14/05/2016

11:07

Por: Alberto Silva

Novo logo, mais impostos, menos emprego, e o resultado? Governo Temer, veja

Estima que a peça custaria por volta de R$ 100 mil se fosse produzida por uma agência de publicidade.

A marca do governo do presidente interino Michel Temer, sintetizada no slogan “Ordem e Progresso”, foi feita por uma agência e um marqueteiro que não têm contrato com a administração federal, sem nenhuma das formalidades que cercam os negócios públicos, como licitação ou tomada de preços.

Alguns até questionam que devemos dar “Tempo” ao Temer, pra que ele possa colocar a casa em ordem, pasmem, o Michel Temer está no governo há 6 anos com Dilma e sabe de tudo. Mesmo assim fez questão de contratar o Presidente da FRIBOI, ligado da LULA, para ser ministro da fazenda.

A peça, um globo com o lema “Ordem e Progresso – Brasil – Governo Federal”, é uma criação do marqueteiro Elsinho Mouco, que trabalha para o PMDB e para o próprio Michel Temer.

Alguns até questionam que devemos dar "Tempo" ao Temer, pra que ele possa colocar a casa em ordem, pasmem, o Michel Temer está no governo há 6 anos com Dilma e sabe de tudo. Mesmo assim fez questão de contratar o Presidente da FRIBOI, ligado da LULA, para ser ministro da fazenda.

Ele disse à Folha que vai doar oficialmente a peça para a Secretaria de Comunicação da Presidência. Se não houver a doação, a marca não poderá ser usada pelo governo em campanhas, ainda de acordo com o marqueteiro.

Mouco estima que a peça custaria por volta de R$ 100 mil se fosse produzida por uma agência de publicidade. A Presidência da República tem contratos com três agências que poderiam ter feito a nova marca: Leo Burnett, Nova/SB e Propeg.

As três gerenciam verba anual de R$ 150 milhões para a publicidade oficial da Presidência. Quando a conta inclui os ministérios, os gastos anuais com publicidade sobem para cerca de R$ 1 bilhão.

‘NÃO ACHO RUIM’

Mouco afirma não ver problemas no fato de a nova marca ter sido criada informalmente, sem qualquer contrato. “Não acho ruim porque estou há 15 anos com ele”, diz, referindo-se a Temer. “Estou tão emocionado. É uma batalha. Não cheguei ontem.”

Uma alternativa à doação, segundo Mouco, seria ser contratado por uma das três agências que atendem à Presidência. “Qualquer uma delas pode me contratar.”

A informalidade com que Mouco criou o slogan de Temer é similar à do marqueteiro João Santana, que atuou no governo de Dilma Rousseff (PT), afastada pelo Senado por até seis meses, período que pode durar o julgamento do impeachment.

Santana foi o autor do lema “Pátria Educadora”, também feito sem contrato e posteriormente doado à União.

Os investigadores da Operação Lava Jato suspeitam que empreiteiras pagaram, por meio de caixa dois, pelos trabalhos que Santana diz ter doado ao governo petista – o que a defesa do marqueteiro nega enfaticamente. Santana está preso desde fevereiro, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, o que a sua defesa também refuta.

Mouco é um especialista em PMDB. Já atuou nas campanhas de Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo, em 2012, e na de Edison Lobão Filho para o governo do Maranhão, em 2014. Perdeu nesses dois casos.

O marqueteiro está em negociações para cuidar da campanha da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) para a prefeitura paulistana.

Apesar da forte vinculação com o PMDB, Mouco venceu uma campanha, a de Jackson Lago (PDT) para o governo do Maranhão, em 2006.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a assessoria do presidente interino Michel Temer não quis comentar nesta sexta (13) o modo como foi criado o novo slogan do governo.

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