20/11/2015

18:10

Por: Alberto Silva

“Local que é do povo, pago com dinheiro do povo” Renan e Cunha dão 48 horas para manifestantes deixarem Esplanada

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiram dar 48 horas, a partir da noite desta quinta-feira (19), para que os manifestantes que estão instalados no gramado do Congresso Nacional há mais de um mês deixem o local. A decisão foi tomada após o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, ter feito um apelo pela retirada dos acampamentos por temer novos conflitos na área.

A ditadura está de vez implantada no Brasil e você ai, sentando (a), assistindo novela. O governador também determinou o mesmo prazo para que um grupo que defende uma intervenção militar no país deixe o gramado posterior à área do Congresso, local que integra a Esplanada dos Ministérios e é de responsabilidade da administração local.

Nesta quarta (17), uma briga entre manifestantes e integrantes da Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015 terminou com duas pessoas detidas por porte de arma de fogo e disparos durante a confusão. Deputados que acompanhavam a marcha também foram atingidos por gás de pimenta usado pelos policiais para conter os manifestantes.

O policial militar reformado do Maranhão, Marcelo Tadeu, que integra o acampamento que defende uma intervenção militar no país, já havia sido preso na última sexta (13) com uma arma e foi detido novamente nesta semana.

“Desde ontem a noite tivemos uma preocupação muito grande com possíveis confrontos. Tivemos uma noite muito agitada, quando encontraram drogas e houve um princípio de conflito e o governador manifestou a todos nós a preocupação com a incapacidade que ele tem de manter a segurança e a ordem pública do jeito que as coisas estão ficando”, afirmou Cunha após a reunião.

“Eu tenho certeza absoluta que, em um gesto em que acolhemos eles com toda a possibilidade e sem nenhum tipo de constrangimento nesses dias todos, que eles não farão qualquer tipo de resistência para que essa retirada seja feita de uma forma pacífica”, completou o peemedebista.

Os acampamentos que estão instalados no gramado imediatamente à frente do Congresso Nacional são de responsabilidade do Legislativo. Acima deles, há uma pista e uma alameda com bandeiras de todos os estados do país. Atrás desta pista, há um imenso gramado que compõe a Esplanada dos Ministérios. Esta área é de responsabilidade do governo do Distrito Federal.

De acordo com Cunha, os grupos instalados na área do Congresso que não obtiveram autorização para permanecer ali foram comunicados da decisão e já se dispuseram a deixar o local imediatamente, dentre eles, representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que montaram uma grande tenda nesta semana com o objetivo de contrapor as demais manifestações ao defender o governo da presidente Dilma Rousseff.

Já o MBL (Movimento Brasil Livre) e demais movimentos que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, primeiros a ocupar o local e obter uma autorização do presidente da Câmara para montar o acampamento, terão 48 horas para deixar o gramado.

“Eles deixarão de ter autorização para a permanência em frente ao Congresso. […] É simplesmente pela incapacidade de dar segurança a todos eles. Na medida em que um vem e outro vem, o confronto passa a ser iminente a qualquer hora”, explicou Cunha.

CONFRONTO

Rollemberg informou que o grupo pró-intervenção militar não tem autorização para montar o acampamento na Esplanada dos Ministérios. Por isso, ele também concedeu o prazo de 48 horas para que eles deixem o local. Representantes do movimento, no entanto, disseram que não sairão e estão prontos para um confronto com a polícia.

“Vamos comunicar a decisão para o grupo que está na área do DF ainda hoje e esperamos que eles saiam pacificamente. Se não, vamos usar os meios necessários para fazer a desobstrução”, afirmou Rollemberg.

O governador afirmou que não autorizará o uso de armas letais em uma eventual ação de retirada dos manifestantes mesmo que eles tenham dito que estão armados. Muitos dos integrantes deste acampamento são policiais militares reformados que possuem porte legal de armas de fogo.

“Não vamos usar [armas letais]. A polícia de Brasília tem os menores índices de letalidade no país. Não há nenhuma autorização para acampamento naquela área. Nos estávamos admitindo a manifestação em função do respeito à liberdade de expressão. Em função dos incidentes e para evitar mal maior entendemos que é necessária a desocupação”, explicou.

Questionado se considerava que havia errado ao conceder a autorização para as primeiras manifestações, Cunha negou. “Não acho que eu errei. Eu concedi uma autorização e o presidente Renan precisava conceder. Eu concedi porque um número de pessoas pequeno e que estava aí para um prazo que era aparentemente determinado. O prazo foi ficando indeterminado, o contingente foi aumentando e passou a atrair forças antagônicas. Aí passou a ter outro tipo de dimensão”, disse. De acordo com ele, o prazo era até o dia 15 de novembro, data em que aconteceria uma manifestação contra a presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Cunha, o Congresso não dará mais autorizações para novos acampamentos. “Se não vai virar um estímulo constante para ter um movimento atrás do outro”, disse.

Renan já havia declarado mais de uma vez que era contrário aos acampamentos e que não havia dado aval para que eles fossem montados em frente ao Congresso. Um ato conjunto, de 2001, das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, proíbe qualquer tipo de construção no gramado em frente ao Congresso. As barracas, no entanto, foram montadas no final de outubro, após o presidente da Câmara ter dado autorização unilateral.

(via agências)

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