21/08/2015

18:59

Por: Alberto Silva

Brasil recua 13 anos, e fecha 157.905 vagas com carteira assinada; é o pior julho desde 1992

O Brasil cortou 157.905 vagas de trabalho com carteira assinada em julho, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira (21). É o quarto mês seguido com fechamento de vagas e o pior resultado para julho desde 1992.

O número de vagas fechadas em julho representa uma queda de 0,39% no total do estoque de empregos, em comparação com o mês anterior.

Na série ajustada (que usa informações passadas fora do prazo pelos empregadores), até agora foram fechados 494.386 empregos no acumulado do ano. Nos 12 meses até julho, a queda acumulada foi de 778.731 postos.

Em junho, o país havia fechado 111.199 vagas de trabalho com carteira assinada.

Resultado foi pior do que o previsto

O saldo negativo foi maior do que o previsto por analistas. Estimativa do Valor Data, apurada junto a 11 economistas, é de que julho teria fechamento de 115,8 mil postos de trabalho com carteira assinada. Pesquisa da Reuters mostrou que a mediana das expectativas de analistas era de fechamento de 112 mil empregos.

Só agropecuária teve saldo positivo de empregos

Dos oito setores da economia registrados pelo Caged, apenas a agropecuária registrou saldo positivo de vagas em julho, com 24.465 a mais (1,51%). Segundo o Ministério, esse resultado é consequência do período do ano.

Os outros setores tiveram saldo negativo:

  • Indústria da transformação: -64.312 (-0,8%)
  • Construção civil: -21.996 (-0,75%)
  • Comércio: -34.545 (-0,37%)
  • Extrativa mineral: -795 (-0,37%)
  • Serviços: -58.010 (-0,33%)
  • Administração pública: -2.001 (-0,22%)
  • Serviços industriais de utilidade pública: -711 (-0,17)

Governo está tomando medidas necessárias, diz ministro

Nesta sexta-feira, o ministro do Trabalho Manoel Dias disse que o país está tomando as medidas necessárias para reativar a economia e voltar a criar empregos. “O governo está retomando os investimentos. Temos agora leilões que chegam a R$ 180 bilhões”, afirmou.

Ele disse que têm sido investidos bilhões na construção de moradias populares e que isso deve ajudar o setor de construção civil. “É um setor que desempregou muita gente. A construção civil é historicamente complicada no primeiro semestre”, afirmou. “A partir de julho é que começam as contratações.”

Dias não fez previsões para o ano e disse que a economia vem sendo afetada pela crise política.

Desemprego subiu a 7,5% em julho

Na última quinta-feira (20), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o desemprego subiu a 7,5% em julho, de acordo com a PME Pesquisa Mensal de Emprego). Foi a maior taxa para o mês desde 2009, quando tinha sido de 8%.

Considerando todos os meses, foi a maior taxa em mais de cinco anos. Em março de 2010, o desemprego tinha sido de 7,6% e, em maio daquele ano, de 7,5%. Desde junho de 2010, a taxa não chegava ao nível de 7%.

ASSUNTOS PARA SUA FAMÍLIA ===> www.meumaiorpatrimonio.com  FAMÍLIA – MEU MAIOR PATRIMÔNIO 

Empresas estão aderindo a plano de proteção ao emprego

Com o objetivo de evitar cortes de vagas, o governo lançou o Programa de Proteção ao Emprego, que permite empresas de setores em crise cortarem em até 30% a jornada de trabalho e o salário dos trabalhadores. Metade da perda salarial será compensada pelo governo.

Segundo o ministro do Trabalho, duas empresas do setor de autopeças aderiram ao plano e devem assinar os contratos na semana que vem. Ele disse que outras 20 solicitações estão em andamento.

(Com Valor e Reuters)

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

75

Clique aqui