18/01/2016

22:32

Por: Alberto Silva

“Lula recebeu R$ 50 milhões em propina na campanha de 2006”, diz Cerveró

O ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró refere, em documentação entregue à Procuradoria-Geral da República, anterior ao acerto de sua delação premiada, que a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, recebeu R$ 50 milhões em propina.

Cerveró atribui a informação a Manuel Domingos Vicente, que presidiu o Conselho de Administração da Sonangol, estatal petrolífera angolana. “Manoel (sic) Vicente foi explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobrás a Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.”

O delator afirma ainda que a negociação foi conduzida ‘pelos altos escalões do governo brasileiro e angolano, sendo o representante brasileiro o ministro da Fazenda [Antonio] Palocci”.

A publicação recorda que Cerveró foi diretor da Petrobrás entre 2003 e 2008. Depois de ter sido exonerado do cargo, ele assumiu a Diretoria Financeira da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, onde ficou até 2014, por cerca de 6 anos. O delator destaca no documento que soube da propina por meio de Manuel Vicente. Atualmente, Domingos Vicente é vice-presidente de Angola.

“Nestor tinha uma relação de amizade com o Dr. Manoel (sic) Vicente (presidente da Sonangol), que em conversas mencionou textualmente a frase “Porque nós somos homens do partido! Temos que atender as determinações do partido!”, diz o documento.

Nos papeis, Cerveró não fornece maiores detalhes a respeito da negociação da propina ou como o dinheiro teria chegado à campanha do PT. O delator relata que a costa angolana era conhecida pela capacidade de exploração de petróleo.

“Em 2005, houve uma oferta internacional de Angola, de venda de blocos de exploração em águas profundas, como se fosse um grande leilão”, declarou Cerveró. “O país era extremamente interessante para a Petrobrás: tanto pelo regime político do país aliado do governo brasileiro, quanto pelo fato da companhia já operar e ter escritórios desde 1975 em Angola.”

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