20/08/2015

12:34

Por: Alberto Silva

Economista diz que é melhor continuar com DILMA, mudanças podem piorar a crise do Brasil

Apesar da crise que assola o País e das recentes manifestações do último domingo, 16, em todo o Brasil, pedindo o impeachment da presidente, o cenário mais favorável neste momento para a política econômica brasileira passa pela manutenção de Dilma Rousseff (PT) no comando do país. A avaliação foi feita pelo economista Gesner Oliveira, principal sócio da GO Associados e ex-presidente do Cade, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Nas projeções feitas pela GO Associados sobre a influência dos cenários políticos na economia do país foram levados em conta alguns panoramas. O cenário que prevê a manutenção da presidente Dilma no Palácio do Planalto, num processo de rearticulação com as forças de centro do Legislativo, especificamente o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), é o mais favorável para a economia brasileira. “Você não vai ter o melhor dos mundos, mas teremos uma combinação de política macroeconômica austera com uma política microeconômica consistente, pró-investimento”, reitera Gesner.

E explica: “Achamos isso possível pelo fato de a nossa infraestrutura estar em frangalhos, isso é terrível, mas é uma tremenda oportunidade, em razão do apetite que há nesses novos investimentos em portos, aeroportos, rodovias. O potencial é enorme”, afirmou o sócio da GO em referência aos projetos do Programa de Investimento em Logística (PIL), cuja segunda etapa, estimada em R$ 198,4 bilhões, sendo R$ 69 bilhões até 2018, foi lançada pelo governo em junho. “E se eu estivesse em um processo de impeachment, é claro que eu iria aguardar (ele terminar) antes de partir para esses investimentos, em projetos que podem demandar cerca de 30 anos”, complementa.

Em um outro panorama, que na avaliação de Gesner tem “chance zero” de ser colocado em prática, Dilma se aliaria numa composição mais à esquerda, abandonando o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e adotando uma política heterodoxa. O impacto na economia seria muito negativo, com o País perdendo o grau de investimento, explosão do dólar e uma queda do PIB de 5%.

Um outro cenário, o de eventual impeachment, traria reflexos igualmente negativos para a economia, diz a GO Associados, em razão do período de incertezas, debates e uma certa barganha no processo de votação no parlamento. “Mesmo se o governo quisesse implantar uma política minimamente consistente, não conseguiria. A política macro seria intencionalmente austera, mas na prática permissiva. E do ponto de vista da política microeconômica, seria muito ruim, pelas incertezas geradas pelo impeachment, o que acabaria impedindo investimentos exequíveis no Programa de Investimento em Logística (PIL), que os analistas não estão dando muita atenção, mas há investimentos exequíveis em rodovias, aeroportos, portos e ferrovias”, destaca Gesner.

Na avaliação do sócio da GO Associados, a manutenção de um governo, “ainda que frágil e baseado numa coalizão movediça”, é o cenário, no momento, mais favorável para a economia brasileira. “Não fazemos torcida, fazemos análise. O que vai acontecer, ninguém sabe, mas o cenário mais favorável do ponto de vista da política econômica, tanto macro quanto micro, é a manutenção de Dilma. O impacto disso sobre o PIB – somos mais otimistas do que o mercado – é de uma queda de 2% este ano e de ligeira recuperação em 2016.”

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