06/04/2015

12:43

Por: Alberto Silva

Privataria tucana é exposta na lista do HSBC

Um dos protagonistas do maior roubo ao patrimônio público brasileiro, Benjamin Steinbruch, comprador da Vale do Rio doce e empresário responsável por várias compras nos planos de privatização da Era FHC caiu na lista do HSBC, divulgada em detalhes e com mais informações sobre a era das privatizações

Milionários brasileiros utilizaram 97 contas no banco HSBC da Suíça, segundo registros de 2006 e 2007, e fizeram uso de 68 empresas conhecidas como “offshores” para movimentar os seus recursos.
Essas companhias ficam em paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. São usadas principalmente por quem quer pagar menos impostos. Se o envio e depósito dos valores em offshores e a volta dos recursos ao país de origem forem declarados, não há ilegalidade. Essas empresas, porém, podem servir a propósitos ilícitos, como ajudar a camuflar dinheiro sem origem comprovada.
No topo do ranking dos milionários, aparecem integrantes da família Steinbruch. Sete deles(Eliezer, Dorothea, Mendel, Clarice, Ricardo, Benjamim e Elizabeth) chegaram a ter, ao todo, um saldo de US$ 543,8 milhões ao longo de 2006/2007, a maior parte em contas compartilhadas. Do empresário Jacks Rabinovitch, que foi sócio dos Steinbruch no Grupo Vicunha e na CSN, apurou-se um saldo de US$ 228 milhões em contas conjuntas com a família.

Ao todo, os Steinbruch tinham 15 empresas relacionadas às suas contas nas planilhas. Das dez que possuíam alguma referência de localização, cinco tinham o endereço principal em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas.
No Governo Itamar,  Steinbruch comprou a Companhia Siderúrgica Nacional, na bacia das almas.
No Governo Fernando Henrique – o Guardião da Moral, no Estadão e no Globo – ele disputa com Daniel Dantas o papel de protagonista.
Segundo a revista Veja, no tempo em que se podia dizer que lia o detrito sólido de maré baixa, Steinbruch se utilizou de mecanismos heterodoxos para convencer o Ricardo Sergio de Oliveira a entregar fundos de pensão na bandeja e facilitar a privataria.
No governo FHC, Benjamin Steinbruch “privatizou” 4.200 km de ferrovias da Rede Ferroviária e criou a Transnordestina Logística.
Um caso resume o universo de offshores que gravita em torno das contas. Uma mesma pessoa, Aline Cortat, figura como responsável por pelo menos três empresas que atendiam à família: a Coast to Coast Corporation (com endereços na Suíça, em Nova York e Ilhas Virgens); a Codrington Holding, no Panamá, e a Vicunha International, que, além do Panamá, está associada a uma caixa postal no Aeroporto de Genebra.
Em segundo lugar na lista dos que tinham maiores saldos, aparece o empresário Elie Douer, com US$ 270 milhões. Parte desse valor era compartilhado com dois parentes. A ele, estavam associadas oito offshores, sendo três com nomes de fundação (Constantinopla, Darksky Foundation e Fastwind). Atualmente, ele só possui uma empresa em seu nome na Junta Comercial de São Paulo: a Safo Empreendimentos, que está registrada no mesmo endereço de sua residência, uma mansão no Morumbi. Porém, ele foi sócio de uma indústria têxtil, a Doutex.
Outro caso que chama a atenção é o do empresário de São Paulo Alberto Harari. Com saldo de US$ 113 milhões, ele tinha 24 offshores ligadas a seu nome. Ao todo, teve 64 contas, sendo que 44 continuavam abertas entre 2006 e 2007. Harari é ligado à indústria têxtil e de produtos químicos e também teve negócios com o banqueiro Edmundo Safdie.
Entre os que tinham saldo de mais de US$ 50 milhões no banco suíço, ainda aparece a família Waiswol, de indústria têxtil paranaense, e Habib Esses, da Adar Tecidos. O empresário e delegado aposentado de São Paulo Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira aparece com US$ 194 milhões.
Ainda há nessa lista do HSBC nomes do mercado financeiro, como Gilberto da Silva Sayão, André Santos Esteves e Eduardo Plass, ex-gestores do Banco Pactual, que dividiram contas. Renato Frischmann Bromfman, também ex-diretor do Pactual, aparece nas planilhas com US$ 140 milhões. André Roberto Jakurski, da gestora de recursos JGP, também aparece na lista das maiores fortunas .
Neste grupo de correntistas, também estavam o médico Antônio Rahme Amaro e o advogado Roberto Saul Michaan. Ainda havia os empresários de mídia Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, e quatro membros do Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares.
A agência de “private bank” do HSBC em Genebra, na Suíça, tinha 8.667 clientes relacionados ao Brasil nos anos de 2006 e 2007. A apuração e divulgação dos casos do SwissLeaks, feitas pelo GLOBO e pelo UOL, seguem os critérios de relevância jornalística e interesse público.
Não é crime ter conta no exterior, desde que seja declarada à Receita Federal. Até agora, entre os cerca de 200 nomes já analisados e divulgados na série, só sete mostraram documentos comprovando a legalidade de suas contas.
O grupo de correntistas com maiores saldos, foco da reportagem de hoje, será um dos principais alvos da investigação da Receita, cujo objetivo prioritário é descobrir se houve sonegação de impostos e, em caso positivo, recuperar esses valores.
Chama a atenção do Fisco e da CPI o fato de as contas do HSBC serem numeradas, isto é, seus titulares são identificados apenas por números. O uso de offshores reforça o caráter sigiloso da movimentação desses recursos.

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