20/10/2015

11:43

Por: Alberto Silva

“Mais um capítulo da novela” relator prepara pizza e inocenta Dilma, Lula e Gabrielli

..Petista Luiz Sérgio afirma que faltam evidências para apontar indiciados por fraudes na estatal e usa relatório final para atacar investigadores da PF, MP e Justiça

O roteiro volta a se repetir no Congresso Nacional e mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) caminha para terminar com resultados inócuos. Apesar de todo o alarde em torno da sua criação, a CPI da Petrobras teve seu relatório final apresentado nesta segunda-feira sem indiciar nenhum novo nome ao Ministério Público ou tampouco ouvir os deputados envolvidos no escândalo de corrupção da petrolífera. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi o único a sentar na tribuna na condição de investigado. Mas compareceu ao colegiado por iniciativa própria e, agora, está com o mandato em xeque sob a suspeita de ter mentido sobre a existência de contas no exterior. Mesmo diante das evidências, Cunha também termina poupado.

Em sessão que por pouco não aconteceu por falta de quórum, o relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), apresentou o parecer final com um forte componente político. Ex-ministro do governo Dilma, o petista usou o documento de mais de 700 páginas para atacar as investigações da Lava Jato e para blindar, além de Dilma, o ex-presidente Lula e os ex-presidentes da Petrobras Graça Foster e José Sérgio Gabrielli – também vinculados ao PT.

O texto deve ser votado até quinta-feira, já que o cronograma prevê o encerramento dos trabalhos da CPI na sexta.

Em um discurso controverso, Luiz Sérgio afirmou que não há menções ou evidências do envolvimento desses nomes para comprometer a inocência deles. O que não é verdade. Em delação premiada ao Ministério Público, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que Gabrielli “tinha pleno conhecimento de todo o esquema de corrupção que se passava na Diretoria de Abastecimento da Petrobras”. Também em depoimento de colaboração premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que Lula e Dilma sabiam do assalto aos cofres da petrolífera.

Na mira do petrolão, Eduardo Cunha viu apenas argumentos de sua defesa retratados no parecer de Luiz Sérgio. O petista menciona delação do consultor Júlio Camargo, da Toyo Setal, em que afirma ele que o peemedebista pediu propina de 5 milhões de dólares, mas diz que ele omitiu tal informação durante meses, de modo a “ludibriar” o juiz federal Sergio Moro. A defesa de Cunha tenta anular a validade da delação de Camargo com o mesmo argumento.

Sobre a existência de contas secretas no exterior, em que já foram revelados documentos pessoais e a assinatura de Cunha, o petista argumenta que a CPI “não recebeu prova alguma dessas afirmações” e que não cabe a ele adotar providências com base em “acusações sem provas”. O petista ignora as inforamções enviadas pelo MPF ao Supremo Tribunal Federal e a confirmação do procurador-geral da Repúblia, Rodrigo Janot, em ofício por escrito ao PSOL, de que Cunha possui contas secretas na Suíça. Luiz Sérgio transfere ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a responsabilidade de avaliar se Cunha mentiu ao colegiado ao negar a existência das contas. O petista assumiu a relatoria da CPI após um acordo costurado entre ele e Hugo Motta (PMDB-PB), indicado por Cunha para presidir a comissão.

Apesar da extensa lista de parlamentares citados ou já sob investigação no Supremo, o relator não pediu o indiciamento de nenhum deputado ou senador em seu relatório final. Ele acatou, no entanto, sugestões de indiciamento feitas por sub-relatores – a maioria deles já está no escopo da Lava Jato. Entre os nomes alvos de pedido de indiciamento no relatório final da CPI estão os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, os delatores Fernando Soares, o Fernando Baiano e Eduardo Musa e o doleiro Alberto Youssef.

Blindagem – Luiz Sérgio ainda atacou as investigações comandadas pelo Ministério Público, Polícia Federal e Justiça Federal. “É verdade que precisamos destacar a importância da Lava Jato no combate à corrupção, mas não podemos ser ingênuos a ponto de achar que tudo que foi feito até agora está dentro da estrita normalidade. É impossível acreditar que houve rígido controle e absoluta isenção em todas as etapas até agora”, disse o petista. “Os investigadores da Lava Jato parecem escolher os seus alvos, dando sequência a determinadas apurações enquanto vazam outras.” O deputado não conseguiu explicar, no entanto, porque a comissão na qual assumiu posto de comando está próxima de terminar sem apresentar um resultado efetivo.

A CPI da Petrobras foi instalada há quase oito meses com a promessa de se diferenciar dos dois colegiados instalados no ano passado – um acabou sem relatório e outro, composto por deputados e senadores, também livrou os principais envolvidos – e avançar nas investigações sobre o esquema bilionário que sangrou os cofres da principal estatal brasileira. Mas, com dezenas de parlamentares envolvidos no escândalo e aliados de outros políticos citados ocupando postos-chave no colegiado, a CPI deve acabar sem ouvir nenhum dos deputados citados nas investigações ou nomes de peso, como Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, ou Júlio Camargo, um dos delatores do esquema.

A condução da CPI já indicava este caminho. Grande parte das oitivas fracassou, porque os depoentes se recusaram, com aval da Justiça, a responder aos questionamentos dos parlamentares. A cena se repetiu principalmente com empreiteiros convocados. Como esperado, a comissão se prepara agora para chegar ao fim sem trazer à luz nenhum fato diferente do já constatado pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal.

(Via Veja e agência)

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

    Sorry. No data so far.

57

Clique aqui