25/05/2016

17:51

Por: Alberto Silva

Anúncio de modelo plus size é banida pelo facebook

O caso ocorreu quando o grupo australiano Cherchez la Femme, que hospeda talkshows e mantém em sua página conteúdos relacionados à cultura popular sob um ângulo feminista, teve sua campanha bloqueada pela rede.

As diretrizes do Facebook são frequentemente questionadas pelos usuários, especialmente diante do bloqueio de conteúdos patrocinados. A rede social possui uma política preestabelecida para regularizar publicações, mas nem sempre ficam claros os motivos da censura. Recentemente, o site de Zuckerberg causou revolta ao excluir um anúncio com foto de uma modelo plus size.

O caso ocorreu quando o grupo australiano Cherchez la Femme, que hospeda talkshows e mantém em sua página conteúdos relacionados à cultura popular sob um ângulo feminista, teve sua campanha bloqueada pela rede.

A imagem em questão exibia Tess Holliday de biquíni. Depois do ocorrido, a justificativa dada abriu espaço para um debate sobre gordofobia e padrões de beleza, que ganhou força na internet.

“No estágio da mania, já se estabelece uma patologia que culmina no transtorno obsessivo compulsivo (TOC), que se instala no aparelho mental da pessoa de modo que ela entra numa busca frenética pela beleza”

Entenda o caso da modelo plus size

Inicialmente, a rede social alegou que grupo havia violado diretrizes de anúncio da empresa. Mas qual seria a violação?  Na primeira nota divulgada pelo site, a justificativa dizia que “os anúncios postados não podem demonstrar um estado de saúde ou peso corporal como sendo perfeito ou extremamente indesejável”.

Para completar, o comunicado afirmava que “campanhas como esta não são permitidas, uma vez que elas fazem com que os espectadores se sintam mal sobre si mesmos”. A co-produtora do grupoCherchez la Femme, Jessamy Gleeson, afirmou ter ficado extremamente chocada com a linguagem e o tom utilizados na explicação.

Para ela, ficou claro que, no entendimento da rede, imagens de mulheres gordas não podem ser utilizadas para demonstrar felicidade e autoaceitação. Diante do destaque do caso na imprensa e de várias críticas, o Facebook decidiu se retratar e emitiu um segundo comunicado.

“Nossa equipe processa milhões de imagens publicitárias a cada semana, e em alguns casos nós incorretamente proibimos anúncios. Esta imagem não viola nossas políticas de anúncios e pedimos desculpas pelo erro”, dizia a nota.

Muitos defenderam que a rede social só tinha banido a imagem porque fotografias de pessoas acima do peso costumam ser utilizadas por anunciantes mal intencionados para vender produtos de emagrecimento.

No entanto, o Facebook parece não ter levado em conta que a a proposta da campanha era justamente a oposta: semear o amor-próprio. Em entrevista ao site Masha, Jessamy afirmou que uma solução possível seria a empresa convidar mulheres ativistas a pensarem junto sobre suas políticas de regulamentação.

Padrões de beleza e a gordofobia

O perfil da mulher magra, estilo modelo que estampa capas de revista, ainda é o venerado socialmente. Para quem foge do padrão, a rotina pode ser dura e cheia de incertezas. Rejeição e comentários depreciativos sobre o corpo são situações ainda comuns para as mulheres gordas – e que afetam também o psicológico.

Mesmo entre quem é considerada modelo plus size, o padrão fica claro: algumas delas não vestem mais do que 42 ou 44, tamanho comum para a maioria das mulheres. Não é à toa que muitas entram em obsessão pelo corpo perfeito.

Mas cuidado, essa atitude pode ser perigosa à saúde e, inclusive, desencadear transtornos psicológicos. O psicólogo e escritor Alexandre Bez explica que a busca pela beleza pode começar como um desejo, se tornar um hábito e caminhar para uma mania.

“No estágio da mania, já se estabelece uma patologia que culmina no transtorno obsessivo compulsivo (TOC), que se instala no aparelho mental da pessoa de modo que ela entra numa busca frenética pela beleza”, adverte.

Segundo Bez, o conceito de ser bela começa do meio interno para o externo e não deve ser associado a sentimentos de inferioridade, indecisão ou insegurança. Quem precisa se aceitar e amar, acima de tudo, é você.

(Via Agencia)

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