13/05/2016

17:21

Por: Alberto Silva

Medidas radicais serão tomadas no governo Temer e não poderão ser revertidas, veja como…

Entre os nomes que serão anunciados na segunda-feira está o do novo presidente do BC.

O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) afirmou nesta sexta-feira (13) que o novo governo irá anunciar medidas para reverter a trajetória de crescimento da dívida pública que precisam ser viáveis e não podem ser revertidas.
Em sua primeira entrevista coletiva, Meirelles disse que as medidas não serão anunciadas neste primeiro momento, porque o governo começa hoje e é necessário analisar os números deixados pelos antecessores.

“A minha ideia é no devido tempo ir anunciando as medidas que serão tomadas”, afirmou. O ministro ainda que o nome da sua equipe será anunciado apenas na segunda-feira (16).

Durante a entrevista, Meirelles apresentou somente o novo secretário executivo da Fazenda, Tarcísio Godoy, que será o número 2 da pasta.
“Os demais estão devidamente encaminhados e durante o final de semana vou chegar a uma conclusão final”, afirmou.

Durante a entrevista, Meirelles apresentou somente o novo secretário executivo da Fazenda, Tarcísio Godoy, que será o número 2 da pasta. "Os demais estão devidamente encaminhados e durante o final de semana vou chegar a uma conclusão final", afirmou.

Entre os nomes que serão anunciados na segunda-feira está o do novo presidente do BC. Diante da insistência dos jornalistas, Meirelles afirmou que o nome não está decidido e, em tom de brincadeira, disse que não se pode descartar a manutenção de Alexandre Tombini à frente do cargo. “Eu não estou dizendo quem é. Se é ou não é o Alexandre Tombini.”

PRINCIPAL PROBLEMA
Para o ministro, o principal problema responsável para crise econômica é a trajetória de crescimento da dívida pública, que classificou como insustentável.
Meirelles afirmou que as medidas adotadas nesse sentido, que devem ser concretas e com grande chances de aprovação no Congresso, não farão com que a dívida passe a cair imediatamente. Mas contribuirão para elevar a confiança de empresas e consumidores em relação à reversão futura desse processo de aumento.

“O problema não é o prazo de efeito das medidas. É o prazo de implementação e aprovação. Por outro lado, é importante que sejam medidas consistentes, que sejam tomadas e não revertidas”, disse.
“A consequência é que as pessoas voltam a comprar, a consumir, a tomar crédito. Esse pode ser um processo relativamente rápido.”

MUDANÇA DE ITINERÁRIO
Meirelles afirmou mais de uma vez que o governo terá de adotar medidas “duras” e disse estar confiante na capacidade de ter o apoio do Congresso e da população para fazer o que julgar necessário para conter a queda do emprego e da renda.
“O Congresso reflete a sociedade, e a sociedade está amadurecida para medidas de ajuste importantes. O que não é possível é continuar como está”, afirmou. “O país está aguardando uma mudança no itinerário da economia. Existe uma demanda da sociedade para uma reversão na trajetória da economia, do emprego e da renda.”
Em vários momentos, o novo ministro indicou ter dúvidas sobre a veracidade dos dados econômicos apresentados pelo governo Dilma Rousseff, inclusive sobre os números de empresas estatais. Chegou a falar até em auditar se for necessário.
“Sou o primeiro a querer saber quanto tempo levaremos para saber qual o real tamanho do problema”, afirmou.

Ao falar sobre especificamente sobre as estatais, disse que não é conveniente que se aceite o primeiro número que aparece em avaliações sobre a situação financeiras dessas companhias. “Sei que é preciso analisar no detalhe para ter acesso a números realistas.”

TETO PARA DESPESAS
Meirelles já indicou uma mudança importante na gestão fiscal em relação aos governos passados. Segundo ele, o governo deve praticar o nominalismo -quando os cálculos ignoram a inflação- nas políticas públicas a fim de desindexar a economia.
Isso é uma guinada brusca em relação às políticas de governo petistas, que buscavam fornecer crescimento real (acima da inflação), principalmente aos salários.
“O nominalismo é evitar um processo de indexação generalizada, de maneira que o gasto público, mesmo com efeitos da inflação, não fiquem acentuados e não complique a fixação de tetos e limites”, diz o ministro.

Serão pensados tetos para o nível de despesas, tanto do governo federal, quanto dos Estados. “Os detalhes de tudo isso estão sendo discutidos. Os tetos serão relacionados a produtos e a um nível nominal de despesas e preços.”
Os tetos estaduais devem integrar as medidas que serão negociados com as unidades federativas para resolver a situação fiscal dos estados. “Será um acordo que não comprometa o governo federal. Esse acordo vai passar por uma disciplina fiscal rigorosa do estados, mas não entramos ainda em detalhes”, diz Meirelles.

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