19/03/2015

09:12

Por: Alberto Silva

Lobista pagou R$ 1,4 mi a José Dirceu em serviços não executados

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – condenado no processo do mensalão e investigado por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras – recebeu, por meio de sua empresa JD Consultoria, R$ 1,45 milhão de Milton Pascowitch, citado pelo ex-gerente da estatal Pedro Barusco como operador das propinas ao PT a serviço da empresa Engevix.

Os pagamentos a Dirceu foram realizados em 2011 (R$ 300 mil) e em 2012 (R$ 1,15 milhão), por meio de uma empresa de Pascowitch, a Jamp Engenheiros Associados Ltda., sexta no ranking dos pagamentos feitos ao ex-ministro desde a sua saída do governo. A força-tarefa vai investigar se os serviços contratados foram executados pela JD. A suspeita é que o contrato entre as duas empresas tenha sido simulado para lavar dinheiro de propina.

A informação faz parte do inquérito que investiga Dirceu no âmbito da Lava Jato. Segundo Barusco, Pascowitch é o homem que operou o pagamento de propinas em sete contratos bilionários da Engevix com a Petrobras. Nesta terça, o ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada confirmou à Justiça Federal a relação da construtora com Pascowitch, citado por ele como “lobista” que recebia comissões que variavam de 0,5% a 1% dos contratos obtidos junto à Petrobras, “para facilitar o contato com diretores da estatal”.

Imóvel. A Receita Federal levantou suspeitas sobre R$ 400 mil dados por José Dirceu como parte do pagamento da casa onde funcionava a JD, em São Paulo. De acordo com relatório enviado à Justiça Federal do Paraná, a quantia não passou pelas contas do ex-ministro em 2012, ano em que o negócio foi fechado.

O documento da Receita destaca que a casa – localizada em uma área nobre, ao lado do parque Ibirapuera – foi comprada por R$ 1,6 milhão, sendo que R$ 400 mil foram pagos com recursos próprios, e o restante financiado pelo Banco do Brasil em 161 prestações.

Segundo o relatório, “(há) possível movimentação financeira incompatível (especialmente em maio), pois, segundo declarações do contribuinte, o mesmo teria pagado R$ 400 mil relativos ao imóvel com recursos próprios, porém esses recursos não circularam pela sua conta-corrente”.

O documento diz ainda que caberiam diligências aos vendedores do imóvel para verificar como foi efetuado o pagamento. A advogada de um dos vendedores disse que só informará como o seu cliente recebeu os R$ 400 mil se for notificada pela Justiça.

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