19/03/2015

09:33

Por: Alberto Silva

Jovem faz ‘careta do dentinho’ para combater machismo e vira sucesso

A estudante Débora Adorno usou a tática para se defender das cantadas grosseiras que recebeu na última sexta-feira, no centro de Belo Horizonte; relato da jovem é sucesso nas redes sociais

Nem xingamento, nem agressão, muito menos spray de pimenta. A “careta do dentinho” foi a estratégia usada pela estudante Débora Adorno, de 22 anos, para se defender das cantadas constrangedoras que recebeu enquanto caminhava pelas ruas de Belo Horizonte na última sexta-feira. A tática deu tão certo que em pouco menos de uma semana, o relato que a estudante publicou no Facebook já teve quase 4.000 compartilhamentos e uma repercussão astronômica nas redes sociais.a conta que, no caminho a pé, entre a avenida Afonso Pena e a Oiapoque, não foram poucas as cantadas grosseiras que ela recebeu. Mas mesmo constrangida, ela decidiu “reagir” quando percebeu que um dos homens vinha em sua direção e que iria mexer com ela. “Foi uma coisa muito espontânea. Fiz a careta e ele assustou. Depois disso, nenhum homem mais mexeu comigo. Essa careta do dentinho eu já fazia de brincadeira, para avacalhar foto. Cheguei em casa super feliz”, disse a estudante.

Acostumada a andar pelas ruas com a cara fechada, para se proteger dos inconvenientes, ela conta que seguiu até seu destino fazendo a careta e que não foi mais incomodada. “Hoje eu senti que eu venci o patriarcado, mesmo que só por alguns momentos, hoje eu senti que dei um tapa na cara dessa cultura invasiva de cantadas de rua, hoje eu me senti confortável andando sozinha no centro”, escreveu no Facebook. “Eu pensei em compartilhar com os meus amigos no Facebook, e aí foi crescendo”, disse.

A repercussão veio em forma de quase 30 mil curtidas e milhares de compartilhamentos, além de mensagens de apoio. Militante feminista, principalmente na internet, Débora conta que está feliz com a proporção que a postagem alcançou, porque muitas mulheres passam pelo mesmo constrangimento todos os dias. “As pessoas podem dizer, ‘ah, isso é porque você é bonita’, mas não é por ser bonita ou não, isso é uma coisa que toda mulher passa, pode estar de shortinho ou toda coberta”, disse a estudante.

Satisfeita com o resultado da tática, Débora diz que vai usá-la sempre que for necessário. “Eu só queria andar pela rua tranquila”, disse.

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Comentários

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