14/06/2015

09:22

Por: Alberto Silva

Argentina impõe “olé”, mas relaxa e cede empate ao Paraguai no fim

A medalha de prata na Copa do Mundo de 2014 não parece ter sido bem digerida pela Argentina. Mesmo assim, neste sábado, a equipe comandada por Gerardo “Tata” Martino dominou amplamente o Paraguai, mas cedeu o empate em 2 a 2, em La Serena, pela primeira rodada do grupo B da Copa América.

Os gols da Argentina foram marcados por Aguero, aos 28, e por Messi, de pênalti, aos 35 minutos do primeiro tempo. Valdez descontou para o Paraguai aos 14 da etapa final, e Lucas Barrios chegou ao empate aos 44. Com o resultado, as duas seleções estão empatadas no segundo lugar do grupo B, que tem o Uruguai na liderança com três pontos.

No ano passado, a seleção alviceleste chegou à decisão do Mundial, mas saiu derrotada pela Alemanha por 1 a 0, no Maracanã, com um gol do jovem meia Mario Gotze. Frustrados, Messi, Aguero e companhia iniciaram a disputa do torneio continental no Chile com a taça como objetivo principal. Vale lembrar que os argentinos já somam 14 títulos: foram campeões em 1921, 1925, 1927, 1929, 1937, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991 e 1993. Em contrapartida, a Seleção Brasileira sustenta a rivalidade com oito taças.

Na edição de 2011, disputada justamente na Argentina, a delegação paraguaia chegou à decisão sem vencer uma única partida – foram cinco empates, dentre eles o que eliminou o Brasil de Mano Menezes. Na grande final, no entanto, o Uruguai levou a melhor por 3 a 0, frustrando o sonho do Paraguai de adicionar mais uma taça às conquistadas em 1953 e 1979.ARGENTINA VS. PARAGUAY

Domínio argentino supera estratégia de “erro zero” do Paraguai

A partida marcou apenas a estreia das duas seleções na atual edição da Copa América, mas já foi o suficiente para revelar suas estratégias para o torneio. Com um grupo imponente – principalmente do meio-campo para frente –, a Argentina se impôs em campo desde o início com oito atletas no ataque, buscando o gol. O Paraguai, por outro lado, posicionou todos os seus jogadores de forma defensiva. Por vezes, o único presente na outra extremidade do campo era Roque Santa Cruz, isolado.

Dessa forma, a Argentina não demorou para estabelecer um amplo domínio da posse de bola e das chances ofensivas. Dos 10 aos 14 minutos, a seleção de Tata Martino teve uma sequência de escanteios, quase encerrada com gol contra do goleiro Antony Silva, que por pouco não espalmou um levantamento de Di María para a própria rede. Aos 17, após um bate-rebate na área, Mascherano arriscou uma bomba rasteira da entrada da área. A bola ainda tocou em Messi antes de tirar tinta da trave paraguaia.

A estratégia de “erro zero” do time de Ramon Diaz foi, enfim, derrubada aos 28 minutos. A jogada começou com Messi na intermediária, que tentou driblar Miguel Samudio. O lateral conseguiu cortar o craque do Barça e tentou recuar para o goleiro, mas entregou a bola de presente para Aguero, que driblou Antony Silva e abriu o placar, dando ainda mais fôlego à festa da exultante torcida argentina – que já gritava “olé” ao ver os dribles mais simples, irritando os jogadores adversários.

Já na marca dos 34, Di María teve o seu melhor lance em todo o jogo ao cair na grande área, supostamente derrubado por Samudio. O árbitro Wilmar Roldán assinalou a penalidade máxima, convertida por Messi no cantinho direito, sem chances para o arqueiro paraguaio. Ainda houve tempo para o próprio camisa 10 ser derrubado dentro da área, mas dessa vez o trio de arbitragem não apitou nada – para a reclamação e o sorriso amarelo de Lionel, que ao menos foi para o intervalo com um resultado muito positivo.

O nervosismo do Paraguai era tão grande que o atacante Derlis González quase não aguentou três minutos em campo. O camisa 10 entrou em campo no intervalo no lugar de Richard Ortiz e já recebeu o amarelo logo no primeiro minuto após derrubar Di María em um lance sem bola. Dois minutos depois, voltou a derrubar um adversário em uma jogada paralela e só não levou o segundo amarelo porque o árbitro não quis – a situação foi resolvida com direito a sorrisos e tapinhas nas costas de Wilmar Roldán, que parecia se divertir com a situação.

Ainda fazendo o que queria dentro de campo e impondo amplo domínio, a Argentina voltou a chegar com perigo aos 12 minutos, após boa jogada trabalhada por Pastore e Messi. Após a tabela, o craque do Barcelona chutou forte, exigindo uma boa defesa à queima-roupa de Antony Silva. No minuto seguinte, o Paraguai chegou à meta de Romero pela primeira vez, com uma bomba de Valdez bem espalmada pelo argentino.

Se a primeira tentativa não balançou a rede, a segunda se encarregou de terminar o serviço. Enfim, a estratégia de Ramon Diaz funcionou em um contra-ataque rápido comandado por Ortigoza, que lançou Valdez na entrada da área. O atacante viu Romero adiantado e soltou a bomba para diminuir a diferença no marcador, encerrando também a displicência alviceleste em campo. Pressionada pela primeira vez no jogo, a Argentina viu Pastore finalizar com muita força dentro da área, para um milagre de Antony Silva.

Após o gol, o Paraguai foi com tudo para o campo de ataque. Aos 31 minutos, a equipe trabalhou com muita categoria dentro da área e a bola sobrou para Miguel Samudio pela esquerda, que arriscou um belo chute e obrigou Romero a fazer milagre. Por fim, aos 44, a igualdade finalmente veio. Em campo no lugar do inoperante Roque Santa Cruz, Lucas Barrios aproveitou toque de Paulo Silva e fuzilou a rede para garantir o empate, resultado extremamente improvável no primeiro tempo. Dessa forma, a delegação de Tata Martino vai para o segundo jogo, na terça-feira, contra o Uruguai, com gostinho amargo e devendo muitas explicações.

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