17/06/2016

21:32

Por: Alberto Silva

Dilma afirma que Impeachment teve um objetivo “parar as investigações”

A presidente afastada chamou o processo de impeachment de "fraudulento e golpista", afirmando que não cometeu crime de responsabilidade.

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) afirmou na manhã desta sexta-feira (17) em Lauro de Freitas, cidade da Grande Salvador, que o processo de impeachment é uma tentativa de desmontar as ações de seu governo e interromper as investigações da Operação Lava Jato.

Mais tarde, já no Recife, Dilma voltou a atacar seu afastamento e falou em “golpe mão de gato”.

“As razões de impeachment estão ficando cada vez mais claras para a população. É desmontar o governo que construímos ao longo dos últimos 13 anos. É querer diminuir o controle sobre todos os processos que levam à Lava Jato. É tentar negociar uma forma de interromper investigações”, afirmou na Bahia.

No Recife, a presidenta está acompanhada do líder do PT no Senado, Humberto Costa, além do ex-ministro da Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro (PTB). Ela participa, ainda nesta sexta, de mais um ato no Centro do Recife, desta vez organizado pela Frente Brasil Popular.

As declarações foram dadas durante uma visita ao Centro Pan-americano de Judô, inaugurado há dois anos para preparação de atletas para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. No local, Dilma foi recebida por militantes petistas que gritavam “volta, querida”.

A presidente afastada chamou o processo de impeachment de “fraudulento e golpista”, afirmando que não cometeu crime de responsabilidade.

“Esse processo de impeachment é, sobretudo, um golpe que fica cada dia mais claro. Cada vez que passa o tempo, o julgamento será o julgamento que o povo brasileiro vai fazer. E esse julgamento deixa claro que esse é um processo que tem muito pouca base do que eles chamam de pedaladas fiscais”, disse.

Dilma voltou a criticar as ações do governo interino e acusou a atual gestão de querer “acabar com programas sociais”, reduzir os investimentos em saúde e educação e “entregar o patrimônio” do país com a mudança no modelo de exploração dos campos de petróleo do pré-sal.

Questionada sobre as novas delações, Dilma afirmou ser a favor das investigações, mas disse que não concorda com vazamentos seletivos e cm o uso da investigação de forma parcial “para atingir esse ou aquele”.

“Os excessos não são corretos. E fato de ter excessos tem que ser corrigido, mas não pode alegar que, com isso, você não investigue”, disso.

Ao ser questionada sobre o pedido de demissão do ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, que também ocupou a mesma pasta na sua gestão, Dilma preferiu não comentar.

NO RECIFE

Na capital pernambucana para lançamento do livro “A Resistência ao Golpe de 2016”, Dilma usou a expressão “golpe mão de gato” para diferenciar o termo do golpe militar de 1964.

“Eles insistem em dizer que não é golpe porque não derrubou a democracia como fizeram os militares. Mas é golpe, pois eles atacam as instituições democráticas como verdadeiros parasitas”, afirmou a petista em discurso para alunos e professores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), nesta sexta-feira (17).

Sem citar o nome do presidente interino, Michel Temer (PMDB), a petista disse que o remédio para “matar o parasita” era continuar mobilizando as forças que apoiam o retorno do seu governo.

“Nosso ataque não é sugar as instituições. O que mata o parasita é o oxigênio do debate. Vamos discutir em todos os lugares, principalmente, nas ruas”, disse.

EDUCAÇÃO

Falando para uma plateia de alunos e professores que lotou os 240 lugares do auditório da UFPE, Dilma Rousseff criticou os planos da gestão Temer para a educação. Ao lado de Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, ela disse que a área “deixou de ser prioridade do Palácio do Planalto”.

“O que temos hoje é um desmonte sistemático das instituições que nos levarão a retrocessos. Os ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia, por exemplo, foram reduzidos ao status de secretaria, colocando em riscos programas como o ProUni e o Fies”, afirmou a presidente.

A declaração da petista foi interrompida por gritos de “Fora Mendonça [Filho]”, atual ministro da Educação.

PACTO POLÍTICO

Em entrevista rápida à imprensa, Dilma voltou a defender a construção de um “novo pacto político”.

“Com a minha volta ao governo teremos que construir um verdadeiro governo de salvação nacional, e isso não existe com golpistas. Eles não venceram [as eleições], são provisórios”, disse.

No Recife, a presidenta está acompanhada do líder do PT no Senado, Humberto Costa, além do ex-ministro da Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro (PTB). Ela participa, ainda nesta sexta, de mais um ato no Centro do Recife, desta vez organizado pela Frente Brasil Popular.

TOUR NORDESTINO

Após visitar o centro esportivo de Lauro de Freitas, Dilma embarcou em um voo fretado pelo PT para Recife.

Os eventos fazem parte de uma série de viagens da presidente afastada por capitais do Nordeste, principal reduto eleitoral do PT.

Dilma tem usado os atos para replicar o discurso de que o governo interino de Michel Temer é “ilegítimo” e “quer impor retrocessos à população”.

Na quinta-feira (16), Dilma participou na Bahia de um ato político e de uma cerimônia de entrega do título de cidadã baiana.

Na quarta (15), a petista esteve em João Pessoa, onde participou de uma audiência pública no Centro Cultural José Lins do Rego, onde comparou o governo Temer a oligarquias da República Velha.

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