02/08/2016

16:53

Por: Alberto Silva

Homem que xingou Letícia Sabatella de ‘puta’ é filho de banqueiro corrupto

Empresário e filho de banqueiro envolvido em escândalo de corrupção, conheça o homem que encheu a boca para chamar Letícia Sabatella de 'puta'

O homem que chamou a atriz Letícia Sabatella de ‘puta’ em Curitiba é o empresário Gustavo Pereira Abagge. Seu pai, Nicolau Elias Abagge, foi presidente do Banestado, do Paraná.

Em 1998, o banco tornou-se símbolo de lavanderia de dinheiro, com quantias enviadas para paraísos fiscais fora do País num escândalo de corrupção que é apontado com um dos maiores já registrados na história do Brasil.

No relatório final da CPI do Banestado, a pena sugerida a Nicolau foi de apenas 10 anos.

Gustavo, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, é filiado ao PSD, partido fundado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que foi base do governo Dilma Rousseff até pouco antes de o processo de impeachment contra a petista ganhar força. Hoje, o PSD é base do governo interino de Michel Temer.

Confira o que publicou o jornal O Estado de S.Paulo sobre o caso Banestado:

“O juiz da Lava Jato conduziu o processo originário do escândalo do Banestado, que apurou fraude bilionária via envio de recursos para fora do País por meio de contas de residentes no exterior (contas CC5). Na denúncia do Ministério Público Federal – recebida pela Justiça Federal, do Paraná, no dia 6 de agosto de 2003 -, 14 ex-funcionários do banco foram acusados por evasão de divisas e formação de quadrilha. Os réus foram condenados no dia 2 de agosto de 2004 a penas de prisão que variaram de 4 a 12 anos”.

O juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato – operação que Gustavo apoia publicamente no Facebook -, foi também o condutor da investigação no Banestado.

Nas palavras do juiz de Curitiba, “trata-se de processo relativo a um dos maiores crimes financeiros da história recente do Brasil, com a estruturação de esquema fraudulento de remessa de pelo menos R$ 2.446.609.179,56 nos anos de 1996 a 1997 ao exterior, o que favoreceu criminosos de toda a espécie”

Comentando o caso e a demora pela prisão dos envolvidos, Moro diz: “Há algo de errado em um sistema criminal que leva tanto tempo para produzir uma condenação definitiva.”.

Em sua página no Facebook, Gustavo Abagge publicou uma foto de Letícia Sabatella, comemorando o fato de a atriz “quase sair linchada” ao passar por uma manifestação na Praça Santos Andrade, na capital paranaense.

Gustavo, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, é filiado ao PSD, partido fundado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que foi base do governo Dilma Rousseff até pouco antes de o processo de impeachment contra a petista ganhar força. Hoje, o PSD é base do governo interino de Michel Temer.

Entenda o caso
Letícia Sabatella foi agredida em Curitiba no último domingo e postou o vídeo em suas redes sociais. Vestidos com camisetas do Brasil, os agressores carregavam faixas e cartazes com a mensagem “República de Curitiba”, e xingaram Sabatella.

No vídeo, Gustavo Abagge aparece xingando a atriz de “puta”. Ele não é o único a agredir a atriz.

Uma mulher aparece no vídeo e aos gritos diz: “Comunista, cria vergonha. Nossa bandeira jamais será vermelha. Sem vergonha, acabou a mamata pra vocês. Chora petista”.

Contra os xingamentos, Sabatella apenas replica: “Vocês não são democráticos”.

“Não fui provocar ninguém, passava pela praça antes de começar a manifestação e parei pra conversar com uma senhora. Meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem”, escreveu Sabatella em um post na rede social.

Após o ocorrido, diversas pessoas manifestaram apoio a Sabatella, com mensagens nas redes sociais. Entre eles, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e o ex-senador Eduardo Suplicy (PT).

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