04/07/2016

18:32

Por: Alberto Silva

Alvo da Lava Jato, dono da WTorre não é encontrado pela Polícia Federal

Torre Junior viajou há duas semanas de férias com a família para a Europa. Ele terá que se apresentar à Polícia Federal assim que voltar ao Brasil. A previsão é que ele retorne no final de agosto.

O empresário Walter Torre Junior, dono da construtora WTorre, não foi levado coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal, nesta segunda (4), porque não foi encontrado pelos policiais federais.

Torre Junior viajou há duas semanas de férias com a família para a Europa. Ele terá que se apresentar à Polícia Federal assim que voltar ao Brasil. A previsão é que ele retorne no final de agosto. O empresário é suspeito de ter recebido R$ 18 milhões de um consórcio concorrente para desistir da licitação da obra do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) -investigada na 31ª etapa da Lava Jato, deflagrada nesta segunda (4).

Segundo as investigações, Torre Júnior recebeu o presidente da OAS, Léo Pinheiro, que coordenava o consórcio Novo Cenpes, num domingo, a fim de acertar o pagamento.

"Foi uma corrupção no âmbito privado", afirmou o procurador da República Júlio Noronha, em entrevista à imprensa.

“O Léo, depois, por mensagem, me comunicou que estava tudo sacramentado com a Walter Torre. Não disse assim, mas disse: ‘Vocês me fizeram trabalhar num domingo. Tá tudo ok'”, contou o empresário e delator Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia -também participante do consórcio.

O colaborador ainda afirmou ao Ministério Público que recebeu Torre Júnior em seu apartamento, em São Paulo, alguns dias depois para confirmar o acerto. “Entrou pela garagem e tudo, foi à minha casa e foi só para dizer que teve a conversa e pra dizer: ‘Tá tudo ok?’. Eu disse: ‘Tá tudo ok'”, contou Pernambuco Júnior aos procuradores.

O Ministério Público Federal ainda não descobriu de que forma foi feito o pagamento dos R$ 18 milhões. A WTorre, porém, está sendo investigada sob suspeita de fraude à licitação. “Foi uma corrupção no âmbito privado”, afirmou o procurador da República Júlio Noronha, em entrevista à imprensa.

Cartel

O consórcio Novo Cenpes, da qual a OAS e a Carioca faziam parte, havia acertado o preço da licitação da reforma do Cenpes com outros concorrentes, numa divisão com o “clube” de empreiteiras que atuava na Petrobras.

A WTorre, porém, que não participara da negociação, acabou apresentando uma proposta R$ 40 milhões mais baixa do que a combinada. Depois do suposto encontro entre Pinheiro e Walter Torre Junior, a WTorre acabou não comparecendo à reunião com a Petrobras após o pregão, e o Novo Cenpes, que ofereceu um desconto no seu orçamento, acabou levando o contrato -de R$ 850 milhões.

O juiz Sergio Moro determinou a condução coercitiva também do diretor de Propriedades Comerciais da WTorre, Francisco Geraldo Caçador. O diretor foi dirigindo o próprio carro até a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na Lapa, onde, segundo a assessoria de imprensa da WTorre, prestou os esclarecimentos.

Foram feitas duas operações de busca e apreensão na sede da empresa, no bairro Itaim, e no escritório da WTorre Engenharia, no Morumbi. Três policiais federais e dois auditores da Receita Federal entraram às 9h30 na sede da WTorre e levaram notebooks de diretores e do presidente Walter Torre Junior. A operação durou duas horas.

Outros oito policiais e dois auditores chegaram na WTorre Engenharia engenharia às 7h30 e continuavam no prédio até as 16h30, cumprindo o mandado de busca e apreensão.

Outro lado:

Em nota, a WTorre afirmou que a empresa “não teve participação na obra de expansão do Centro de Pesquisas da Petrobras” e que “não recebeu ou pagou a agente público ou privado nenhum valor referente a esta ou a qualquer outra obra pública”.

“O Grupo WTorre forneceu a documentação referente ao orçamento desta licitação que ainda se encontrava na empresa e segue à disposição das autoridades”, diz o comunicado. Com informações da Folhapress.

(Via Agencia)

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