24/03/2015

16:50

Por: Alberto Silva

Por que o dinheiro da Lei Rouanet foi parar no HSBC da Suíça?

A última reportagem sobre as contas secretas do HSBC na Suíça trouxe os nomes de artistas brasileiros. A matéria publicada no UOL e no Globo, que têm acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, fala de gente como Claudia Raia, Jô Soares, Maitê Proença, Marília Pêra, Jorge Amado e família e Francisco Cuoco, entre outros.

Os dados dos arquivos se referem a 2006 e 2007.

Ficamos sabendo que Claudia Raia, por exemplo, tinha, junto com seu marido Edson Celulari, 135 mil dólares; Marília Pêra, 834 mil dólares; Maitê, 585 mil; Chico Cuoco, 116 mil.

Mas há um dado, digamos, curioso. De acordo com os repórteres, “com exceção de Jô Soares e de Ricardo Waddington, os artistas e intelectuais listados nas planilhas do HSBC de Genebra receberam dinheiro público para realizar seus trabalhos”.

Eles usaram, em algum momento, a Lei Rouanet.

OK.

O que isso tem a ver?

Nada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O próprio texto admite: “Não é possível nem correto fazer uma conexão entre o dinheiro captado e os recursos que eventualmente circularam nas contas bancárias na Suíça”.

Se não é possível nem correta essa ligação, trata-se, portanto, de uma ilação. Ora, se você não pode provar, qual o sentido em publicar?

Provavelmente, para causar confusão ao invés de clareza, demonizar a Rouanet etc. Tudo aponta, no final das contas, para os suspeitos de sempre. Por que não houve um rastreamento de valores desse gênero com outras pessoas citadas no Swissleaks, como Lily Marinho?

Numa nota oficial, Claudia Raia afirmou que foi feita uma “associação leviana e irresponsável”. Declarou que sempre realizou “corretamente a rígida e transparente prestação de contas exigida pela lei” e que “nunca pairou nenhum tipo de dúvida sobre a captação de recursos nas produções”.

Como resultado, o “furo” já rendeu alguns comentários veementes sobre a corrupção no Brasil. O mais exasperado partiu de uma das figuras mais impolutas (cof, cof) da nossa república: Joaquim Barbosa. “Patrimonialismo: somas colossais de dinheiro público repassadas a artistas consagrados com base na Lei Rouanet. Ver Globo online sobre HSBC”, escreveu ele nas redes sociais.

Nelson Rodrigues cravaria: batata. Batatíssima. Ou, nas palavras de um velho mestre: CQD.

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