14/07/2015

09:33

Por: Alberto Silva

Collor outra vez? Sim PF faz busca em sua casa, alvo da nova fase da operação Lava-Jato

Senadores Fernando Collor de Mello (PTB­AL) e Ciro Nogueira (PP­PI) foram alvos de nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça­feira (14). A BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobras, também foi alvo da operação.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências de Collor em Brasília e em Alagoas. Os policiais também foram à TV Gazeta, afiliada da TV Globo no Estado nordestino, que pertence à família de Collor; ele é um dos principais acionistas.
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O ex­presidente foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Youssef como um dos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. Ele também foi citado pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, em seu depoimento à
Justiça.
Outro citado por Pessoa foi Ciro Nogueira, que é presidente nacional do PP. O empreiteiro afirma ter pago R$ 20 milhões a Collor entre 2010 e 2012 em troca da influência do senador em negócios com a BR Distribuidora e R$ 2 milhões a Nogueira. O senador do PP também foi citado pelo ex­diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa em delação premiada. Segundo a Folha apurou, os policiais foram à distribuidora da Petrobras atrás de documentos que possam ligar a companhia de distribuição a casos de corrupção delatados pelo doleiro Youssef e outros presos da Lava Jato.

INVESTIGADO SUSPEITA O QUE DISSE YOUSSEFF O QUE DISSE COSTA
Ciro Nogueira (PP­PI) Recebia pagamentos mensais do esquema e era um dos líderes que decidiam como distribuir os recursos no PP Assumiu a liderança do partido após a rebelião contra Mario Negromonte no PP. Participou de reunião com Paulo Roberto Costa em que o PP comunicou o afastamento de Youssef Após Ciro Nogueira assumir a liderança do partido, reuniu­se com ele e outros líderes do partido num hotel no Rio, em janeiro de 2012. Aguinaldo Ribeiro, Arthur Lira e Eduardo da Fonte participaram da reunião. Disseram que haviam perdido a confiança em Alberto Youssef e que outra pessoa passaria a ser responsável pela distribuição do dinheiro da propina. Não soube dizer quem. Passou a decidir a divisão do dinheiro após assumir o comando do partido
Fernando Collor de Melo (PTBAL) Recebeu pagamentos frequentes do esquema, incluindo propina cobrada num contrato da BR Distribuidora Fez depósitos e entregou dinheiro a Collor a pedido de Pedro Paulo Leoni Ramos, em São Paulo e Alagoas. Houve entregas de R$ 200 mil a R$ 300 mil em espécie. Um funcionário de Youssef recolheu R$ 3 milhões em postos de combustível de uma rede da qual o BTG era sócio e que mudou para a bandeira da BR Distribuidora. O PP recebeu propina de US$ 2 milhões em Hong Kong por ter apoiado essa transação

Ao todo, a polícia cumpre nesta terça 53 mandados de busca e apreensão –no Distrito Federal (12), na Bahia (11), em Pernambuco (8), em Alagoas (7), em Santa Catarina (5), no Rio (5) e em São Paulo (5) – expedidos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal Teori Zawascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, referentes a seis processos instaurados a partir de provas obtidas na Operação Lava Jato.
Não há prisões previstas. As buscas ocorrem na residência de investigados, em seus endereços funcionais, sedes de empresas, em escritórios de advocacia e órgãos públicos. Segundo a Folha apurou, as ações atingem políticos com mandato; alguns deles atuam no Congresso Nacional.
Essa operação –considerada uma “filhote” da Lava Lato– chama­se Politeia e refere­se aos inquéritos que correm no STF e envolvem suspeitos com foro privilegiado. Por isso não estão na Justiça Federal no Paraná, em Curitiba,
onde fica o QG das investigações sobre os desvios na Petrobras.
Politeia é o nome dado pelo filósofo ateniense Platão (428/27 a.C.­348/47 a.C.) à ideia de uma cidade em que as virtudes éticas deveriam imperar sobre a corrupção, como citado em seu clássico “A República”. Cerca de 250 policiais federais participam da ação.
REENSÃO DE BENS Em nota divulgada nesta terça, o procurador­geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a operação tem como objetivo garantir a apreensão de bens adquiridos com supostas práticas criminosas.
“As medidas são necessárias ao esclarecimento dos fatos investigados no âmbito do STF, sendo que algumas se destinaram a garantir a apreensão de bens adquiridos com possível prática criminosa e outras a resguardar provas relevantes que poderiam ser destruídas caso não fossem apreendidas”, afirmou o procurador­geral. Segundo ele, as medidas ora executadas refletem uma atuação firme e responsável do Ministério Público Federal em busca dos esclarecimentos dos fatos.
OUTRO LADO Advogado se Ciro, Antonio Carlos de Almeida Castro diz que a busca era
desnecessária. “O Senador se colocou à disposição, ofereceu seus sigilos, prestou depoimento. Infelizmente no Brasil de hoje os atos invasivos passam a ser a regra”, disse. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa de Collor. O senador
sempre negou as acusações.

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