28/04/2016

23:45

Por: Alberto Silva

Mandato pertence aos meus eleitores, afirma Dilma à CNN

Amanpour perguntou à presidente se o fato de ser mulher não contribuiu para o avanço do processo contra ela.

Em um programa de 30 minutos que foi ao ar nesta quinta (28) na rede de TV americana CNN, a presidente Dilma Rousseff voltou a negar a possibilidade de renunciar ao cargo para evitar desgaste e “mais divisão” causados pelo processo de impeachment ao país.
Questionada pela correspondente Christiane Amanpour sobre a hipótese de deixar o cargo voluntariamente, Dilma afirmou que seu mandato não pertence somente a ela. “Pertence aos 54 milhões de votos que me foram dados e aos 110 milhões que participaram [do processo eleitoral]”, respondeu.

A jornalista, então, rebateu citando que cerca de 60% da população defende a saída presidente. Em abril, pesquisa Datafolha apontou essa taxa para os que defendem a renúncia de Dilma e também do vice-presidente, Michel Temer.
Dilma argumentou que a destituição de um governante não pode se basear em uma pesquisa de opinião e que a popularidade de um presidente é “cíclica”.
“Não pode ser simplesmente você fazer uma pesquisa. Um processo eleitoral é o momento de debate, não é uma fotografia congelada de um determinado momento em que um país passa. [Se fosse assim] Cada vez que um presidente tiver flutuação de popularidade, ele vai ser retirado do cargo”, afirmou.

Na entrevista exclusiva, a petista disse ser vítima de uma injustiça e voltou a afirmar que não há fundamento legal para o impeachment. Ao ser questionada sobre as medidas fiscais que baseiam o pedido de impeachment, Dilma declarou que as condutas eram “aceitáveis” em governos anteriores e mesmo em seu primeiro mandato.
A denúncia que hoje é discutida no Senado cita como irregularidades as pedaladas fiscais (atrasos nos pagamentos a bancos públicos) e a liberação de créditos suplementares por meio de decretos, sem o aval do Congresso.
A correspondente perguntou por que presidente “maquiou” balanços para, supostamente, esconder o rombo orçamentário em ano eleitoral.

Não pode ser simplesmente você fazer uma pesquisa. Um processo eleitoral é o momento de debate, não é uma fotografia congelada de um determinado momento em que um país passa. [Se fosse assim] Cada vez que um presidente tiver flutuação de popularidade, ele vai ser retirado do cargo", afirmou.

“[As acusações] Não têm a ver com alteração dos balanços ou com as eleições. Têm a ver com uma prática que era corrente em todas as gestões anteriores à minha. Uma prática aceitável e regular. Então, se não é um crime, por que considerá-la hoje uma infração passível de impeachment?”
SEXISMO
Amanpour perguntou à presidente se o fato de ser mulher não contribuiu para o avanço do processo contra ela. “Sim, eu sou uma mulher durona cercada de homens fofos, educados, gentis e bondosos”, brincou Dilma. “Só mulheres são descritas como duronas como tomam uma posição.”
Dilma afirmou ainda que não se considera uma política tão boa quanto seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. “Sou uma pessoa que faz coisas. Uma executora, uma pessoa dedicada.”

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