nosso paraíso burocrático

O PSDB, que tem dado mostras de desorientação, com períodos de euforia e
alguns brevíssimos interregnos de sensatez, chegou à sua convenção no fim de
semana animado com denúncias que poderiam proporcionar um caminho
juridicamente defensável para depor a presidente. Depois de votar de maneira
irresponsável contra seu próprio programa e os interesses do país, de ter
defendido o impeachment e voltado atrás, os tucanos resolveram se preparar
para “em breve” ser situação.
A cena que vem à mente é a dos bastidores do mundo esportivo. A política
nacional, nesse Fla x Flu, desce ao “modus operandi” da cartolagem. A isso,
chegamos: voltamos a ser o país do futebol, não pelo que jogamos mas pelo
padrão Fifa de nossos homens públicos e de suas articulações.
Nessa arena, o PSDB deixou claro que sua jogada é ganhar no tapetão. Ao
menos foi o que disseram seus luminares na convenção, alguns com mais
outros com menos brilho. O time tucano quer uma virada de mesa e, para
isso, vai usar contra a presidente alguns dispositivos do regulamento que
todos, inclusive seus filiados, descumprem regularmente à luz do dia.
Para reforçar suas posições, este que um dia pretendeu ser um partido socialdemocrata,
estabelece negociações com Eduardo Cunha, essa espécie de
Eurico Miranda nos dias de glória, sobre quem já se conhece o suficiente,
embora ainda não tudo.
Mesmo que a ideia possa ser mais pressionar do que realmente antecipar o
final do mandato de Dilma, o PSDB envereda por um caminho perigoso. Uma
investida persistente na tentativa de afastar a petista poderia ter
consequências graves, e ainda não bem avaliadas, para o país.
Não seria em hipótese nenhuma um processo pacífico. A mobilização da
militância e das entidades que defenderiam a presidente e das forças que
apoiariam a virada de mesa no tapetão poderia nos levar ao ápice de uma
escalada de radicalização e intolerância que precisaria na verdade ser contida, moderada e não excitada

Fonte: Folha S. Paulo (Internet)

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