20/03/2015

09:58

Por: Alberto Silva

Ataque na Tunísia é o maior já feito pelo EI contra ocidentais

Grupo jihadista reivindicou nesta quinta a autoria de atentado que deixou 21 mortos em museu

Túnis, Tunísia. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado contra o Museu Bardo em Túnis, que deixou 21 mortos na quarta-feira.

O ataque, o mais mortal conduzido pelo EI contra ocidentais, foi reivindicado em uma mensagem de áudio postada na internet. O grupo extremista sunita, que possui centenas de combatentes tunisianos em suas fileiras, ameaçou a Tunísia com novos ataques.

Descrevendo o atentado contra o museu com um “ataque abençoado contra um dos lares infiéis na Tunísia muçulmana”, a voz diz que a operação sangrenta foi realizada por “dois cavaleiros do califado, Abu Zakaria al-Tunsi e Abu Anas al-Tunsi”.

Eles estavam “armados com armas automáticas e bombas” e “conseguiram cercar um grupo de cidadãos de países cruzados, semeando o terror nos corações dos infiéis”.

O ataque atingiu o mais importante museu do país, matando 21 pessoas, segundo o último balanço oficial. Dezessete foram identificados, incluindo três japoneses, dois espanhóis, dois franceses, um colombiano, um australiano, uma britânica, uma belga, um polonês, quatro italianos e o policial local, segundo o governo da Tunísia.

Parte das vítimas eram passageiros de cruzeiros ancorados em Túnis. Os turistas foram alvejados quando desciam do ônibus e entravam no museu, onde foram perseguidos.

As autoridades anunciaram a morte de dois criminosos, identificados como Yassine Abidi e Hatem Khachnaoui, e a detenção de nove suspeitos, entre eles “quatro elementos que teriam tido um envolvimento direto” no ataque. Nesta quinta, o atual primeiro-ministro Habib Essid admitiu durante uma coletiva de imprensa a existência de “falhas no sistema de segurança”, enquanto o ataque ocorreu em plena audiência na Assembleia sobre as acusações militares e da Justiça envolvendo a reforma da lei antiterorrista, planejada há meses, mas constantemente adiada.

Única boa notícia dessa tragédia, dois turistas espanhóis foram reencontrados no museu onde passaram a noite escondidos com a ajuda de um funcionário.

No Iêmen
Combates entre partidários e opositores do presidente do Iêmen deixaram pelo menos 11 mortos e 54 feridos no aeroporto internacional de Aden e na própria cidade, no sul do país.
Um avião de combate tentou atacar o complexo do palácio presidencial de Aden, o que levou à transferência a um local seguro do presidente Abd Rabo Mansur Hadi, indicaram fontes de segurança.

Guia salva 30 italianos no museu

Um guia tunisiano contou que salvou um grupo de 30 turistas italianos após o ataque no Museu do Bardo de Túnis, aproveitando seu conhecimento do prédio. “Estava no segundo andar (do Museu) quando ouvi o tiroteio”, explicou Hamadi Ben Abdessalam. “Disse ao grupo que deveriam deitar no chão. Depois fui pela direita, e 30 pessoas me seguiram (…) e como sou daqui e conheço as saídas, tomei a direção de uma saída de emergência”.

Hamas: crime contra humanidade

O Hamas condenou o atentado contra o Museu do Bardo de Túnis, qualificando a ação de “crime contra a humanidade e contra a amiga Tunísia”. Em um comunicado, o movimento islâmico palestino denuncia o “ato criminoso contra os civis” que custou a vida de 20 turistas estrangeiros e de um tunisiano. O movimento islâmico manifesta suas condolências “à Tunísia, a seu povo e a seus dirigentes”.

Mortes comovem o país e a comunidade internacional

Túnis. Condenado pela comunidade internacional, o atentado provocou forte comoção na Tunísia e vários apelos por unidade. No final da tarde desta quinta, 200 pessoas compareceram a uma concentração silenciosa em frente ao museu do Bardo.

“A Tunísia é livre, fora os terroristas”, gritavam. Flores foram depositadas nas entrada do museu, onde ainda era possível ver traços de sangue. O principal sindicato, a UGTT, convocou “as forças do povo e todos os órgãos de Estado a se mobilizar e declarar guerra ao terrorismo”.

O presidente Béji Caïd Essebsi prometeu que “os traidores serão aniquilados”. O ataque ao Bardo é o pior desde o atentado suicida da Al Qaeda contra uma sinagoga em Djerba (sul), que matou 21.

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