04/12/2015

15:14

Por: Alberto Silva

O semblante de Dilma confessa, “Estou acabada” ao receber novo Presidente da Argentina

A comitiva do presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, vai passar duas horas em Brasília nesta sexta-feira (4).
Durante sua passagem relâmpago pela capital, ele se encontrou com a presidente Dilma Rousseff, o chanceler Mauro Vieira e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Everton Vargas.

Da atmosfera política tensa de Brasília —conturbada pelo processo de impeachment contra a presidente Dilma, Macri partirá para São Paulo, onde deverá ser recebido com pompa e circunstância na Fiesp, chefiada pelo peemedebista Paulo Skaf, ligado ao vice-presidente Michel Temer. Depois, ele segue para o Chile.

A visita, que inclui almoço, ocupa o dobro do tempo da passagem por Brasília na agenda do argentino. Mais de cem empresários confirmaram presença no evento da Fiesp, que entregará a Macri a Ordem do Mérito Industrial São Paulo, que já premiou Cristina Kirchner em 2013.

A viagem de Macri ao Brasil foi confirmada antes das notícias mais recentes sobre o processo político de Dilma e não se cogitou cancelá-la.

Ele e Dilma ficaram frente a frente pela primeira vez desde que o político, que faz oposição a Cristina, venceu as eleições, no fim de novembro.

O PT de Lula fez campanha pelo rival de Macri, o governista Daniel Scioli, que Dilma chegou a receber no Planalto —algo inusual para um governador provincial.

Entre os funcionários do presidente eleito, a versão é que não ficou rancor e que o Brasil é sócio estratégico na nova política externa da Argentina. Mas os dois presidentes sabem que representam forças políticas diferentes.

Macri é empresário e faz parte da centro-direita, que mais se assemelha ao PSDB do que ao PT de Dilma.

LAÇOS E REGRAS

A reunião entre os dois deve ressaltar a importância institucional da relação entre os presidentes, sem entrar no critério das cores políticas.

Macri pretende mostrar que a Argentina quer se reabrir a investimentos estrangeiros e vai informar que pretende criar regras claras para gerar confiança e atrair investidores. Precisa de dólares o mais rapidamente possível para recompor as reservas do Banco Central.

Só assim poderia retirar restrições às importações, maior queixa dos empresários brasileiros.

Ele também precisa que o Brasil lhe dê informações sobre o estágio da negociação do Mercosul com a União Europeia, que já está em curso. Cristina não repassou informações ao adversário e vem dificultando a transição.

Ele viaja com seu chefe de gabinete, Marcos Peña, a futura chanceler Susana Malcorra e o futuro assessor de assuntos estratégicos da Casa Rosada, Fulvio Pompeo.

Há a expectativa de que o presidente eleito reforce sua posição crítica à Venezuela, um ponto de divergência entre os dois mandatários. A Argentina defende punição do país pelo Mercosul, em razão dos políticos presos pelo governo de Nicolás Maduro.

Macri assume o governo da Argentina no dia 10, num momento de “congelamento” do bloco, em suas palavras.

O fluxo comercial bilateral, que somou US$ 39 bilhões em 2011, encolheu para menos de US$ 18 bilhões nos primeiros nove meses do ano. Além das travas de Cristina, contribuíram para o atual esfriamento a recessão brasileira e a estagnação argentina.

(via agências e folhaPress)

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

    Sorry. No data so far.

57

Clique aqui