28/10/2015

18:41

Por: Alberto Silva

Se você foi contra o PT no ENEM (Redação) pode ter sua nota zerada, entenda…

A análise mais ponderada que li sobre a redação do Enem 2015 foi escrita por jovens redatores do BuzzFeed Brasil.

O tema da redação foi sobre direitos humanos, simples assim. É o que preconiza a Constituição. Quem escreveu contra zerou na prova, pq se posicionou contra os valores básicos da cidadania. Pessoas assim não têm o direito de cursar uma universidade pública e ter sua trajetória acadêmica bancada com dinheiro do povo.

BuzzFeed Brasil falou com especialistas sobre o tema da prova, acusado nas redes sociais de ter viés feminista e esquerdista.

O tema da redação do Enem 2015, que foi aplicado neste domingo, foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

Nos últimos anos foram abordados temas como terceira idade, trabalho infantil e Lei Seca. “Em algumas propostas fica mais explícito, em outras menos, mas sempre tem a questão de fundo do respeito ao próximo”, diz Henrique.

“A lógica do Enem não é avaliar se o participante adquiriu uma série de conceitos que fizeram dele muito erudito, a prova quer avaliar a cidadania do candidato, o quanto a pessoa consegue olhar para o mundo em que está inserida, identificar questões e se sentir parte dele”, completa ele.

Nas instruções da prova, estava explicado que o candidato receberia nota zero na redação se fugisse ao tema ou apresentasse proposta de intervenção que desrespeitasse os direitos humanos, entre outras coisas.

Os três professores concordam que é difícil argumentar contra o tema sem ferir os direitos humanos.

Exemplos como o de que a mulher que sofre violência “estava pedindo” vão contra a premissa de respeitar os direitos humanos. “Isso não é opinião contrária. Neste caso, você pode zerar por desrespeito aos direitos humanos”, fala Simone.

Também não há muita chance para quem resolveu minimizar a questão fazendo uma comparação com problemas enfrentados por outros grupos: “Eu não encontro uma brecha para solucionar a questão sendo contrário a ela. Mesmo se o candidato oferecesse outros indicadores e dados apontando outros grupos que sofrem por determinadas questões, ele provavelmente fugiria da proposta”, diz Carlos.

“Alguém que de fato não veja a violência contra a mulher como problema e naturalize a questão, sequer conseguindo colocar uma máscara nas opiniões, corre sim o risco de zerar”, fala Henrique.

“O candidato não pode recorrer à Justiça devido ao tema porque a prova deixa claro o respeito aos direitos humanos”, diz Henrique.

E o professor ainda destaca: “Não é uma questão da prova, o país é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.”

Para Claudio, o tema foi uma boa forma de selecionar os candidatos: “É um tema que ajuda no processo de traçar o perfil de quem deve entrar em boas universidades públicas, um futuro formador de opinião”, explica.

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