15/10/2015

22:14

Por: Alberto Silva

Não existe nenhum tipo de compromisso com a “verdade” que saia de LULA ou DILMA

Na série de discursos incríveis, ficou difícil escolher o melhor da última terça-feira (13): o de Lula ou o de Dilma.

Falando a sindicalistas, a presidente se colocou acima do país, ao dizer, “com toda franqueza”, que ninguém no Brasil “tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes” para atacá-la.

Quem está a atacá-la, sobretudo, são os fatos já revelados sobre o seu governo e a estatal cujo Conselho de Administração ela presidiu de 2003 a 2010.

Nesse interminável primeiro ano de Dilma 2 (ou primeiro mês de Dilma 3, ou primeira semana de Dilma 4), as sucessivas crises foram seguidas de soluções efêmeras, destruídas principalmente pela própria presidente.

Assim que ela respira, ela explode. Depois de obter alívio no STF, saiu das cordas direto para a jugular. Uma presidente agressiva de um partido agressivo com militância agressiva e milhares de quadros pendurados na máquina do governo.

Impeachment para o PT é morte. E ele vai fazer o diabo para impedi-lo. O partidão faz questão de deixar claro que Dilma não é Collor porque Dilma tem o Lula, tem o PT, tem a militância, tem a agressividade, tem a história, tem a máquina, tem a CUT, o MST, o Chico Buarque, o Mujica.

Já Lula disparou o outro discurso incrível do dia no mesmo evento sindical, sintomaticamente depois da fala da presidente.

“Não tem um país no mundo que tenha feito ajuste e melhorado a economia”, disse o ex-presidente. Tem um país chamado Brasil que, no ano de 2003, presidido por Lula, fez um ajuste clássico, duro e bem-sucedido na economia que pavimentou o caminho para os anos dourados.

O compromisso com a verdade é zero. E isso é um problema moral e ético da maior gravidade.

Dilma 2 nasceu de uma eleição infame que enganou deliberadamente a população mais carente do país, explorando sua ignorância como nenhum capitalista ousaria explorar. Mas o discurso que a elegeu hoje a condena. Só sobrou mentira sobre mentira.

Após a fala inflamada de Lula, os sindicalistas gritaram o já tradicional “Fora Levy!”, sendo que Levy significa a política econômica do governo Dilma —o ajuste que a presidente relutantemente abraçou, mas está louca para largar. Lula, no discurso, já largou. E toda essa ambiguidade oportunista significa principalmente que o ajuste será mais lento e mais caro, trazendo ainda mais sofrimento ao povo.

Ou então significa que o governo vai tentar dobrar a aposta no populismo e na irresponsabilidade fiscal, comprometendo ainda mais o futuro do país.

Ninguém sabe o que vai acontecer. O país sofre com a crise econômica, mas o foco 1, 2 e 3 do governo é a luta contra o impeachment.

Um dia depois da fala de Lula, Levy foi ao Congresso e falou que ou se aprova a CPMF ou os programas de seguridade social estarão ameaçados.

Levy falou a verdade. Gastar dinheiro que não se tem cria problemas graves, não soluções. Mas nesses tempos loucos, falar a verdade é um exercício suicida.

(F:sérgio malbergier Via Folha e Agência)

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