10/09/2015

13:40

Por: Alberto Silva

Já tem deputados pensando em renunciar “Lobista F. Baiano esteve na Câmara dos Deputados antes de fazer pagamentos de propina”

Apontado como responsável por repassar para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) propina do esquema de corrupção descoberto na Petrobras, o lobista Fernando Soares esteve na Câmara dos Deputados dias antes de receber os últimos pagamentos do lobista Júlio Camargo. Um dos delatores da Operação Lava-Jato, Camargo afirmou, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, que os pagamentos feitos a Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, eram propina e tinham o presidente da Câmara como destinatário final.

Segundo registros de entrada da Câmara, que foram obtidos pelo PSOL e serão enviados à Procuradoria, Baiano foi ao anexo 4 em 3 de outubro de 2012. É o principal prédio onde ficam os gabinetes dos deputados federais. Os registros, porém, não revelam o local exato a que ele se dirigiu. Naquela data, Cunha estava em Brasília, de acordo com os registros das viagens pagas com verbas do seu gabinete nessa época.

Pouco depois, em 10 de outubro, Júlio Camargo repassou 422 mil reais a uma empresa de Baiano. Em 30 de outubro, fez o último pagamento a Baiano, no valor de 377 mil reais. As transferências foram identificadas pelos investigadores com a quebra de sigilo bancário das empresas de Camargo. As declarações de Camargo e os comprovantes das transferências são as principais evidências exibidas pelo Ministério Público na denúncia apresentada contra Cunha ao Supremo Tribunal Federal, que ainda não decidiu se aceitará a ação penal, o que tornaria Cunha réu.

O deputado é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Procuradoria. Camargo disse que o peemedebista tinha 5 milhões de dólares em propina a receber. A Câmara registrou nove visitas de Baiano, entre 2005 e 2014. Em 10 junho de 2005, Baiano participou de uma reunião na Petrobras com o então diretor Nestor Cerveró, o lobista Julio Camargo e representantes da empresa Mitsui, de acordo com a Procuradoria. (Folhapress) 

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