03/02/2015

19:34

Por: Alberto Silva

Nordestina ‘sangue quente’ já peitou Mano e dá toque feminino à ESPN.

Desde o fim da década de 90, o Bate-Bola, tradicional programa de debate esportivo da ESPN Brasil, não contava mais com uma apresentadora. Isso mudou no fim de 2014. Aos 32 anos, Marcela Rafael, “pernambucana sangue-quente”, como ela mesma se define, assumiu a atração ao lado de Bruno Vicari após a saída de Rodrigo Rodrigues. Deu um toque feminino a um horário até então “restrito” a elas.

Única mulher em um programa que conta com mais de dez jornalistas, entre eles apresentadores renomados como João Carlos Albuquerque e Everaldo Marques, Marcela quebrou paradigmas. Saiu das reportagens para as apresentações e superou a timidez. Com uma mescla de introdução ao assunto para o debate e sua própria opinião, mostra segurança nas palavras e carisma com telespectador. Ganhou respeito.

Mas isso não foi fácil. Marcela diz que ainda precisa lidar com alguns comentários machistas, geralmente pelas redes sociais. Para isso, ela já tem uma solução: “Bloqueio. Esses comentários machistas não vão levar a nada, não vão me acrescentar”.

A apresentadora de 32 anos agradece não ter que lidar com situações do tipo pessoalmente, mas já passou por uma situação tão complicada quanto ao vivo, e mostrou pulso firme. Quando Mano Menezes ainda comandava o Corinthians, Marcela ela uma breve discussão com o treinador. Após uma participação no Bate-Bola, na época ainda como repórter, viu o treinador corintiano questionar ironicamente uma pergunta.

A briga foi por uma pergunta de Rodrigo Rodrigues, que questionou se alguém entendia o que o Mano falava e Marcela respondeu que ele usava palavras de difícil compreensão para os atletas, mas que o contexto sempre ficava entendido. Isso gerou um bate-boca dos dois durante uma entrevista coletiva.

“A gente bateu boca, porque ele adora crescer em cima de repórter, é dele mesmo. Quando é mulher, muito mais. Só que sou pernambucana, sangue quente. A gente brigou porque falei um monte de cosia, se a gente era obrigado a entender tudo que ele falava, que ele não tinha assistido o programa, que ele não precisava ficar ofendido e batemos boca. Isso na frente de todo mundo, o que foi muito chato, em uma coletiva depois do jogo”, falou ao UOL Esporte.

De acordo com a apresentadora, depois disso, em uma entrevista futura, exclusiva, Mano “meio que se desculpou, mas não pediu desculpas” e falou para esquecerem o episódio.

E o sangue quente de Marcela ficou evidente não apenas nesta ocasião. Contrariando a própria decisão de bloquear comentários machistas, ela chegou a responder um internauta cobrando educação. “Uma vez, era uma mensagem muito pesada, fiquei um pouco chocada. Ao invés de ignorar, eu acabei respondendo só perguntei ‘e a educação, sua mãe não lhe deu?”, relatou a jornalista.

Mas a confiança da apresentadora e coragem de ‘bater de frente’ quando necessário nem sempre estiveram presentes. Os primeiros dias no comando do “Bate-Bola” não foram fáceis. A jornalista que começou no Recife, quando foi apresentadora da Globo Nordeste e trabalhou com esporte na Band, e se mudou para São Paulo após casamento com o repórter da Globo Andrei Kampff viu na ESPN um novo desafio para a carreira. Ela trabalhou no SBT antes de ir para a emissora de canal fechado, mas não tinha experiência no esporte, um tema como ela mesma ressalta, ainda de predominância masculina.

“Era muito mais difícil. Nos primeiros 15 dias, ou você começa a falar ou você vai passar o tempo inteiro em silêncio. Fiquei um pouco acanhada no começo, nos primeiros programas, mas agora me soltei. Tenho de ser igual a eles (comentaristas). Eu ponho isso na cabeça: sou igual eles. E saio falando. Você tem de entrar na hora, no debate, fazer de conta que é igual a eles, apesar de ser mulher. Hoje falo de esporte e de futebol com eles e qualquer pessoa de igual para igual, não importa se é homem ou mulher, esqueço isso na hora”, conta.

Seja pelo ‘sangue quente’ ou pela confiança conquistada com a nova experiência, Marcela Rafael garante: “Não tem essa é mulher não pode entrar na história, entro mesmo no debate”.

 

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