16/08/2015

19:33

Por: Alberto Silva

Brasilia (DF) lotada, um ato de soberania, um grito de guerra contra corrupção

Ao estender a mão para a presidente, peemedebista entrou na mira dos manifestantes. Ato na capital federal igualou o público de abril.

Cerca de 50 mil pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar, protestaram neste domingo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra o governo da presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. Depois de estender a mão ao governo na semana passada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entrou na mira dos manifestantes, que defenderam a derrubada de “todos que se recusam a combater o PT”. Já o ex-presidente Lula foi “homenageado” com um boneco de 12 metros de altura vestido de presidiário. Os manifestantes pediram a prisão do petista.

Sem nenhum incidente registrado pela PM, os manifestantes iniciaram a concentração por volta das 9h30 em frente ao Museu Nacional e marcharam em direção ao Congresso pedindo o afastamento da presidente Dilma. O ato foi encerrado por volta das 13 horas.

Ao longo do percurso, vários jingles foram entoados, entre eles “Olê, olê, vamos pra rua para derrubar o PT” e o hit “Saudação à mandioca”, uma analogia a um dos mais notórios tropeços retóricos protagonizados por Dilma, ao saudar a mandioca e o milho no lançamento dos Primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.

Os gritos pelo fim do atual governo, motivados principalmente pelo escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, foram revezados com aplausos ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações do esquema, à oposição e à democracia. Em frente ao Congresso Nacional, os organizadores dos protestos, entre eles o grupo Vem pra Rua, leram um manifesto direcionado aos parlamentares, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e à presidente Dilma. O texto destaca o apoio às ações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça e pede aos congressistas “coragem” para acatarem os pedidos de impeachment. O documento também faz um apelo para que o TCU, ao julgar as contas de Dilma, “não decepcione a nação”.

O movimento pacífico reuniu um público diverso, formado por familiares, estudantes e idosos. Até mesmo aqueles que trabalharam durante o evento pediram o afastamento de Dilma. O vendedor de bebidas Henrique Silva, 24 anos, anunciava a venda de água enquanto pedia o fim do governo petista. “Todo mundo vê o que a Dilma está fazendo. Ela está roubando e tirando do povo, que está passando sufoco”, disse. O arquiteto Antônio Asteca, 68, esteve na Esplanada em 2005, na esteira do escândalo do mensalão, pedindo o impeachment de Lula. Dez anos depois, volta às ruas com a mesma causa: “Estou aqui de novo protestando contra a corrupção do PT. Nada mudou”, afirmou.

Apesar de o governo ter previsto uma baixa na quantidade de participantes na terceira manifestação do ano, a capital federal repetiu a marca de abril, quando, pela primeira vez, os movimentos passaram a defender o impeachment de Dilma. Os organizadores comemoraram a adesão e, ironizando a confusa explicação da presidente ao tratar sobre os números do Pronatec Aprendiz, disseram que, em setembro, vão dobrar a meta.

Governo – Desde o início da manhã, a presidente Dilma recebe relatos do andamento das manifestações em todo o país. Os boletins ficam a cargo do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Uma reunião entre a petista e a coordenação política foi marcada para as 17 horas, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

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