28/03/2015

07:16

Por: Alberto Silva

Promotoria oferece denúncia contra 7 acusados de formação de quadrilha

Grupo é liderado pelo empresário Luiz Abi Antoun, que se apresenta como primo do governador Beto Richa (PSDB), e desviou recursos públicos ao obter ilegalmente contratos para consertar carros oficiais do Estado

O Ministério Público do Paraná ofereceu nesta sexta-feira (27) denúncia contra sete pessoas suspeitas de formação de organização criminosa, falsidade ideológica e fraude à licitação.

 Segundo a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, o grupo é liderado pelo empresário Luiz Abi Antoun, que se apresenta como primo do governador Beto Richa (PSDB), e desviou recursos públicos ao obter ilegalmente contratos para consertar carros oficiais do Estado, do início de 2013 até este mês.

A Promotoria afirma que eles constituíram uma empresa, chamada Providence, especialmente para prestar o serviço. Ela estaria registrada em nome de um “testa de ferro”, mas, de acordo com a investigação, pertenceria a Abi Antoun e outro sócio.

Inicialmente, a Providence foi contratada de forma emergencial, com dispensa de licitação. Depois do prazo de vigência desse acordo, uma outra empresa venceu a concorrência do governo para a manutenção dos veículos.

O grupo de Abi Antoun teria então feito um acordo para que a Providence fosse subcontratada, permitindo, segundo a denúncia, “a permanência do sistema de enriquecimento ilícito”.

Abi Antoun foi preso no último dia 16, quando o Gaeco deflagrou a Operação Voldemort, e solto uma semana depois, quando a Justiça lhe concedeu um habeas corpus.

Durante o período de sua detenção, ele não ficou em uma penitenciária. O juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina determinou que ele fosse transferido para um quartel do Corpo de Bombeiros, porque o parentesco com o governador poderia colocar sua segurança em risco num estabelecimento prisional.

O empresário é conhecido na região por se apresentar como primo de Richa e usaria a proximidade com o tucano para demonstrar influência política.

O governo do Paraná negou que eles sejam parentes. A gestão diz que a bisavó do tucano era irmã da avó de Abi Antoun e que, de acordo com o Código Civil, isso não configura relacionamento familiar.

Doação eleitoral

A reportagem apurou que o Ministério Público também pretende investigar uma doação eleitoral de R$ 100 mil que a empresa de reciclagem Alumpar Alumínios fez para a campanha de reeleição de Richa, em 2014.

Segundo a imprensa paranaense, um dos filhos de Abi Antoun é sócio da Alumpar.

Na última segunda-feira (23), o PSDB-PR divulgou nota ressaltando que todas as doações à campanha de Richa foram legais e voluntárias e que a Justiça Eleitoral aprovou as contas do tucano.

A reportagem não conseguiu localizar Abi Antoun nem falar com seus advogados.

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