14/09/2015

19:17

Por: Alberto Silva

Depoimentos de hoje na Lava-Jato pelos Ex-diretores Petrobras podem colocar mais gente na cadeia, veja aqui ..

O ex-diretor da área de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco prestaram depoimento à Justiça Federal, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira (14). Os dois delatores foram testemunhas de acusação na ação penal referente à 15ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em junho deste ano. Eles falaram sobre o esquema de proprina na área Internacional.

“Falava-se que tinha esse pedágio, tinha que pagar algum valor em relação ao apoio político, mas especificamente da área Internacional eu não sabia o percentual. Nunca soube”, disse Paulo Roberto Costa. De acordo com ele, não se chegava a um cargo de direção na Petrobras sem apoio político.

Já Pedro Barusco confirmou o pagamento de vantagem indevida em contratos para Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da área Internacional: “Eu sei que foi mais de um contrato, mas eu só me lembro com certeza de um, que foi esse projeto da [plataforma] P-51 onde, na divisão, tinha além de mim, além do Renato Duque [ex-diretor da área de Serviços], tinha uma parcela para o Dr Zelada”.

Questionado se tratou do assunto diretamente com Zelada, Barusco disse que sim, porém, que isso ocorreu quando Zelada ainda era gerente-geral na Engenharia. “Depois que ele foi para a área Internacional, a gente só fez alguns acertos de contas, mas dessa parte relativa à área de Engenharia”, explicou.

O ex-diretor e o ex-gerente foram ouvidos pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

Entre os réus desta ação referente à 15ª fase estão o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada e o delator Hamylton Pinheiro Padilha Júnior, acusado de ser um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Lava Jato.

Zelada está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Já Hamylton Padilha não chegou a ser detido. Os dois participariam da audiência como ouvintes, mas pediram dispensa por meio da defesa. O pedido foi aceito pelo juiz.

Apoio político
O ex-diretor Paulo Roberto Costa afirmou na audiência que não se chegava à diretoria da Petobras sem apoio político: “Eu entrei na diretoria em 2004 apoiado pelo PP e sabia já que os diretores que entraram em janeiro de 2003 também tinham apoio de partidos, principalmente do PT e do PMDB. A diretoria sempre teve apoio político – para chegar a diretor tinha que ter apoio político, senão não chegava por méritos próprios, era assim que funcionava a Petrobras”.

“A respeito do Zelada – as empreiteiras falavam, as pessoas lá falavam, isso era de conhecimento público – que ele teve apoio do PMDB de Minas”. Ele não soube dizer qual parlamentar que teria apoiado Zelada.

O G1 tenta contato com os citados nos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco.

Acusação
Jorge Zelada é acusado de envolvimento no esquema bilionário de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), ele atuou no esquema desde quando atuava na gerência da empresa.

Zelada foi sucessor de Nestor Cerveró – já condenado pelo crime de lavagem de dinheiro – no cargo e atuou entre 2008 e 2012 na estatal. Acusado de receber propina, Cerveró também está preso no complexo médico.

Em um depoimento de delação premiada, Paulo Roberto Costa confirmou que Zelada era um dos beneficiários do esquema de corrupção. Pedro Barusco também afirmou que o ex-diretor da área Internacional foi beneficiado à época em que era gerente geral de obras da Diretoria de Engenharia e Serviços.

Barusco declarou ainda que Zelada negociava diretamente com as empresas em contratos menores na área de exploração e produção. O delator também informou que repassou diretamente a Zelada R$ 120 mil. O pagamento foi efetuado, conforme o delator, em três visitas à casa do ex-diretor.

A Polícia Federal (PF) e o MPF afirmam que Jorge Zelada realizou repasses milionários para China e Mônaco, sem o conhecimento das autoridades brasileiras – foram transferidos € 11 milhões para Mônaco e outro US$ 1 milhão para a China.

Algumas das transações foram feitas já com a Lava Jato em curso, de acordo com as investigações. Ainda em março deste ano foram bloqueados € 10 milhões, em Mônaco, que seriam do ex-diretor Zelada.

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