10/09/2015

16:24

Por: Alberto Silva

A partir de hoje, registra-se o início da saída de Dilma com movimento pro-impeachment

Os principais partidos de oposição e vários deputados dissidentes da base governista lançaram na manhã desta quinta-feira (10) o movimento parlamentar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Com pesadas críticas ao governo e ao PT, e portando réplicas do “Pixuleco” –o boneco do ex-presidente Lula vestido de presidiário–, os congressistas afirmaram que o ato marca o início do processo de afastamento de Dilma e do PT do governo.

Cerca de 50 deputados, além do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) –que acusou o governo de assaltar a população brasileira–, participaram do ato, no Salão Verde da Câmara, mas não foi apresentado o pedido de impedimento.

A ideia dos oposicionistas é usar o pedido já apresentado por Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, e apresentar, em cerca de 15 dias, um novo pedido de impeachment reforçado pelo parecer de juristas.

“Assistimos a uma grande mobilização popular nas principais cidades do país, que está literalmente desgovernado. Estamos aqui para dizer sim ao processo de impeachment”, afirmou o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

Também à frente do movimento, o líder da oposição na Câmara, Bruno Araújo (PSDB-PE), disse que “começou o processo de afastamento da presidente”. “A sociedade está convencida de que o Brasil não vai para frente sob o comando de Dilma.”

Além de PSDB e DEM, fazem parte do movimento, do lado da oposição, o Solidariedade e o PPS. O PSB e o PSOL não aderiram.

DISSIDENTES

Entre os 50 parlamentares, havia alguns peemedebistas, como os deputados Lúcio Vieira Lima (BA), Darcísio Perondi (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). Coube a Jarbas, que é ex-senador e ex-governador, discursar em nome dos peemedebistas.

“A saída da presidente Dilma é inevitável. É importante que o PMDB tome consciência disso para dar o exemplo. Estou convicto que ela cai, que a ficha dela vai cair.”

O PMDB é o principal aliado do PT no governo Dilma, ocupando a vice-presidência da República, com Michel Temer.

Segundo Darcísio Perondi, a adesão do partido ao “fora, Dilma” tem o apoio já de metade da bancada de deputados e será engrossada explicitamente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Ele está conosco, mas está se preservando para mais adiante. Ele vai entrar em campo no momento certo”, disse Perondi. Cabe a Cunha decidir se os pedidos de impeachment terão ou não sequencia. De sua decisão, cabe recurso ao plenário da Câmara.

Além do PMDB, havia deputados dos governistas PP (como Jair Bolsonaro, do Rio), PSD (Sóstenes Cavalcante, do Rio) e PTB –esse último representado pela presidente do partido, Cristiane Brasil (RJ), filha do ex-deputado Roberto Jefferson.

Apesar de comandar o ministério do desenvolvimento, parte do PTB faz oposição a Dilma.

“Não queremos uma troca de poder, queremos devolver aos brasileiros a esperança de um futuro melhor”, discursou Cristiane.

Um dos momentos altos do ato coube à deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante. Ela disse que queria dar um recado pessoal a Dilma. “Se a senhora tem um pouco de amor ao país, saia desse governo.”

A manifestação foi encerrado com os congressistas cantando o hino nacional.

APOIO

O principal objetivo do movimento é engrossar as manifestações populares pelo afastamento de Dilma. Para isso, os congressistas lançaram um site (www.proimpeachment.com.br) onde é possível acessar uma petição online.

“Vamos coletar o maior número possível de assinaturas e, junto com a sociedade, os movimentos de rua e os parlamentares, levar adiante esse movimento importante”, destacou o líder do PSDB da Câmara, Carlos Sampaio (SP). Até as 12h20 desta quinta havia 20.060 adesões.

(FOLHA)

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