17/08/2015

12:14

Por: Alberto Silva

“Já disse a eles que não cogito em renunciar” disse Dilma no Palácio do Alvorada ao se referir a imprensa.

Brasília. Mesmo reconhecendo nos bastidores a amplitude dos atos realizados em todo o país, o governo federal preferiu optar pelo silêncio. A presidente Dilma Rousseff chegou a se reunir fora da agenda oficial com diversos ministros, mas optou por não se pronunciar. Nem mesmo uma comissão de membros do governo foi escalada para falar, como nas outras ocasiões. Apenas o ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, deu uma rápida declaração aos jornalistas na saída do encontro. Ele afirmou que o Planalto “viu as manifestações dentro da normalidade democrática, não vou me pronunciar porque já disse que não cogito em renunciar".

A dificuldade de o governo se expressar diante dos protestos realizados ontem tem explicação no foco dos atos, que pediam quase em uníssono o impeachment da presidente. Assim, o Planalto ficou sem ter o que prometer aos que se indignavam.

Líderes do PT no Congresso, no entanto, avaliam que a mudança de foco para o “Fora, Dilma” reduziram a participação popular em relação aos protestos realizados em março e abril deste ano.

Líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), acredita que “as pessoas sabem que Dilma foi eleita democraticamente e tem o respaldo do voto popular” e, por isso, veem que “não há motivo” para tirá-la da Presidência da República.

“Muitas coisas essa semana enfraqueceram as manifestações, como o acordo do Senado com o governo. Se a passeata ganha caráter só de impeachment, as pessoas acham que não há motivo para isso”, disse.

Para o líder do PT na Casa, senador Humberto Costa (PE), “a população já percebeu que não há base legal e constitucional para o impeachment”.

Apesar disso, Costa considerou que, mesmo menores, as manifestações continuam sendo expressivas. “Muitas coisas estão começando a ser revertidas, mas ainda é preciso que governo apresente soluções melhores para a economia”, disse.

Já o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), considerou que a semana que se passou foi “decisiva” para o governo e ajudou a frear a participação nos protestos.

Oposição. Participando dos atos em Brasília, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) destacou a impopularidade do governo. “O grau de reprovação da presidente é oceânico, independentemente do número de pessoas nas ruas, que é grande”, afirmou.

Para o deputado Paulinho da Força (SD-SP), os atos devem seguir. “Temos que continuar batendo no impeachment. Não tem outra saída. Eu particularmente não acredito mais que tem solução para o Brasil com a Dilma. Para você ter um novo ânimo no Brasil, você precisa ter um novo governo. Com a Dilma não dá mais”, disse.

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